A presença da música sertaneja no Rock in Rio pode ganhar um novo capítulo nos próximos anos. Depois de uma participação ainda pontual do gênero na edição de 2024, o fundador do festival, Roberto Medina, afirmou durante o Rock in Rio 2026 que o country e o sertanejo estão em seu radar para futuras edições do evento.
A possibilidade reacendeu uma discussão que há algum tempo circula entre profissionais da música e fãs: quais artistas sertanejos teriam condições de ocupar os principais palcos de um dos maiores festivais de música do mundo?
Entre os nomes sugeridos por especialistas estão Ana Castela, Luan Santana, Panda, Daniel, Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e Victor & Leo, além de possíveis encontros especialmente preparados para o festival.
A discussão ganhou força porque o Rock in Rio tem, desde sua primeira edição, em 1985, uma trajetória marcada pela diversidade musical. Ao longo das décadas, o evento abriu espaço para diferentes gêneros, artistas nacionais e internacionais, além de encontros que aproximaram públicos com gostos distintos.
Roberto Medina coloca sertanejo no radar
Durante o Rock in Rio 2026, Roberto Medina afirmou que ainda não havia elaborado uma programação específica para levar o sertanejo ao festival, mas admitiu que o gênero está sendo considerado.
Segundo o empresário, o sertanejo é atualmente um dos estilos musicais mais consumidos no Brasil, enquanto o country também apresenta características que podem dialogar com a proposta do evento.
A declaração foi suficiente para movimentar o mercado sertanejo e provocar debates sobre quais artistas poderiam representar o gênero em uma futura edição.
A ideia não seria completamente inédita. Em 2024, o festival realizou o Dia Brasil, programação criada justamente com a proposta de reunir diferentes vertentes da música brasileira. O sertanejo teve espaço naquela ocasião, embora a participação tenha sido considerada por especialistas como ainda limitada diante do tamanho e da importância do gênero no país.
Agora, a possibilidade levantada por Medina aponta para uma presença potencialmente mais estruturada.
Especialistas defendem espaço maior
Para o colunista de música do g1 Mauro Ferreira, a entrada mais consistente do sertanejo no Rock in Rio seria coerente com a própria história do festival.
Segundo ele, o evento sempre se destacou pela diversidade e possui alcance nacional. Como o sertanejo é consumido em diferentes regiões do Brasil, a presença do gênero poderia ampliar ainda mais essa proposta de integração musical.
Mauro também observa que o sertanejo contemporâneo incorporou elementos do pop e de outros estilos, aproximando sua linguagem daquela utilizada por grandes artistas que já passaram pelo festival.
Na avaliação do colunista, Ana Castela e Luan Santana são nomes que poderiam ocupar o Palco Mundo, considerado o principal palco do evento.
A ideia é que esses artistas não sejam apresentados apenas como representantes de um gênero específico, mas como grandes nomes do entretenimento brasileiro, capazes de construir espetáculos com produção, tecnologia, repertório e elementos visuais compatíveis com a dimensão do festival.
Ana Castela aparece como nome de destaque
Entre as sugestões apresentadas pelos especialistas, Ana Castela aparece como um dos nomes mais lembrados para o Palco Mundo.
A cantora, que pertence a uma geração mais recente do sertanejo, construiu uma identidade que mistura elementos tradicionais do gênero com referências do pop e de outras vertentes da música contemporânea.
Para Marcos Bernardes, conhecido como Marcão, do portal Blognejo, justamente essa capacidade de dialogar com diferentes públicos faz com que Ana tenha características compatíveis com o Rock in Rio.
Outro aspecto apontado é a preocupação da cantora com a construção de seus shows. A presença de bailarinos e elementos visuais mais próximos do universo pop ajuda a criar um espetáculo que vai além da estrutura tradicional de uma apresentação sertaneja.
O apresentador e influenciador Renato Sertanejeiro também destaca a evolução musical da artista e a aproximação de seus trabalhos mais recentes com o pop e o rock.
Nesse sentido, Ana Castela representa uma geração de artistas sertanejos que cresceu consumindo diferentes gêneros e incorporou essas influências à própria música.
Luan Santana também está entre os favoritos dos especialistas
Outro nome frequentemente citado é Luan Santana.
Com uma longa trajetória na música brasileira e experiência em grandes apresentações, o cantor é apontado como um artista que possui facilidade para dialogar com músicos de diferentes estilos.
