O samba brasileiro ganhará uma homenagem especial às mulheres que ajudaram a construir a história do gênero. A cantora Karinah prepara o lançamento do álbum “As damas do samba”, previsto para 19 de novembro de 2026, com 16 faixas dedicadas aos repertórios de oito grandes intérpretes que marcaram diferentes gerações da música nacional.
Com produção musical de Ana Costa, o projeto reúne releituras de canções associadas a Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Elza Soares, Jovelina Pérola Negra e Leci Brandão. A proposta é revisitar obras que atravessaram décadas e continuam presentes na memória afetiva de diferentes públicos.
O álbum terá duas músicas dedicadas a cada artista homenageada, formando um repertório que passeia por diferentes estilos, interpretações e momentos da história do samba. A seleção reúne composições conhecidas, sucessos populares e obras que ajudam a compreender a contribuição feminina para a consolidação do gênero no Brasil.
A primeira amostra do projeto será o single “Você passa eu acho graça”, previsto para quinta-feira, 15 de outubro. A música foi composta por Ataulfo Alves e Carlos Imperial e se tornou um marco na trajetória de Clara Nunes, que gravou a canção em 1968, antes de consolidar sua identificação artística com o samba nos anos seguintes.
Karinah celebra suas referências musicais
Paranaense de nascimento, Karinah desenvolve sua trajetória no universo do samba desde 2012, quando lançou o álbum “Você merece sambar”. Desde então, a cantora vem construindo sua identidade artística ligada a um dos gêneros mais representativos da cultura brasileira.
Com “As damas do samba”, ela direciona o olhar para mulheres que abriram caminhos, conquistaram reconhecimento e ajudaram a ampliar o espaço feminino em um ambiente historicamente marcado por grandes nomes masculinos.
A escolha das oito homenageadas evidencia a diversidade do samba. Cada uma construiu uma relação particular com o gênero, seja pela força interpretativa, pela composição, pela presença nos palcos ou pela capacidade de transformar canções em referências culturais.
A participação de Ana Costa na produção musical também integra a proposta do disco. O trabalho busca apresentar novas interpretações para músicas conhecidas sem perder de vista a importância histórica das gravações originais.
Regravar clássicos exige equilíbrio entre respeito à memória musical e liberdade interpretativa. Para um projeto dedicado a artistas tão reconhecidas, o desafio está em preservar a essência das composições e, ao mesmo tempo, permitir que as canções encontrem uma nova leitura na voz de Karinah.
Dona Ivone Lara e a força das mulheres no samba
Entre as homenageadas está Dona Ivone Lara, referência fundamental para a história do samba e uma das mulheres mais importantes na trajetória das escolas de samba brasileiras.
Seu repertório no álbum será representado por “Mas quem disse que eu te esqueço”, parceria com Hermínio Bello de Carvalho, lançada em 1981, e “Alguém me avisou”, composição da própria artista, de 1980.
Dona Ivone Lara construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade das letras e pela contribuição à valorização das mulheres na composição e na vida das escolas de samba. Sua presença no projeto reforça a importância de reconhecer as artistas que ajudaram a transformar o gênero em uma expressão musical de alcance nacional.
Outra voz de grande relevância é Elza Soares, conhecida por sua interpretação intensa e por uma carreira que atravessou diferentes fases da música brasileira. Karinah revisitará “Se acaso você chegasse”, composição de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, de 1938, e “Pressentimento”, de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, lançada em 1968.
O repertório também inclui Jovelina Pérola Negra, conhecida pela voz marcante e pela ligação com o samba de raiz. As músicas escolhidas para homenageá-la são “No mesmo manto”, de Beto Corrêa e Lúcio Curvello, de 1991, e “Luz do repente”, composição de Arlindo Cruz, Franco e Marquinho PQD, de 1987.
Clara Nunes e Clementina de Jesus ganham novas interpretações
Clara Nunes ocupa um lugar de destaque na história da música brasileira por sua contribuição à popularização do samba e por suas interpretações ligadas às tradições culturais do país.
