Primeiro tempo foi ruim, mas time reagiu rápido depois de sofrer o gol na segunda etapa e reconquistou a confiança
A derrota para o Bragantino fez o Flamengo encontrar um Maracanã desconfiado na volta para casa. O time deixou o campo para o intervalo sob sonoras vaias, e o cenário se encaminhava para ser desconfortável. A reação veio quando os jogadores se aproveitaram do cansaço do Santos. Resolveram o confronto em seis minutos e saíram com o 3 a 1 antes da estreia na Libertadores.
O Flamengo teve como estratégia justamente desgastar o adversário, mas correu riscos além do necessário na primeira etapa. Os aplausos no final comprovam que, ainda que a equipe receba apoio nos 90 minutos, a confiança da torcida só vai voltar com vitórias – de preferência convincentes.
Regido por Jorginho e Varela, principalmente, o Fla deu algumas mensagens ao próprio treinador com as mudanças no segundo tempo. A reação rápida e a virada de chave após o gol contam – e muito -, mas a postura mais urgente e ofensiva para manter o ritmo só foi possível depois das alterações. A escalação, que também servia de teste para a Libertadores na quarta-feira, pode ajudar o português a encontrar uma base mais fixa.
— O que eu disse aos jogadores é que, com o nosso elenco, com as funções que temos, temos que colocar logo no início uma intensidade dessa forma no jogo e provocar desgaste ao adversário. Muitas vezes não vamos fazer o gol, muitas vezes vamos fazer, porque tivemos duas situações na cara do gol que acabamos por não fazer. Mas provocamos um desgaste no adversário. Na segunda parte, voltamos para o jogo com a mesa intensidade. Mesmo falhando, mesmo com um gol anulado, mesmo com o jogo interrompido por cinco minutos, fomos capazes ainda de fazer três gols e ganhar – disse Jardim em entrevista coletiva.
Escolhas erradas e ritmo ruim
Depois do susto geral com a atuação péssima diante do Bragantino, o Flamengo tinha a missão de dar uma resposta positiva ao torcedor. O primeiro tempo, porém, passou longe disso. Mesmo com a posse, o time viu o Santos marcar bem, se fechar completamente e assustar mais, ainda que seja um time cheio de limitações e desfalques.
Apostando muito nas saídas pelo lado direito, o Fla comemora o retorno de Varela. O lateral-direito, mesmo bem marcado, fez uma partida primorosa, salvando a equipe duas vezes em chances claras. Carrascal errou muito, mas nada comparado ao lado esquerdo. Ayrton Lucas e Samuel Lino, assim como na rodada passada, foram mal e o atacante terminou a etapa inicial sendo vaiado sempre que tocava na bola.
Algo que Jardim ainda precisa organizar melhor é o papel dos pontas na equipe. Como Pedro assumiu quase uma nova função, voltando mais para receber a bola, e Arrascaeta cai bastante pelos lados, os atletas mais agudos muitas vezes ficam deslocados e longe das características ideais. Por isso, parecem não saber a forma de agir. Especialmente considerando que o português gosta que sejam os laterais a darem a profundidade à equipe. Esses jogadores de lado são os que mais estão devendo no momento.
O Santos entendeu que precisava pressionar os jogadores mais inseguros de alguma forma. Foram em Evertton Araújo e Lino as principais apostas para as roubadas de bola. O camisa 16, porém, foi responsável pela melhor chance do Flamengo depois de um passe enfiado para Carrascal. O colombiano tomou uma decisão errada ao escolher chutar e não acionar Arrascaeta, que chegava livre. Faltava intensidade ao Fla para ser de fato efetivo e quebrar as linhas.
Virada e urgência
O estádio foi ficando impaciente com a atuação e os erros constantes, mas a resposta estava vindo. Não sem antes um susto. A bola perdida no ataque fez o Santos sair em contra-ataque rápido e Lautaro Díaz deixou Léo Ortiz na saudade na marcação. Ali, o temor por mais um tropeço ficou no ar, mas não durou.
A resposta rápida com Ortiz em gol anulado foi importante para os ânimos. O Flamengo, é verdade, ficou pilhado inicialmente por não concordar com a marcação e quase sofreram um gol no lance seguinte, mas Leonardo Jardim entrou em ação para motivar o elenco e dar a certeza de que logo fariam outro. O lado mental é um fator que o treinador tem batido desde que chegou ao clube, seja por expulsões ou por reações com situações de jogo. Os jogadores ouviram e continuaram indo para cima. As entradas de Paquetá e Bruno Henrique ajudaram.
— O torcedor quer que o time sempre ganhe, independentemente das dificuldades que a gente tiver. Tínhamos jogadores que atuaram 180 minutos pela seleção, mais viagem, sem folga, buscando sempre o nosso melhor. O time sofreu contra o Bragantino. Hoje as dificuldades também eram muitas, mas a gente tentou em todo momento não perder a cabeça. Acredito que esse é o nosso diferencial, temos jogadores com muita maturidade de ter a cabeça fria. No segundo tempo, os gols chegaram de forma natural. O torcedor está no seu direito – afirmou Arrascaeta.
O Flamengo se recompôs depois do gol dos visitantes e virou a chave. Virou a partida em seis minutos e praticamente não correu mais riscos. Com a torcida novamente confiante, o time só fechou o placar para voltar ao caminho das vitórias.
— A confiança vamos passar para o torcedor através das vitórias. Mas eu fico rindo às vezes porque muitas coisas se fala para fora que às vezes nem acontece no CT. Ou, às vezes, só falam algumas coisas que querem que saia. A gente é muito tranquilo em relação a isso, sabemos da qualidade dos jogadores e do treinador que a gente tem. É só trabalhar e trazer as vitórias – completou o camisa 10.
G1
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