Marcão destaca justamente essa característica como um dos fatores que poderiam favorecer sua presença no Palco Mundo.
Além da experiência, Luan possui uma carreira marcada por grandes produções e projetos que incorporam tecnologia e elementos visuais. Para os especialistas, esse conjunto poderia contribuir para um espetáculo pensado especificamente para a estrutura do Rock in Rio.
A possibilidade também representaria um momento simbólico para um artista que já construiu uma carreira consolidada dentro do sertanejo e passou por diferentes fases do mercado musical.
Panda pode representar uma nova geração
Outro nome lembrado nas sugestões é Panda, artista que representa uma vertente mais contemporânea do sertanejo.
A presença de nomes mais novos poderia ajudar o festival a apresentar uma visão diferente do gênero, evitando que a participação sertaneja fique restrita apenas aos artistas tradicionais que ajudaram a construir a história do estilo.
Essa renovação também dialoga com uma característica do próprio Rock in Rio: a tentativa de equilibrar nomes consagrados com artistas capazes de representar novos momentos da música.
A discussão, portanto, não envolve apenas colocar o sertanejo dentro da programação, mas definir qual sertanejo poderia representar melhor a diversidade atual do gênero.
Sunset pode ser espaço para encontros históricos
Se o Palco Mundo poderia receber grandes nomes da atualidade, o Palco Sunset aparece como uma alternativa interessante para encontros especiais.
O espaço tradicionalmente recebe projetos diferentes, tributos, colaborações e apresentações que fogem do formato convencional.
Nesse cenário, especialistas sugerem nomes como Daniel e Leonardo, além de outros artistas importantes da história do sertanejo.
Uma das propostas apresentadas por Mauro Ferreira envolve uma reunião especial de Daniel e Leonardo para revisitar o repertório de Tonico & Tinoco, dupla fundamental para a construção da música sertaneja brasileira.
A ideia seguiria uma lógica que o festival já utiliza em outras ocasiões: utilizar o palco para criar encontros únicos, com artistas reunidos em torno de um conceito específico.
Uma homenagem às raízes do sertanejo
Outra possibilidade citada é a realização de um tributo a Tião Carreiro & Pardinho, nomes fundamentais para a história da música sertaneja.
Nesse projeto, poderiam participar artistas como Zezé Di Camargo & Luciano e Victor & Leo, criando uma apresentação que conectaria diferentes gerações.
A proposta permitiria mostrar ao público do festival que o sertanejo vai muito além dos sucessos contemporâneos.
Ao mesmo tempo em que artistas como Ana Castela e Luan Santana representam novas fases do gênero, nomes como Daniel, Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e Victor & Leo carregam repertórios ligados a diferentes períodos da música brasileira.
Essa combinação poderia transformar uma eventual programação sertaneja em uma espécie de viagem pela história do gênero.
Sertanejo e Rock in Rio: uma aproximação possível
Para Renato Sertanejeiro, a aproximação entre o festival e o sertanejo faz sentido justamente pela dimensão popular do gênero.
O Brasil possui uma produção musical extremamente diversificada, e o sertanejo ocupa um espaço importante nesse cenário. Sua presença em um festival conhecido internacionalmente pela diversidade poderia representar um encontro entre públicos diferentes.
Mais do que uma simples mudança na programação, uma eventual noite dedicada ao gênero poderia ser uma oportunidade para apresentar ao público a diversidade existente dentro da música sertaneja.
Há espaço para a tradição, para o sertanejo universitário, para o pop sertanejo e para novas experiências que misturam diferentes estilos.
A discussão levantada por Roberto Medina ainda está em fase de possibilidade. Não há, até o momento, uma programação oficial para um eventual Dia do Sertanejo no Rock in Rio.
Mas a lista de nomes sugeridos pelos especialistas mostra que o mercado possui artistas com diferentes perfis capazes de ocupar tanto o Palco Mundo quanto o Sunset.
Caso a ideia avance para uma próxima edição, o desafio da organização será transformar a força comercial e popular do sertanejo em uma programação que também dialogue com a identidade histórica do festival.
Entre artistas consagrados, novas estrelas e encontros especiais, o sertanejo pode encontrar no Rock in Rio uma oportunidade de mostrar ao grande público não apenas seus sucessos mais conhecidos, mas também suas raízes, sua diversidade e as transformações que fizeram o gênero chegar a uma posição central na música brasileira.















