O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores, aliados políticos e lideranças da direita nesta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, em São Paulo, durante um ato marcado por críticas ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, principalmente, ao ministro Alexandre de Moraes.
A manifestação ocorreu no feriado de 7 de Setembro e teve como principais palavras de ordem “Fora Lula” e “Fora Moraes”. Em seu discurso, Flávio apresentou a mobilização como uma demonstração de que parte da população deseja mudanças no país e aproveitou o evento para defender propostas nas áreas de segurança pública, saúde e economia.
Um dos momentos mais fortes do discurso aconteceu quando o candidato falou sobre os acontecimentos de 8 de janeiro e sobre o processo envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio classificou os atos de 8 de janeiro como uma “farsa” e afirmou que Jair Bolsonaro teria recebido uma espécie de “segunda facada” por causa das consequências políticas e judiciais relacionadas ao episódio.
“Deram uma segunda facada em Bolsonaro. Essa farsa que foi 8 de janeiro. Essa farsa que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração, por crimes que ele não cometeu. Foi a segunda facada”, declarou.
A afirmação, porém, contrasta com as decisões da Justiça. O Supremo Tribunal Federal já condenou réus envolvidos na trama golpista relacionada aos atos de 8 de janeiro e em processos associados à tentativa de ruptura institucional. Entre os condenados está Jair Bolsonaro, que cumpre pena.
Críticas a Alexandre de Moraes
Outro dos principais alvos do discurso de Flávio Bolsonaro foi o ministro Alexandre de Moraes.
O candidato afirmou que é necessário “proteger o STF” do magistrado e procurou separar a instituição da atuação individual do ministro.
“Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre. O Supremo não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, afirmou.
As críticas ocorrem em meio a uma nova onda de discussões envolvendo o Supremo e o ministro, após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, que passaram a ser alvo de questionamentos e repercussão no cenário político.
A manifestação na Paulista também retomou uma pauta presente em mobilizações anteriores da direita. Nos últimos anos, grupos ligados ao campo conservador realizaram atos pedindo mudanças no STF e questionando a atuação de Alexandre de Moraes.
Para os organizadores e apoiadores de Flávio, o 7 de Setembro deste ano também serviu como uma demonstração política em favor de uma mudança de direção no país.
Segurança pública como principal bandeira
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro dedicou parte significativa de sua fala à segurança pública.
O candidato prometeu endurecer o combate ao crime organizado caso seja eleito presidente e citou especificamente organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho.
“A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho vão ser declarados terroristas. Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia”, declarou.
Flávio também defendeu a redução da maioridade penal, a redução de impostos e medidas mais rigorosas contra crimes de violência sexual.
Entre suas propostas, mencionou ainda uma punição mínima de oito anos de prisão para pessoas condenadas por roubo de celulares.
As declarações fazem parte de uma estratégia de campanha que coloca a segurança pública no centro do debate eleitoral, buscando dialogar especialmente com eleitores preocupados com o avanço do crime organizado e com a sensação de insegurança nas grandes cidades.
Saúde também aparece entre as promessas
Além da segurança, Flávio falou sobre saúde pública e apresentou uma proposta de transformação do Sistema Único de Saúde.
O candidato afirmou que pretende fazer com que o SUS tenha um padrão semelhante ao do Hospital Israelita Albert Einstein.
“A saúde pública vai ser padrão Einstein. O nosso SUS vai ser padrão Einstein”, disse.
A declaração foi apresentada como parte de uma proposta mais ampla de melhoria dos serviços públicos.
Flávio também afirmou que deseja construir um país no qual a população não dependa de políticos para ter acesso a condições básicas de vida.
“A minha candidatura é de protesto, para configurar que o Brasil tem jeito, tem futuro. Eu vou cuidar do Brasil”, afirmou.
Tarcísio pede votos para Flávio
O ato contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em seu discurso, Tarcísio defendeu a necessidade de respeito à Constituição e afirmou que nenhuma autoridade deve estar acima da lei.
