O mercado internacional de petróleo começou a semana sob forte pressão diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira (7), os preços da commodity avançaram e atingiram o maior nível em aproximadamente seis semanas, em meio ao temor de que a escalada militar provoque novas interrupções no fornecimento e prejudique o transporte de petróleo e derivados pelo Oriente Médio.

O petróleo Brent, considerado referência internacional, subiu US$ 1,03, equivalente a 1,1%, e encerrou o dia cotado a US$ 97,31 por barril. Durante a sessão, a commodity chegou a US$ 98,06, maior preço registrado desde 24 de julho.

Nos Estados Unidos, o petróleo WTI, principal referência do mercado americano, também registrava alta. Às 14h45, no horário de Brasília, o contrato avançava 1,3%, negociado a US$ 92,65 por barril. Durante o pregão, chegou a US$ 93,29, igualmente o maior valor desde 24 de julho.

O movimento ocorre em um momento de grande preocupação nos mercados internacionais. A possibilidade de novos ataques contra instalações de energia, navios comerciais e estruturas ligadas ao setor petrolífero aumenta a percepção de risco entre investidores e consumidores.

Por que a alta do petróleo preocupa o mundo?

Embora a cotação de um barril possa parecer distante da vida cotidiana, o petróleo está presente em uma enorme cadeia de produtos e serviços utilizados diariamente.

A commodity é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de combustíveis. Gasolina, diesel e querosene de aviação estão diretamente ligados ao mercado de petróleo. Além disso, derivados da commodity são utilizados na fabricação de produtos químicos, plásticos e diversos materiais empregados pela indústria.

Quando o petróleo sobe de forma significativa, os efeitos podem se espalhar pela economia.

Transportadoras podem enfrentar aumento dos custos com combustível. Empresas podem gastar mais para movimentar mercadorias. Companhias aéreas podem ter despesas maiores com querosene. E esses custos adicionais podem, em determinadas circunstâncias, chegar ao consumidor final.

Por isso, uma alta prolongada do petróleo pode contribuir para aumentar as pressões inflacionárias em diferentes países.

No Brasil, existe ainda outro efeito. Como o país é produtor de petróleo, preços internacionais mais elevados podem aumentar a receita das empresas produtoras e também a arrecadação pública. Ao mesmo tempo, porém, a economia brasileira continua exposta aos efeitos de eventuais aumentos dos combustíveis e de outros derivados.

Escalada entre Estados Unidos e Irã aumenta preocupação

A valorização do petróleo nesta segunda-feira está diretamente relacionada à nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Nos últimos dias, os dois lados ampliaram a troca de ataques. Segundo informações da empresa de inteligência marítima Marisks, petroleiros e navios de guerra foram atingidos durante o fim de semana.

A situação ganhou ainda mais tensão depois que autoridades iranianas ameaçaram responder caso ativos do país continuem sendo atacados.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o Irã responderá caso seus ativos sejam atingidos. A declaração ocorreu depois de o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmar que a frota petrolífera iraniana estava “indefesa”.

A possibilidade de que navios comerciais sejam envolvidos diretamente no conflito preocupa o mercado porque o transporte marítimo é essencial para a distribuição global de petróleo.

Segundo a Marisks, a utilização de embarcações comerciais como instrumento de pressão econômica aumenta os riscos para empresas de transporte e para os países que dependem dessas rotas.

O problema não está apenas na eventual destruição de instalações produtoras. Mesmo que a produção continue, dificuldades para transportar petróleo e derivados podem provocar redução da oferta disponível em determinados mercados.

Oriente Médio é peça-chave para o abastecimento

O Oriente Médio possui uma importância estratégica para o mercado global de energia. A região concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do planeta e é atravessada por rotas fundamentais para o comércio internacional.

Por isso, qualquer conflito que ameace instalações de produção, portos, oleodutos ou rotas marítimas pode provocar reações imediatas nos preços.

A atual guerra entre Estados Unidos e Irã começou em 28 de fevereiro, quando uma série de ataques envolvendo os dois países e Israel marcou uma nova fase de tensão na região.

Desde então, os mercados passaram a acompanhar atentamente cada movimentação militar e política.

