De acordo com o governo federal, a suspensão é temporária para a investigação dos casos.
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva após o registro de casos graves de reações adversas e duas mortes suspeitas que estão sendo investigadas pelas autoridades de saúde.
Segundo o governo federal, aproximadamente 500 mil doses da vacina foram aplicadas até o dia 30 de maio. Nesse universo, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Entre esses casos, 42 apresentaram sintomas compatíveis com dengue grave, sendo classificados como eventos severos.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que, até o momento, não há evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os casos mais graves registrados.
“Nós tivemos três casos graves, desses dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual e ouvindo especialistas, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência”, declarou o ministro.
Entre os casos investigados está o de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas graves da doença 19 dias após a vacinação, evoluindo para complicações neurológicas. Outro caso envolve um homem de 58 anos que apresentou febre poucos dias após receber a dose e evoluiu rapidamente para um quadro grave. Ambos morreram e seguem sendo alvo de investigação epidemiológica.
A vacina Butantan-DV é considerada um marco para a ciência brasileira. Trata-se da primeira vacina contra a dengue desenvolvida integralmente no Brasil e a primeira do mundo aplicada em dose única. Neste ano, a imunização foi direcionada inicialmente aos profissionais de saúde, que receberam mais de 417 mil doses. Outras 83,6 mil foram aplicadas em municípios selecionados nos estados de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins.
De acordo com o Ministério da Saúde, não houve registros de eventos adversos graves nos municípios onde ocorreu vacinação em massa da população.
O que muda para quem já tomou a vacina?
A orientação das autoridades é que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao surgimento de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
O governo federal informou que estados e municípios serão mobilizados para realizar uma busca ativa de possíveis casos relacionados à vacinação e reforçar o monitoramento dos imunizados.
Suspensão é preventiva
O Ministério da Saúde destacou que a suspensão não significa que a vacina tenha sido considerada insegura ou ineficaz. A decisão foi recomendada pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância para permitir uma investigação mais aprofundada dos casos registrados.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, ressaltou que a medida busca ampliar o conhecimento sobre o comportamento da vacina em diferentes cenários.
“Essa decisão não invalida a eficácia da vacina. O objetivo é ganhar tempo para realizar estudos adicionais e identificar possíveis fatores de risco. Quem já foi vacinado continua protegido contra os quatro sorotipos da dengue”, explicou.
Butantan reforça confiança na vacina
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá as orientações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suspendendo temporariamente a aplicação do imunizante enquanto os dados são reavaliados.
A instituição destacou que os estudos clínicos demonstraram eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra casos graves da doença. Além disso, reafirmou o compromisso com a segurança da população e com a transparência durante todo o processo de investigação.
Vacina Qdenga continua disponível
A suspensão não afeta a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda e atualmente disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
As investigações sobre os casos graves e os óbitos serão conduzidas em conjunto pelo Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan. Até a conclusão das análises, a vacinação com a Butantan-DV permanecerá interrompida em todo o país.












