A arrecadação do Governo Federal com impostos, contribuições e demais receitas alcançou R$ 264,4 bilhões em junho de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Receita Federal. O resultado representa um crescimento real de 7,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação foi de R$ 245,5 bilhões, já descontada a inflação.

Além do avanço na comparação anual, o montante registrado é o maior já arrecadado para um mês de junho desde o início da série histórica, iniciada em 1995, consolidando um novo recorde em 32 anos.

Economia aquecida e mudanças tributárias impulsionaram resultado

De acordo com a Receita Federal, o desempenho foi influenciado por diversos fatores, entre eles o crescimento da atividade econômica, a arrecadação sobre o setor de petróleo e as mudanças tributárias implementadas nos últimos anos.

Entre as medidas que contribuíram para o aumento da arrecadação estão:

  • Tributação de fundos exclusivos e investimentos mantidos no exterior (offshores);
  • Alterações na tributação de incentivos fiscais concedidos pelos estados;
  • Reoneração dos combustíveis;
  • Reoneração gradual da folha de pagamento;
  • Encerramento de benefícios do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse);
  • Início da tributação das apostas esportivas (bets);
  • Aumento do IOF sobre operações de crédito e câmbio;
  • Elevação da tributação sobre os Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Segundo o órgão, também contribuíram para o resultado o aumento da arrecadação da contribuição previdenciária, do PIS/Cofins, do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), além do crescimento das receitas com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Petróleo teve papel importante no crescimento

Outro fator relevante foi o aumento das receitas provenientes da cadeia do petróleo.

A valorização internacional do barril, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, elevou tanto a arrecadação de royalties quanto a tributação sobre exportações de óleo bruto.

Somente em junho, o Imposto de Exportação sobre petróleo arrecadou R$ 3,8 bilhões, enquanto as chamadas receitas não administradas — que incluem royalties, concessões e compensações financeiras pela exploração de recursos naturais — cresceram cerca de R$ 1,2 bilhão.

Primeiro semestre também registra recorde

No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a arrecadação federal chegou a aproximadamente R$ 1,6 trilhão, em valores corrigidos pela inflação.

O resultado representa um crescimento real de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025 e também estabelece um novo recorde histórico para o primeiro semestre.

Arrecadação será fundamental para meta fiscal

O aumento das receitas é considerado uma peça importante na estratégia do governo federal para cumprir a meta fiscal prevista para 2026.

A meta oficial estabelece um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, embora a legislação permita uma margem de tolerância.

Na prática, mesmo com a expectativa de um resultado positivo para efeito da regra fiscal, as projeções indicam que o governo poderá encerrar o ano com um déficit nas contas públicas após os ajustes permitidos pela legislação.

Especialistas destacam que a evolução da arrecadação continuará sendo um dos principais indicadores para acompanhar a capacidade do governo de financiar despesas públicas, cumprir metas fiscais e manter o equilíbrio das contas nacionais ao longo dos próximos meses.