A proposta da FIFA de abrir espaço para investidores privados em suas principais competições enfrenta uma crescente onda de resistência no futebol mundial. Nesta sexta-feira (31), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) passou a integrar o grupo de entidades contrárias ao projeto, juntando-se à UEFA e à CONCACAF, aumentando a pressão sobre a gestão do presidente Gianni Infantino.
Com a adesão da AFC ao movimento, três das seis confederações continentais já manifestaram oposição ao plano, reunindo 143 das 211 associações filiadas à FIFA. O número é suficiente para impedir a aprovação da proposta, que necessitaria do apoio de pelo menos 106 federações nacionais.
AFC critica falta de diálogo e pede mudanças na governança
Em nota oficial, a AFC afirmou que a FIFA não conseguiu construir o consenso necessário para levar adiante uma proposta de tamanha relevância para o futebol internacional.
Segundo a entidade, a Copa do Mundo representa o maior patrimônio esportivo da modalidade e não pode ter sua essência comprometida por interesses comerciais.
“A Copa do Mundo da FIFA é o ápice do futebol mundial, e sua força deriva da participação de todas as confederações e das principais nações do futebol. Qualquer proposta que ameace minar a unidade e o caráter universal da competição deve ser reconsiderada”, destacou a AFC.
A confederação asiática também afirmou que a controvérsia revelou falhas nos processos internos da FIFA e pediu uma revisão urgente da estrutura de governança e da forma como decisões estratégicas vêm sendo tomadas.
CONCACAF também rejeita proposta
A CONCACAF, responsável pelo futebol da América do Norte, Central e Caribe, divulgou comunicado após uma reunião de emergência realizada com suas associações filiadas.
A entidade criticou a falta de transparência e o curto prazo concedido pela FIFA para análise da proposta, além de questionar a necessidade de recorrer ao capital privado justamente após a realização da Copa do Mundo mais lucrativa da história.
UEFA ameaça boicotar competições da FIFA
A reação mais contundente partiu da UEFA, que anunciou que suas 55 federações nacionais concordaram, de forma unânime, em boicotar competições organizadas pela FIFA caso o projeto seja mantido.
Na prática, isso poderia significar a ausência de algumas das maiores seleções do planeta, como Brasil? Não — a seleção brasileira pertence à CONMEBOL. As ausências seriam de gigantes europeus como Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal e Holanda, entre outras, comprometendo seriamente o prestígio da Copa do Mundo de 2030 e de outras competições organizadas pela entidade.
Em nota, a UEFA foi enfática:
“A Copa do Mundo não está à venda.”
A entidade ainda afirmou que nenhuma seleção europeia participará de competições da FIFA enquanto a proposta permanecer em vigor, salvo se ela for completamente retirada e houver garantias de que iniciativas semelhantes não voltarão a ser apresentadas.
Entenda a proposta da FIFA
O projeto apresentado pelo presidente Gianni Infantino prevê a criação de uma empresa avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 85 bilhões) para administrar as principais competições da FIFA.
Desse total, 20% da empresa seriam destinados a investidores privados, que passariam a receber parte das receitas provenientes de direitos comerciais, publicidade e exploração econômica dos torneios, incluindo a Copa do Mundo.
Como incentivo, cada uma das 211 associações filiadas receberia inicialmente US$ 20 milhões, caso aderisse ao plano. A FIFA estabeleceu prazo até 19 de setembro para que as federações apresentem suas respostas.
Outras entidades acompanham o debate
Enquanto África (CAF) e Oceania (OFC) ainda discutirão oficialmente a proposta nas próximas semanas, a CONMEBOL, responsável pelo futebol sul-americano, ainda não divulgou posicionamento público.
Além das confederações, organizações como a FIFPRO, representante dos jogadores profissionais, e a Associação Europeia de Clubes (ECA) também criticaram a falta de consultas e demonstraram preocupação com os impactos que a medida pode provocar na governança do futebol, no calendário internacional e na própria essência da Copa do Mundo.
Futuro da proposta é incerto
Com a resistência crescente das principais confederações do planeta, o plano de abertura da FIFA ao capital privado enfrenta seu maior obstáculo desde que foi apresentado. A mobilização de Europa, Ásia e CONCACAF coloca em xeque a viabilidade do projeto e amplia o debate sobre os limites entre a expansão comercial do futebol e a preservação do maior torneio esportivo do mundo.











