O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (10) em alta diante da expectativa dos investidores pelos novos dados de inflação dos Estados Unidos. Por volta das 9h, a moeda norte-americana avançava 0,14%, cotada a R$ 5,1189, em um dia marcado por indicadores econômicos importantes e pela preocupação dos mercados com a escalada das tensões no Oriente Médio.

O movimento ocorre em uma sessão considerada relevante para os investidores, especialmente porque os Estados Unidos devem divulgar novos dados sobre a inflação ao produtor. O indicador é acompanhado de perto pelo mercado financeiro e pode influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, em relação à política de juros.

No Brasil, enquanto o dólar iniciou o dia pressionado, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, tinha o início das negociações previsto para as 10h. Os investidores também monitoram os indicadores domésticos, as decisões do governo na área econômica e o cenário político, que continua produzindo impactos sobre as expectativas do mercado.

Inflação nos Estados Unidos concentra atenção

O principal destaque da agenda econômica internacional nesta quinta-feira está relacionado aos novos números da inflação ao produtor nos Estados Unidos.

O índice é considerado importante porque ajuda a mostrar como os preços estão se comportando na etapa anterior à chegada de produtos e serviços ao consumidor. Uma aceleração maior do que a esperada pode aumentar as preocupações com a inflação e, consequentemente, influenciar a postura do Federal Reserve.

O mercado acompanha o indicador especialmente por causa da próxima reunião do banco central norte-americano, prevista para a próxima semana.

As decisões do Fed possuem impacto que vai muito além da economia dos Estados Unidos. Mudanças nos juros norte-americanos costumam afetar o fluxo internacional de capitais, as moedas de países emergentes e o comportamento das bolsas.

Quando os juros dos Estados Unidos permanecem elevados ou existe expectativa de aumento, investimentos em ativos considerados mais seguros podem ganhar atratividade. Em contrapartida, uma perspectiva de redução dos juros pode favorecer mercados emergentes, como o brasileiro.

É justamente por isso que cada novo dado de inflação recebe atenção especial dos investidores.

Petróleo supera novamente os US$ 100

Outro fator que pesa sobre os mercados nesta quinta-feira é o avanço do petróleo diante do agravamento das tensões no Oriente Médio.

Na véspera, o preço da commodity voltou a superar a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 24 de julho. A escalada do conflito aumentou as preocupações relacionadas à oferta mundial de petróleo e ao funcionamento das principais rotas utilizadas para o transporte da commodity.

Por volta das 9h desta quinta-feira, o barril do Brent, referência internacional, avançava 0,79%, cotado a US$ 102,01. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, registrava alta de 1,17%, negociado a US$ 97,17.

O movimento preocupa os mercados porque uma elevação prolongada do petróleo pode aumentar os custos de produção, transporte e energia em diferentes países.

Na prática, combustíveis mais caros podem pressionar os preços de diversos produtos e serviços, contribuindo para o avanço da inflação.

Conflito aumenta preocupação com oferta global

A escalada da tensão na região voltou a colocar no centro das discussões a segurança das rotas internacionais de transporte de petróleo.

Ataques atribuídos aos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia na Arábia Saudita nesta semana e provocaram incêndios em estruturas relacionadas à produção de petróleo.

O cenário também envolve o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o transporte da commodity. Antes da guerra, aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo passava pela região.

Com a redução do fluxo pelo estreito, o Mar Vermelho ganhou ainda mais importância como rota alternativa para embarques internacionais.

O aumento da tensão alimenta o temor de que novos ataques possam comprometer ainda mais a circulação de petróleo e provocar uma nova rodada de valorização da commodity.

Na quarta-feira, navios petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária também foram alvo de ataques dos Estados Unidos. Segundo autoridades norte-americanas, a ofensiva ocorreu como retaliação a uma tentativa de ataque contra uma embarcação da Marinha dos Estados Unidos.

