A disputa pela vaga na final da Copa Libertadores ganhou um novo capítulo após o Flamengo contestar a escalação do zagueiro Marcos Rojo pelo Estudiantes, da Argentina. Em meio à polêmica jurídica que envolve a inscrição do defensor, Juan Sebastián Verón, presidente do clube argentino e um dos maiores ídolos de sua história, afirmou que não acredita na possibilidade de a equipe perder o direito de disputar a decisão do torneio continental.
A manifestação do dirigente ocorre depois que o Flamengo acionou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para questionar a participação de Rojo na semifinal. O zagueiro entrou em campo após receber autorização do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), também conhecido pela sigla em inglês CAS, para ser inscrito na competição.
O caso envolve regras de registro de jogadores, prazos de transferência e os procedimentos previstos para a substituição de atletas lesionados. Enquanto o Flamengo sustenta que houve irregularidade na escalação, o Estudiantes afirma que buscou orientação jurídica e obteve uma decisão favorável do tribunal esportivo.
Verón afirma que o Estudiantes agiu com respaldo jurídico
Em entrevista à Rádio La Red, da Argentina, Verón explicou que a diretoria procurou assessoria especializada antes de avançar com o pedido de inscrição de Marcos Rojo. Segundo ele, o clube queria evitar qualquer problema regulamentar e somente tomou a iniciativa depois de receber orientações sobre a validade do procedimento.
O dirigente mencionou o advogado Ariel Reck, que teria auxiliado o Estudiantes na análise do caso. De acordo com Verón, a decisão de solicitar a autorização foi tomada após o clube compreender que havia fundamento para a inscrição do jogador.
“Em um primeiro momento, com o tema de Marcos Rojo, nos assessoramos com Ariel Reck para saber onde estávamos parados e também sabendo primeiro que não queríamos ter nenhum problema. Se ele tivesse nos dito que isso não era válido, não teríamos feito nada”, afirmou o presidente.
Verón acrescentou que o clube apresentou a solicitação depois de receber as orientações jurídicas e que o CAS decidiu favoravelmente à participação do zagueiro.
Para o dirigente, essa autorização representa um elemento importante na defesa do Estudiantes diante da contestação apresentada pelo Flamengo.
“Estamos à espera da resolução definitiva do CAS, não sabemos quando será realizado, se antes ou depois da final. O importante é que ele foi habilitado pelo CAS. E sobre o que se defina para frente, nós não corremos riscos de não jogar a final”, declarou.
A fala demonstra a confiança da diretoria argentina, embora a discussão jurídica ainda dependa dos desdobramentos formais do processo.
Entenda por que Marcos Rojo virou o centro da polêmica
A controvérsia começou por causa do registro de Marcos Rojo, contratado pelo Estudiantes depois do encerramento do prazo regular para inscrições de novos jogadores na Argentina.
O período para registrar atletas terminou em 2 de setembro. Entretanto, Rojo ainda disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro, circunstância que passou a integrar o debate sobre sua situação regulamentar.
O Estudiantes buscava uma alternativa para substituir Gabriel Neves, ex-jogador do São Paulo, que sofreu uma lesão. A intenção era inscrever Rojo para ocupar a vaga aberta pelo problema físico do atleta.
Inicialmente, a Conmebol não aceitou a inscrição do defensor para o confronto de ida da semifinal contra o Flamengo. A entidade entendeu que o registro não atendia às exigências estabelecidas para a substituição de um jogador lesionado.
Diante desse cenário, o clube argentino recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte. A autorização concedida pelo CAS permitiu que Rojo fosse inscrito para a partida de volta da semifinal.
Com a liberação, o zagueiro começou como titular no confronto disputado no Maracanã. O Estudiantes conseguiu avançar à decisão da Libertadores, na qual enfrentará o Palmeiras.
A participação do defensor, contudo, não encerrou a discussão. O Flamengo decidiu questionar formalmente a escalação e levou o caso à Conmebol, alegando que a autorização necessária não havia sido concedida pela entidade organizadora nos termos exigidos.