No álbum, Karinah apresenta “Você passa eu acho graça”, primeiro single do projeto, e “Guerreira”, composição de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, lançada em 1978.
A escolha de “Você passa eu acho graça” para anunciar o disco aproxima o lançamento de uma canção que ajudou a marcar a trajetória de Clara Nunes. A gravação original, de 1968, antecedeu a fase em que a cantora passou a se dedicar de maneira mais intensa ao samba.
Outra homenageada é Clementina de Jesus, cuja voz se tornou símbolo de uma importante vertente da música popular brasileira, com forte ligação às tradições afro-brasileiras e às manifestações musicais de origem popular.
Para representá-la, Karinah selecionou “Embala eu”, de Albaléria, e “Marinheiro só”, tema de domínio público em adaptação de Caetano Veloso, de 1969. O repertório inclui ainda “Na linha do mar”, composição de Paulinho da Viola.
A história dessa última canção tem uma particularidade: embora tenha ficado conhecida também na voz de Clara Nunes, a música foi lançada por Clementina de Jesus em 1973. A gravação de Clara, de 1979, ampliou sua circulação entre diferentes públicos. Ao associar a obra ao repertório de Clementina, o álbum recupera essa ligação histórica.
Alcione e Beth Carvalho representam diferentes gerações
A lista de homenagens também inclui Alcione, uma das vozes mais reconhecidas do samba brasileiro. Karinah regrava “Figa de guiné”, de Chico da Silva e Antônio José, de 1972, e “Sufoco”, dos mesmos compositores, lançada em 1978.
Conhecida por sua interpretação potente e por sua presença de palco, Alcione consolidou uma carreira que ultrapassou fronteiras regionais e ajudou a aproximar diferentes públicos do samba.
Beth Carvalho, por sua vez, tem papel fundamental na valorização de compositores e na divulgação de novas gerações de sambistas. No projeto, Karinah interpreta “Água de chuva no mar”, de Carlos Caetano, Wanderley Monteiro e Gerson Gomes, de 1999, e “Dor de amor”, composição de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Acyr Marques, de 1986.
A escolha dessas faixas permite percorrer diferentes momentos do repertório associado à cantora e recordar sua contribuição para a renovação e a continuidade do samba.
Leci Brandão completa a homenagem
A oitava artista contemplada é Leci Brandão, cantora e compositora cuja trajetória também se destaca pela contribuição à música brasileira e pela presença em diferentes espaços da cultura popular.
Karinah revisitará “Fogueira de uma paixão”, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Luiz Carlos da Vila, de 1987, e “Isso é fundo de quintal”, composição de Leci Brandão e Zé Maurício, lançada em 1985.
Com essas escolhas, o álbum reúne estilos interpretativos e repertórios que ajudam a mostrar a diversidade do samba. As oito homenageadas representam caminhos diferentes, mas compartilham a importância de terem contribuído para manter o gênero vivo e em constante transformação.
Um álbum que conecta gerações
Com 16 faixas, “As damas do samba” se apresenta como um projeto de memória e valorização cultural. Ao revisitar obras de artistas que marcaram diferentes épocas, Karinah aproxima novas gerações de canções que permanecem relevantes na história da música brasileira.
O lançamento do single “Você passa eu acho graça”, em 15 de outubro, abre caminho para a chegada do álbum completo, marcada para 19 de novembro de 2026.
Mais do que reunir regravações, o trabalho propõe reconhecer a contribuição de mulheres que conquistaram espaço, construíram repertórios duradouros e ajudaram a ampliar os caminhos do samba.
Com produção de Ana Costa e um repertório que vai de Dona Ivone Lara a Jovelina Pérola Negra, Karinah aposta na força dessas histórias para apresentar uma homenagem que atravessa gerações e reafirma o lugar das mulheres na construção de um dos gêneros mais emblemáticos da cultura brasileira.
















