Operação da Polícia Federal apura suspeitas de corrupção, repasses financeiros e favorecimento político; parlamentar nega irregularidades

A Polícia Federal (PF) apontou uma série de supostas vantagens indevidas que teriam sido recebidas pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master.

As suspeitas embasaram a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nona fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (19). Entre os elementos investigados estão a aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador, ingressos para shows da cantora Taylor Swift, repasses financeiros milionários e viagens em aeronaves particulares.

Segundo a Polícia Federal, as investigações buscam esclarecer se houve contrapartidas políticas em favor de interesses ligados ao grupo financeiro investigado. A apuração também analisa a relação entre o senador e o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como aliado estratégico do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Apartamento de luxo em Salvador

De acordo com os investigadores, a compra de um apartamento de alto padrão na capital baiana teria sido realizada por uma empresa ligada a fundos associados ao Banco Master. A PF afirma que mensagens e documentos indicam participação de pessoas próximas ao empresário Augusto Lima nas tratativas relacionadas ao imóvel.

O empreendimento, destinado ao público de alta renda, ainda está em construção e tem previsão de entrega para setembro de 2026.

Ingressos para show de Taylor Swift

Outro ponto destacado pela investigação envolve a aquisição de ingressos para apresentações da cantora norte-americana Taylor Swift durante a turnê “The Eras Tour”. Segundo a PF, os bilhetes teriam sido comprados por orientação de Augusto Lima e destinados a familiares do senador.

Os investigadores apontam que os ingressos adquiridos para o show realizado em São Paulo, em novembro de 2023, totalizaram mais de R$ 63 mil.

Dinheiro apreendido

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 49 mil em espécie, equivalente a aproximadamente R$ 250 mil, em um endereço ligado ao senador em Brasília.

Jaques Wagner afirmou que os valores têm origem legal e são provenientes de diárias recebidas ao longo dos anos por viagens internacionais realizadas no exercício do mandato parlamentar.

Em entrevista à imprensa, o senador declarou que sempre adquiriu moeda estrangeira por meio de instituições financeiras autorizadas e afirmou não possuir qualquer irregularidade a esconder.

Supostos repasses milionários

A investigação também aponta uma movimentação financeira de R$ 3,5 milhões entre empresas ligadas ao grupo de Augusto Lima e uma empresa vinculada ao núcleo familiar do senador.

Segundo a PF, os recursos teriam sido transferidos por meio de uma empresa considerada pelos investigadores como uma possível intermediária nas operações financeiras sob apuração.

Mensagens encontradas durante a investigação indicariam conversas sobre dificuldades financeiras e cobranças relacionadas a pagamentos, elementos que agora fazem parte da análise dos investigadores.

Viagem em aeronave particular

Outro episódio investigado envolve uma viagem realizada para a chamada Ilha da Paixão, localizada na Região Metropolitana de Salvador. Conforme os autos, mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que uma aeronave particular teria sido disponibilizada por Augusto Lima para transportar o senador e familiares.

A PF avalia se o deslocamento pode configurar vantagem indevida dentro do contexto investigado.

Possível atuação política em favor do grupo financeiro

A Operação Compliance Zero também investiga se o senador teria atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional.

Entre os temas citados estão propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado, alterações envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e discussões sobre operações financeiras envolvendo instituições bancárias.

Os investigadores analisam se houve influência política em benefício de interesses privados ligados ao grupo financeiro.

Defesa nega irregularidades

Jaques Wagner negou qualquer envolvimento com irregularidades e afirmou não possuir relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O parlamentar também declarou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestando solidariedade após a operação da Polícia Federal.

Todos os investigados citados no caso negam participação em crimes e afirmam que irão apresentar esclarecimentos às autoridades competentes.

Operação continua

A Operação Compliance Zero teve início em 2025 e investiga um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de patrimônio envolvendo o Banco Master.

Ao longo das diversas fases da investigação, a Polícia Federal ampliou o foco das apurações, alcançando empresários, agentes públicos e figuras políticas. O prejuízo potencial estimado pelos investigadores ultrapassa a casa dos bilhões de reais.

O caso segue sob análise da Justiça, e os envolvidos permanecem amparados pelo princípio constitucional da presunção de inocência até eventual condenação definitiva.