Flamengo pede punição e utiliza artigo do código disciplinar
A argumentação do Flamengo tem como referência o artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol. A regra prevê punição para equipes que utilizem jogadores de maneira irregular, incluindo a possibilidade de considerar a equipe responsável derrotada por 3 a 0.
Com base nesse entendimento, o clube brasileiro pede que o Estudiantes seja eliminado por escalação indevida e que a vaga na final seja concedida ao Rubro-Negro.
A iniciativa transforma a controvérsia sobre a inscrição de um jogador em uma disputa que pode afetar diretamente a definição de um dos finalistas da principal competição de clubes da América do Sul.
O Flamengo entende que a autorização concedida pelo tribunal esportivo não elimina a necessidade de cumprimento das normas da Conmebol. O Estudiantes, por sua vez, sustenta que obteve respaldo do órgão competente para registrar Rojo e utilizá-lo na partida.
A questão central, portanto, é determinar como as regras de inscrição e substituição de jogadores lesionados se aplicam ao caso e quais efeitos jurídicos devem ser atribuídos à decisão do CAS.
A análise também exige considerar o alcance da autorização concedida ao atleta e a compatibilidade do procedimento com os regulamentos da competição. A definição depende das instâncias responsáveis e dos documentos que integram o processo.
Até que haja uma decisão oficial conclusiva, não é possível afirmar que o Estudiantes será punido ou que o Flamengo receberá a vaga na final.
Clube brasileiro fala em solução criteriosa
Em nota oficial, o Flamengo demonstrou confiança em uma solução que classificou como responsável e criteriosa. A posição indica que a diretoria pretende manter a contestação e aguardar uma resposta das autoridades esportivas.
A estratégia do clube carioca busca garantir que as regras da competição sejam aplicadas de maneira uniforme. Para o Flamengo, a discussão não se limita ao desempenho dentro de campo, mas envolve também a observância dos critérios regulamentares que determinam quais atletas podem atuar.
Por outro lado, o Estudiantes argumenta que não agiu de maneira deliberadamente irregular. A versão apresentada por Verón é a de que a instituição procurou orientação jurídica, avaliou as condições para realizar a inscrição e seguiu o caminho considerado adequado antes de colocar Rojo em campo.
As duas posições refletem interpretações diferentes sobre o procedimento adotado. A decisão final caberá às instâncias esportivas competentes, conforme as regras aplicáveis e os elementos apresentados pelos clubes.
Final contra o Palmeiras segue no centro das atenções
Enquanto o caso avança fora das quatro linhas, o Estudiantes mantém o foco na preparação para enfrentar o Palmeiras na final da Libertadores. A equipe argentina conquistou a classificação após a semifinal contra o Flamengo, mas agora acompanha os desdobramentos da contestação apresentada pelo adversário brasileiro.
A incerteza jurídica acrescenta tensão a uma decisão que já mobiliza torcedores e dirigentes dos dois países. Uma eventual mudança na definição do finalista teria repercussões esportivas e institucionais relevantes, razão pela qual o processo desperta grande interesse.
Verón, no entanto, procurou transmitir tranquilidade. Ao afirmar que o clube não corre risco de ficar fora da decisão, o presidente reforçou a confiança no procedimento adotado e na autorização recebida pelo defensor.
Sua declaração não substitui uma decisão oficial definitiva, mas deixa clara a posição do Estudiantes diante da disputa.
Até o momento, a principal diferença entre os argumentos está no entendimento sobre a validade da inscrição de Rojo e os efeitos da autorização concedida pelo tribunal esportivo. O Flamengo quer a aplicação de uma punição que pode alterar a classificação, enquanto o Estudiantes defende a legitimidade de sua participação.
O desfecho dependerá da avaliação das autoridades responsáveis pelo caso. Até lá, a final entre Estudiantes e Palmeiras permanece no centro da expectativa dos torcedores, enquanto a discussão sobre a escalação de Marcos Rojo acrescenta um capítulo jurídico a uma das disputas mais importantes do futebol sul-americano.
JRTNews — Informação com responsabilidade, clareza e compromisso com o leitor.
















