A mulher suspeita de mutilar os órgãos genitais do companheiro em Campina Grande afirmou que pretende se apresentar à Polícia Civil e declarou possuir vídeos que, segundo ela, registrariam uma suposta confissão de abusos sexuais envolvendo os dois filhos dela. As declarações foram feitas em um áudio atribuído à mulher, que passou a circular após o caso ganhar repercussão.

Na gravação, a suspeita afirma não se arrepender da agressão e apresenta uma versão segundo a qual teria cometido o crime depois de descobrir, conforme seu relato, que o homem teria praticado abusos sexuais contra as duas crianças.

As acusações, entretanto, ainda não foram comprovadas pela investigação. A Polícia Civil deverá ouvir formalmente os envolvidos, analisar eventuais provas apresentadas e realizar os procedimentos necessários para esclarecer o que de fato aconteceu.

O caso aconteceu no bairro Catingueira, em Campina Grande. O homem, de 33 anos, foi encontrado amarrado e ferido em frente à própria residência, na noite do domingo (6). Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.

A suspeita e o homem mantinham um relacionamento havia aproximadamente seis anos. Ele não é o pai das duas crianças, que têm 9 e 10 anos.

Suspeita afirma que filhos relataram abusos

No áudio atribuído à mulher, ela afirma que os supostos abusos teriam sido revelados pelas próprias crianças.

Segundo a versão apresentada por ela, a situação teria começado depois que mostrou aos filhos uma reportagem sobre uma menina que teria relatado ter sido vítima de abuso sexual por meio de uma carta entregue à mãe.

Ainda de acordo com o relato, após assistirem à reportagem, as crianças teriam chorado e contado à mãe episódios que, segundo elas, teriam ocorrido anteriormente.

A mulher afirma que, diante das informações, decidiu questionar o companheiro sobre os relatos.

Na versão apresentada na gravação, ela diz que o homem teria confessado os supostos abusos. A suspeita também afirma que perguntou se ele voltaria a cometer crimes contra outras crianças e relata que, segundo ela, ele teria respondido que sim.

Essas declarações, contudo, fazem parte exclusivamente do relato atribuído à suspeita e ainda precisam ser verificadas pelas autoridades.

“Eu amo mais meus filhos”, afirma suspeita

No áudio, a mulher tenta explicar o que teria motivado a agressão e afirma que tomou a decisão depois de, segundo sua versão, investigar o companheiro e obter supostas provas.

“Eu cortei as partes dele pra ele nunca mais fazer isso com o filho de ninguém. Eu amava ele, só que eu amo mais meus filhos”, declarou.

A fala evidencia a tentativa da suspeita de justificar a violência praticada contra o homem como uma reação diante do que ela afirma ter descoberto.

Do ponto de vista jurídico, porém, a investigação deverá separar as acusações de abuso sexual das circunstâncias da agressão. Mesmo que os relatos envolvendo as crianças sejam confirmados, a eventual prática de violência contra o companheiro será analisada de forma independente pelas autoridades.

A investigação deverá determinar também se houve planejamento, quais foram as circunstâncias da agressão e quais elementos podem confirmar ou contradizer as diferentes versões apresentadas.

Suspeita diz ter vídeos

Outro ponto mencionado pela mulher na gravação é a existência de supostas provas em vídeo.

Ela afirma que não teria agido por impulso e que teria realizado uma investigação antes de tomar a decisão de atacar o companheiro.

“Isso não foi feito no desespero. Investiguei ele. Tenho vídeo dele confessando. Tem vídeo dos meus filhos contando tudo o que aconteceu em detalhes”, afirmou.

Caso esses materiais realmente existam, eles poderão ser entregues às autoridades e passarão por análise durante a investigação.

No entanto, a existência de uma gravação não significa, por si só, que as acusações estejam comprovadas. Os vídeos precisarão ser periciados e analisados dentro do contexto do caso, assim como outros elementos que possam ser reunidos pela Polícia Civil.

A preservação das crianças também deverá ser uma prioridade durante todo o procedimento.

Mulher afirma que vai se apresentar

Apesar de ainda não ter prestado depoimento formal, a mulher declarou que pretende procurar a Polícia Civil.