Na semana passada, o petróleo Brent acumulou valorização de quase 8%, enquanto o WTI subiu aproximadamente 10%.

A velocidade da alta demonstra como os investidores estão incorporando um prêmio de risco aos preços da commodity.

Estoques americanos também entram no radar

Além do conflito no Oriente Médio, o mercado acompanha outro fator importante: os estoques de combustíveis nos Estados Unidos.

O país é, simultaneamente, um dos maiores produtores e consumidores de petróleo do mundo. Por isso, seus níveis de estoque possuem influência significativa sobre as expectativas internacionais.

De acordo com analistas da PVM Energy, os estoques americanos de gasolina e combustíveis destilados estão abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado e também abaixo das médias sazonais dos últimos cinco anos.

Para a consultoria, o cenário atual apresenta riscos maiores do que algumas semanas atrás.

Estoques mais baixos significam que eventuais interrupções no fornecimento podem encontrar um mercado com menor margem de segurança, aumentando a possibilidade de pressão sobre os preços.

Petróleo pode ultrapassar os US$ 100

A continuidade da escalada militar já começa a provocar revisões nas projeções para o mercado de petróleo.

O Goldman Sachs avalia que a cotação da commodity poderia chegar a US$ 120 por barril caso os ataques contra navios comerciais se intensifiquem.

Uma eventual chegada do petróleo a esse patamar representaria uma mudança significativa em relação aos preços observados antes da atual escalada.

O principal risco está relacionado à logística.

Se navios comerciais passarem a enfrentar ameaças frequentes, empresas podem evitar determinadas rotas, buscar caminhos alternativos ou reduzir temporariamente suas operações. Essas mudanças aumentariam custos e poderiam diminuir a quantidade de petróleo transportada pelos principais corredores marítimos.

Os Emirados Árabes Unidos já estudam alternativas para suas exportações de energia e outras operações comerciais.

Segundo Anwar Gargash, assessor presidencial dos Emirados, o objetivo é reduzir a vulnerabilidade do país diante dos efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã.

A busca por rotas alternativas mostra que o impacto da guerra ultrapassa o campo militar. Empresas e governos também precisam pensar em como manter suas atividades econômicas funcionando diante de uma possível deterioração da segurança regional.

Opep+ mantém estratégia de produção

Mesmo com a forte valorização do petróleo, a Opep+ decidiu manter sua política de produção para outubro.

O grupo, formado por grandes produtores mundiais da commodity, anunciou no domingo que não haverá alteração na estratégia definida anteriormente.

A decisão é acompanhada com atenção pelos mercados porque a Opep+ possui capacidade de influenciar significativamente o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Uma eventual redução da produção poderia aumentar ainda mais a pressão sobre os preços. Por outro lado, uma ampliação da oferta poderia ajudar a compensar parte dos riscos provocados pelo conflito.

Por enquanto, o grupo optou pela manutenção da estratégia.

Mercado observa próximos passos

O petróleo chega ao segundo semestre de 2026 cercado por incertezas geopolíticas. A escalada entre Estados Unidos e Irã adiciona uma variável difícil de prever a um mercado que já acompanha atentamente estoques, produção, demanda e decisões dos grandes produtores.

Para os consumidores, a principal preocupação está na possibilidade de uma alta prolongada dos combustíveis e de outros produtos ligados à cadeia energética.

Para empresas e governos, o desafio é se preparar para um cenário em que o custo da energia pode subir rapidamente caso o conflito comprometa a produção ou o transporte internacional.

O avanço do Brent para perto dos US$ 100 é, portanto, mais do que um número no mercado financeiro. É um sinal de que os investidores estão precificando o risco de que uma guerra localizada no Oriente Médio possa produzir consequências econômicas muito além das fronteiras dos países envolvidos.

Se os ataques continuarem atingindo navios comerciais ou instalações ligadas à produção e ao transporte de energia, a pressão sobre o petróleo poderá aumentar ainda mais.

Por enquanto, o mercado segue em alerta, acompanhando cada novo movimento diplomático e militar. E quanto maior for a incerteza sobre a segurança das rotas e do fornecimento, maior tende a ser a preocupação em torno do preço de uma das commodities mais importantes para a economia mundial.