A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Make Up, investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo o uso de emendas parlamentares. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e alcança diferentes endereços em vários estados, incluindo locais ligados à produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em São Paulo, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão. Entre os endereços visitados pelos agentes estão imóveis relacionados à empresária Karina Gama, proprietária da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo projeto cinematográfico. A ação também tem como alvo o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que busca a reeleição.
Um dos pontos visitados pela Polícia Federal é o Instituto Conhecer Brasil (IBC), localizado na região da Avenida Paulista e pertencente a Karina Gama. Os agentes chegaram ao local por volta das 6h e passaram a procurar documentos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados.
O advogado da empresária acompanha o cumprimento das medidas.
Outro endereço ligado à produtora que também está entre os alvos da operação é a Academia Nacional de Cultura (ANC), igualmente localizada na região da Avenida Paulista.
A operação ocorre em meio a uma investigação que ganhou repercussão nacional após questionamentos sobre a possível utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares para financiar projetos relacionados ao filme Dark Horse.
Filme entrou no radar das autoridades
O longa-metragem Dark Horse pretende contar a trajetória de Jair Bolsonaro até sua chegada à Presidência da República. O projeto ganhou notoriedade antes mesmo de sua estreia após questionamentos apresentados sobre a origem dos recursos que estariam relacionados à produção.
A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal depois que a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) pediu que fossem investigados possíveis repasses de emendas parlamentares destinados à produtora responsável pelo filme.
Diante dos questionamentos, o ministro Flávio Dino determinou que Mario Frias apresentasse informações sobre a destinação de recursos.
Na ocasião, o deputado negou que tivesse destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares para financiar a produção cinematográfica. A defesa de Frias afirmou que a informação era “absolutamente falsa” e pediu o arquivamento da apuração.
Segundo a defesa, os recursos mencionados não teriam sido destinados à produção de qualquer filme.
A investigação, entretanto, continuou e passou a reunir outros elementos que agora são analisados pela Polícia Federal.
Conversas envolvendo Banco Master também aparecem na investigação
Outro episódio que aumentou a atenção sobre o financiamento de Dark Horse foi a divulgação, em maio, de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As mensagens foram reveladas pelo Intercept Brasil e mencionariam negociações relacionadas ao financiamento do filme. Segundo as informações divulgadas, um dos valores discutidos inicialmente teria sido de aproximadamente R$ 61 milhões, mas as cifras mencionadas nas conversas poderiam chegar a cerca de R$ 134 milhões.
As informações passaram a integrar o contexto das investigações que também envolvem o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
Uma das conversas teria ocorrido em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Os valores e a eventual destinação dos recursos são justamente alguns dos pontos que precisam ser esclarecidos pelas autoridades.
A existência de mensagens ou referências a negociações, entretanto, não significa automaticamente que tenha sido comprovado qualquer crime. Cabe à investigação verificar a autenticidade dos documentos, a origem dos recursos, sua efetiva movimentação e eventual relação com as atividades investigadas.
Investigação busca documentos e outros elementos
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes procuram documentos, equipamentos e outros materiais que possam ajudar a reconstruir as operações financeiras e administrativas investigadas.
A etapa de busca e apreensão é considerada importante porque permite à Polícia Federal acessar elementos que podem não estar disponíveis em documentos já analisados anteriormente.
Os materiais eventualmente apreendidos serão submetidos a análises técnicas e poderão ser confrontados com informações bancárias, registros empresariais, mensagens e outros elementos obtidos durante a investigação.
O objetivo é identificar se houve desvio ou utilização irregular de recursos públicos e, caso isso seja confirmado, compreender como os valores teriam sido movimentados e quais pessoas ou empresas poderiam estar envolvidas.
A operação, portanto, não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos alvos. A partir das provas recolhidas, caberá às autoridades aprofundar a investigação e avaliar a existência ou não de irregularidades.
Karina Gama está entre os alvos
Karina Gama, proprietária da GoUp Entertainment, aparece entre os principais nomes relacionados à investigação por ser responsável pela produtora que desenvolve Dark Horse.
Os endereços ligados à empresária foram incluídos entre os locais onde a Polícia Federal cumpre mandados em São Paulo.
A presença dos agentes no Instituto Conhecer Brasil e na Academia Nacional de Cultura mostra que a investigação busca ampliar o conjunto de informações sobre as atividades empresariais e eventuais relações financeiras que possam ter ligação com o objeto da apuração.
O advogado da empresária acompanha os procedimentos, enquanto os investigadores recolhem os materiais autorizados pela decisão judicial.
A defesa dos envolvidos deverá ter acesso aos elementos do processo e poderá se manifestar ao longo do avanço da investigação.
Mario Frias também é alvo da operação
O deputado federal Mario Frias também está entre os alvos da Operação Make Up.
O parlamentar já havia sido citado anteriormente no contexto das discussões sobre possíveis emendas relacionadas à produção de Dark Horse. Na época, ele negou que tivesse destinado R$ 2 milhões para o filme.
A defesa sustentou que a acusação não correspondia à realidade e afirmou que os recursos indicados não haviam sido utilizados para financiar a produção cinematográfica.
Com a nova operação, os investigadores procuram documentos e informações que possam esclarecer definitivamente a origem e a destinação dos recursos questionados.
A investigação deverá analisar não apenas declarações públicas, mas também documentos oficiais, registros financeiros e demais elementos obtidos durante as buscas.
Relação com o caso Banco Master amplia repercussão
A Operação Make Up também chama atenção porque ocorre em um momento no qual diferentes investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro estão sendo analisadas pelas autoridades.
A eventual existência de movimentações financeiras relacionadas ao filme e de contatos entre pessoas ligadas ao projeto e ao empresário tornou o caso ainda mais complexo.
Entre as informações que ganharam destaque estão as mensagens que mencionariam valores elevados para o financiamento da produção e a possibilidade de transferência de recursos para um fundo nos Estados Unidos.
Segundo as informações divulgadas, esse fundo seria administrado pelo advogado brasileiro Paulo Calixto, apontado como aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas.
Essas informações, contudo, ainda precisam ser verificadas e contextualizadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Operação pode trazer novos capítulos
O cumprimento dos 49 mandados representa uma nova etapa de uma investigação que envolve recursos públicos, empresas, agentes políticos e pessoas ligadas ao setor financeiro.
Em São Paulo, a concentração de 22 mandados demonstra a importância que a Polícia Federal atribui aos endereços localizados no estado, especialmente aqueles relacionados à produção de Dark Horse.
Os documentos e materiais apreendidos poderão ajudar a esclarecer questões que permanecem em aberto, como a origem dos recursos, a existência de eventuais repasses, a finalidade das movimentações financeiras e a participação de cada pessoa ou empresa mencionada na investigação.
O trabalho dos investigadores deverá ser seguido por análises técnicas e novas diligências, caso sejam identificados elementos que justifiquem outras medidas.
Por enquanto, a Operação Make Up está em fase de coleta de provas. Os alvos das buscas não são, por si só, considerados culpados, e eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas somente após a conclusão das investigações e, se for o caso, mediante o devido processo legal.
O caso envolvendo Dark Horse ganhou dimensão nacional justamente por unir política, produção cultural e suspeitas relacionadas ao uso de recursos públicos. Agora, com a atuação da Polícia Federal, a expectativa é de que os documentos encontrados possam ajudar a esclarecer as dúvidas que permanecem sobre o financiamento do projeto e suas conexões com as demais investigações.
A operação ainda deverá produzir novos desdobramentos nos próximos dias, especialmente após a análise do material recolhido nos endereços ligados à produtora e aos demais investigados.