A possibilidade de uma escalada ainda maior do conflito faz com que bancos e instituições financeiras revisem suas projeções para o preço do petróleo.

Impactos podem chegar à inflação mundial

Uma alta persistente do petróleo não afeta apenas os países produtores ou diretamente envolvidos no conflito.

Como a commodity é utilizada em diferentes etapas da economia mundial, uma valorização expressiva pode aumentar custos para empresas, transportadoras e consumidores.

O combustível mais caro, por exemplo, pode elevar o custo do transporte de mercadorias. Esse aumento pode ser repassado para produtos e serviços, criando novas pressões inflacionárias.

Esse cenário representa um desafio para os bancos centrais, que precisam equilibrar o combate à inflação com a necessidade de manter a atividade econômica.

Nos Estados Unidos, os novos dados de inflação ganham ainda mais relevância justamente por ocorrerem em um momento de grande atenção às decisões do Federal Reserve.

Mercado brasileiro também acompanha cenário político

Além dos fatores internacionais, o mercado brasileiro acompanha as movimentações políticas e judiciais que podem influenciar a percepção dos investidores.

Entre os assuntos monitorados está a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial.

A decisão ocorreu após determinação anterior do ministro André Mendonça, que havia determinado o afastamento dos servidores.

Flávio Dino é relator de um inquérito relacionado ao repasse de emendas parlamentares federais a uma produtora responsável pela produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro afirmou que o afastamento poderia prejudicar o andamento de investigações consideradas urgentes sob sua relatoria.

O episódio também ocorre em meio a disputas internas no Supremo e a investigações que possuem repercussões políticas.

Para o mercado financeiro, acontecimentos dessa natureza são acompanhados porque podem aumentar a percepção de incerteza no ambiente institucional brasileiro.

Indicadores brasileiros entram no radar

No cenário doméstico, outro destaque da agenda econômica é a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

A expectativa do mercado é de uma variação de 0,2% na comparação mensal e de 0,1% na relação anual.

O desempenho do setor de serviços é importante para avaliar o ritmo da economia brasileira, já que o segmento possui participação significativa na atividade econômica e no mercado de trabalho.

Os investidores também acompanham novas medidas tributárias e iniciativas anunciadas pelo governo relacionadas aos combustíveis.

Bolsas asiáticas fecham em sua maioria no negativo

O ambiente de cautela também apareceu nos mercados asiáticos. A maioria dos principais índices da região terminou a sessão em queda, influenciada principalmente pela preocupação com o petróleo e seus possíveis efeitos sobre a inflação mundial.

O SSEC, de Xangai, recuou 0,43%, enquanto o CSI300, que reúne empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,53%.

Em Hong Kong, o Hang Seng registrou queda de 1,27%.

No Japão, entretanto, o Nikkei avançou 0,20%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,25%.

Dólar acumula queda no ano

Apesar da alta registrada na abertura desta quinta-feira, o dólar ainda apresenta desempenho negativo nos acumulados.

Na semana, a moeda acumulava queda de 0,36%. No mês, o recuo chegava a 1,31%, enquanto no acumulado de 2026 a desvalorização era de 6,87%.

O Ibovespa também mantém desempenho positivo nos períodos mais longos. O índice acumulava alta de 0,25% na semana, 4,62% no mês e 15,20% no ano.

Os números mostram que, apesar das oscilações provocadas pelo cenário internacional, o mercado brasileiro mantém desempenho relevante em 2026.

Para esta quinta-feira, no entanto, o foco permanece dividido entre a inflação norte-americana, a trajetória dos juros nos Estados Unidos, a valorização do petróleo e os acontecimentos políticos e econômicos no Brasil.

Em um cenário internacional marcado por incertezas, cada novo indicador pode provocar mudanças rápidas nas expectativas dos investidores. Por isso, o comportamento do dólar e da Bolsa ao longo do dia deverá ser acompanhado de perto, especialmente diante da combinação entre inflação, juros e riscos geopolíticos.