“Absolutamente ninguém está acima da Constituição. Senador nenhum está acima da Constituição. Magistrado nenhum está acima da Constituição. Ministro nenhum está acima da Constituição. Governador nenhum está acima da Constituição. O presidente da República não está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei”, declarou.
A presença de Tarcísio reforçou o peso político da manifestação e demonstrou a tentativa de unificação das principais lideranças da direita em torno da candidatura de Flávio.
Outras lideranças participaram
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também esteve no evento e discursou logo no início da programação. Ele pediu votos para Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Derrite também participou da manifestação e fez um discurso com forte ênfase no combate ao crime organizado.
“Quero declarar a independência do Brasil a partir de 2027 contra o crime organizado no Brasil. Ou os criminosos mudam de país, ou serão presos ou neutralizados no Brasil. Ninguém aguenta mais”, afirmou.
Também estiveram presentes Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, André do Prado, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Valdemar Costa Neto relacionou diretamente a eleição presidencial à situação judicial de Jair Bolsonaro e declarou apoio à candidatura de Flávio.
Nikolas Ferreira, por sua vez, direcionou novas críticas a Alexandre de Moraes e afirmou que uma eventual vitória de Flávio poderia alterar a composição futura do STF.
Público chegou a 28,5 mil pessoas
O ato reuniu milhares de apoiadores ao longo da Avenida Paulista.
Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da organização More in Common, o pico de público aconteceu às 16h32, quando aproximadamente 28,5 mil pessoas estavam presentes.
A estimativa possui margem de erro de 12%, o que significa que o público naquele momento poderia estar entre 25,1 mil e 32 mil pessoas.
A metodologia utilizada considera imagens aéreas analisadas por software de inteligência artificial.
O número ficou abaixo das estimativas registradas em manifestações anteriores realizadas na Paulista. Em 2025, por exemplo, a estimativa apontou 42,2 mil participantes no local. Em 2024, foram estimadas 45,4 mil pessoas.
Protesto também teve tensão entre grupos
Enquanto apoiadores de Flávio ocupavam parte da Avenida Paulista, grupos de oposição também se concentraram na região.
Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública, houve uma tentativa de aproximação e possível confronto entre grupos com posições políticas opostas nas proximidades da Rua Peixoto Gomide e da Alameda Santos.
A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana intervieram para impedir que os manifestantes entrassem em confronto.
De acordo com o boletim de ocorrência, foram utilizados agentes químicos e força policial para dispersar o grupo e restabelecer a ordem.
A SSP informou que não foram registrados incidentes graves e que o policiamento permaneceu na região para garantir a segurança dos participantes e preservar o direito à livre manifestação.
Um 7 de Setembro marcado pela disputa política
O ato na Avenida Paulista transformou o feriado da Independência em mais um capítulo da disputa política que deverá marcar o cenário eleitoral brasileiro.
Flávio Bolsonaro utilizou o palanque para consolidar sua imagem como representante do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atacar adversários e apresentar propostas voltadas principalmente à segurança pública e à mudança institucional.
Ao mesmo tempo, a presença de importantes lideranças da direita mostrou uma tentativa de fortalecer a união do campo conservador em torno de sua candidatura.
As críticas ao STF e a Alexandre de Moraes continuam ocupando espaço central no discurso desse grupo, enquanto o 8 de Janeiro permanece como um dos temas mais controversos da política brasileira.
De um lado, Flávio e seus apoiadores classificam o episódio como uma injustiça e questionam as decisões judiciais. De outro, as investigações e condenações conduzidas pela Justiça apontam para a existência de uma articulação destinada a questionar o resultado eleitoral e ameaçar a ordem democrática.
Em meio a essa disputa de narrativas, o ato desta segunda-feira mostrou que a polarização continua presente e que o debate político brasileiro entra em uma nova fase, agora sob o peso das eleições e da disputa pelo futuro do país.
Na Paulista, entre bandeiras brasileiras, palavras de ordem e discursos inflamados, uma mensagem ficou evidente: para Flávio Bolsonaro e seus aliados, a eleição será apresentada como uma escolha entre a continuidade do atual projeto político e uma mudança de rumo no Brasil.