“Eu não ‘tô’ foragida. Eu vou me apresentar na melhor hora. Eu vou me apresentar”, afirmou no áudio.

O delegado Heitor Soares informou que a Polícia Civil teve acesso à gravação atribuída à suspeita e aguarda que ela se apresente para prestar esclarecimentos.

A expectativa é que, a partir do depoimento, os investigadores possam compreender com maior precisão a sequência dos acontecimentos e confrontar a versão apresentada pela mulher com os demais elementos reunidos no inquérito.

Crianças serão ouvidas

De acordo com o delegado, o pai das crianças já registrou uma ocorrência relacionada às denúncias de possíveis abusos.

As crianças deverão ser ouvidas formalmente pelas autoridades, seguindo os protocolos específicos destinados a menores de idade envolvidos em possíveis casos de violência sexual.

O procedimento é especialmente delicado porque envolve crianças de 9 e 10 anos. A forma como os relatos são colhidos é fundamental para evitar exposição desnecessária e preservar tanto a integridade emocional dos menores quanto a qualidade da investigação.

Além dos depoimentos, as crianças deverão passar por exames sexológicos, que poderão contribuir para a apuração das denúncias.

Segundo a Polícia Civil, os laudos devem ficar prontos nos próximos dias.

O pai, a mãe e o homem apontado como suspeito dos possíveis abusos também deverão prestar depoimento.

Investigação terá duas frentes

O caso deverá ser apurado em duas frentes principais.

A primeira está relacionada à agressão sofrida pelo homem de 33 anos. A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias em que ele foi amarrado e sofreu a mutilação dos órgãos genitais.

A mulher poderá responder pela suposta prática de lesão corporal grave, dependendo da conclusão das investigações e da análise das circunstâncias do crime.

A segunda frente envolve a denúncia de possível estupro de vulnerável contra as crianças.

Nesse ponto, será necessário reunir elementos que permitam esclarecer se os crimes realmente ocorreram, quando teriam acontecido, quem seria o responsável e quais provas podem sustentar ou afastar as acusações.

A investigação, portanto, não deve partir de uma conclusão antecipada. Tanto a mulher quanto o homem são personagens de uma apuração que ainda está em andamento, e as acusações precisam ser comprovadas por meio das provas previstas na legislação.

Homem recebe alta médica

O homem de 33 anos recebeu alta médica na manhã desta terça-feira (8), após permanecer internado no Hospital de Trauma de Campina Grande desde a noite de domingo.

Ele havia sido encontrado amarrado e com os órgãos genitais mutilados em frente à própria residência.

Após deixar a unidade hospitalar, o homem não foi detido.

Segundo informações da Polícia Civil, não houve prisão em flagrante e, até o momento, também não existe mandado de prisão expedido contra ele relacionado às denúncias de abuso.

A situação poderá mudar conforme o avanço das investigações e a eventual confirmação dos fatos.

Caso exige cautela

O episódio chama atenção não apenas pela violência da agressão, mas também pela gravidade das acusações que envolvem crianças.

A Polícia Civil terá agora a responsabilidade de reconstruir os acontecimentos, ouvir os envolvidos, analisar possíveis vídeos e outras provas e aguardar os resultados dos exames.

Em casos dessa natureza, a divulgação responsável das informações é fundamental. Denúncias de violência sexual contra crianças precisam ser investigadas com seriedade e prioridade, mas também é necessário preservar os menores e evitar que acusações ainda não comprovadas sejam tratadas como fatos definitivos.

Ao mesmo tempo, a agressão sofrida pelo homem também deverá ser devidamente apurada, independentemente do resultado da investigação sobre os supostos abusos.

O caso permanece sob investigação da Polícia Civil, e novos detalhes poderão surgir após a apresentação da suspeita, os depoimentos dos envolvidos, os exames realizados nas crianças e a análise das possíveis provas mencionadas no áudio.

Enquanto isso, a sociedade acompanha um episódio marcado por violência, acusações graves e uma família que agora está no centro de uma investigação que precisará avançar com responsabilidade, cuidado e respeito às pessoas envolvidas.