O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nesta sexta-feira (18) que pessoas que acreditam no PT deveriam deixar o Brasil e viver em países como Venezuela ou Cuba. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Itatiaia, em meio à campanha eleitoral para a Presidência e às discussões sobre o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal.

Questionado sobre sua posição em um eventual segundo turno e sobre a possibilidade de apoiar o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, Zema afirmou que estará ao lado de quem estiver contra o PT.

Na entrevista, o ex-governador de Minas Gerais fez críticas ao partido e associou sua atuação a problemas que, segundo sua avaliação, marcaram a política brasileira e outros países. Em seguida, direcionou uma declaração aos eleitores que apoiam a legenda.

“Eu estarei com quem estiver contra o PT”, afirmou Zema. Na sequência, disse que aqueles que acreditam no partido deveriam “mudar para Venezuela, para Cuba”, que, segundo ele, seriam referências para o PT.

A fala repercutiu durante uma etapa decisiva da campanha eleitoral e reforçou o discurso de oposição ao Partido dos Trabalhadores adotado pelo candidato do Novo.

Críticas ao reajuste do Bolsa Família

Durante a entrevista, Zema também criticou o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quinta-feira (17).

O governo federal anunciou uma correção de 15,04% nos valores do programa. Com a mudança, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio chega a aproximadamente R$ 777. A nova regra começa a valer em outubro.

O anúncio ocorreu a poucas semanas do primeiro turno das eleições, circunstância utilizada por Zema para questionar a decisão. O candidato classificou o reajuste como “oportunismo” e afirmou que o governo estaria tentando obter ganhos eleitorais com a medida.

O governo, por outro lado, rejeita essa interpretação. Segundo informações divulgadas pela Advocacia-Geral da União (AGU), o reajuste corresponde à reposição de perdas inflacionárias e não representa a criação de um novo benefício ou a ampliação do número de famílias atendidas.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a correção considera a inflação acumulada desde o início do programa até agosto de 2026. O reajuste terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027, segundo o governo.

Proposta de Zema para o Bolsa Família

Ao falar sobre o programa de transferência de renda, Zema apresentou uma proposta diferente para sua gestão caso seja eleito.

O candidato afirmou que pretende criar mais mecanismos para que beneficiários deixem o programa à medida que conquistem condições de autonomia financeira. Em sua formulação, pessoas que não tenham responsabilidades relacionadas ao cuidado de crianças, idosos ou pessoas com deficiência deveriam cumprir determinadas contrapartidas, como estudar, para continuar recebendo o benefício.

Zema também afirmou que pretende oferecer um incentivo financeiro para beneficiários que conseguirem emprego formal.

Segundo o candidato, a ideia seria criar mais “portas de saída” do programa do que “portas de entrada”. Ele defendeu que o benefício esteja associado a mecanismos de qualificação e inserção no mercado de trabalho.

A proposta faz parte de uma visão mais ampla apresentada pelo candidato sobre programas sociais, na qual a transferência de renda deveria ser acompanhada por políticas destinadas à autonomia econômica.

Disputa presidencial entra na reta final

As declarações de Zema ocorrem em um momento de intensificação da disputa presidencial. A eleição de 2026 está prevista para ocorrer em outubro, e os candidatos ampliam a presença em entrevistas, debates e eventos de campanha.

A pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, em 125 municípios, entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.

No cenário de primeiro turno divulgado pelo instituto, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%. Augusto Cury tem 6%, Ronaldo Caiado aparece com 4%, Renan Santos soma 3% e Romeu Zema registra 2%.

A pesquisa também apresentou simulações de segundo turno. No confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 46% e Flávio com 44%, diferença que está dentro da margem de erro do levantamento.

Esses números representam as intenções de voto registradas no período de realização da pesquisa e não constituem previsão do resultado eleitoral.

Zema aparece com 2% no levantamento

O percentual de 2% atribuído a Zema no Datafolha representa o resultado do cenário estimulado pesquisado pelo instituto.

Na pesquisa anterior, realizada entre 8 e 10 de setembro, Zema também aparecia com 2%. O candidato vem defendendo que os levantamentos não necessariamente refletem o resultado final das urnas.

Em entrevista à própria Rádio Itatiaia, na quarta-feira (16), Zema mencionou sua experiência na eleição para o governo de Minas Gerais em 2018. Na ocasião, argumentou que pesquisas divulgadas durante aquela campanha não indicavam sua vitória e afirmou acreditar que a situação atual também pode mudar até a votação.

Oposição ao PT é eixo do discurso

A oposição ao PT ocupa espaço central no discurso de Zema durante a campanha presidencial.

Ao responder sobre um eventual segundo turno, o candidato afirmou que apoiaria quem estivesse contra o partido, sem confirmar naquele momento uma declaração formal de apoio a Flávio Bolsonaro.

A afirmação deixa evidente uma estratégia política baseada na apresentação do PT como principal adversário de seu projeto. Ao mesmo tempo, Zema mantém críticas direcionadas ao governo Lula em áreas como programas sociais, gestão pública e política econômica.

O candidato também tem defendido uma agenda voltada à redução da dependência de programas de transferência de renda, com maior ênfase em qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho.

Bolsa Família vira tema eleitoral

O reajuste do Bolsa Família também passou a fazer parte do debate eleitoral de 2026.

O governo federal sustenta que a correção de 15,04% recompõe perdas provocadas pela inflação e afirma que a medida está de acordo com a legislação. A AGU argumenta que não houve criação de um novo benefício nem aumento do número de famílias atendidas.

Críticos do governo, entre eles Zema, questionam o momento do anúncio, feito durante a campanha eleitoral. A avaliação de que a medida teria motivação eleitoral é uma interpretação política atribuída aos críticos, enquanto o governo afirma que se trata de uma correção baseada na inflação.

O debate deve continuar ao longo das próximas semanas, especialmente porque o reajuste começará a ser aplicado em outubro.

Próximos passos da campanha

Com a eleição se aproximando, declarações sobre alianças, programas sociais e posicionamentos ideológicos devem continuar ocupando espaço na campanha presidencial.

No caso de Romeu Zema, a entrevista desta sexta-feira reforçou duas características de seu discurso: a oposição ao PT e a defesa de mudanças na estrutura de programas de transferência de renda.

A declaração sobre Venezuela e Cuba também acrescentou um tom mais contundente à disputa, ao direcionar críticas não apenas ao partido, mas também às pessoas que apoiam suas ideias.

Enquanto isso, os candidatos seguem apresentando propostas e buscando ampliar suas bases eleitorais. A pesquisa Datafolha mais recente oferece apenas um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas, e os números podem variar em novos levantamentos.

A campanha entra, assim, em uma fase de maior exposição pública dos candidatos, na qual declarações, propostas e divergências passam a ocupar cada vez mais espaço no debate nacional. Para os eleitores, conhecer o conteúdo dessas manifestações, as propostas apresentadas e as respostas dos diferentes grupos políticos é parte importante do acompanhamento do processo eleitoral.