O partido Missão oficializou neste sábado (1º), em São Paulo, a candidatura de Renan Santos à Presidência da República nas eleições de 2026. Durante o primeiro congresso nacional da legenda, o presidenciável fez um discurso marcado por críticas aos principais adversários políticos e por declarações contundentes sobre segurança pública, incluindo a defesa de que o Estado deve “matar quem roubar”, afirmação que gerou forte repercussão.

Ao longo do pronunciamento, Renan Santos direcionou ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), utilizando termos ofensivos e afirmando que ambos “devem ir para a lata de lixo da história”. O candidato também classificou Flávio como “farsante, fraco e corrompido”, enquanto chamou Lula de “maldito”, adotando um tom de forte polarização política.

O Missão foi criado em 2025 por integrantes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) e já havia realizado uma convenção antecipada para oficializar a candidatura de Renan, após o presidenciável relatar ter recebido ameaças de facções criminosas no Ceará. O evento deste sábado teve caráter simbólico e serviu para apresentar o programa de governo da legenda.

Segurança pública é prioridade

Durante o encontro, a segurança pública foi apresentada como uma das principais bandeiras do partido. Além da declaração de Renan, apoiadores utilizaram camisetas com a frase “Prendeu, matou”, reforçando o discurso de endurecimento no combate ao crime organizado.

Entre as propostas apresentadas no programa de governo estão a criação de superpresídios para líderes de facções criminosas, o confisco de bens de integrantes de organizações como PCC e Comando Vermelho e a adoção do chamado “Direito Penal do Inimigo”, conceito jurídico que costuma gerar debates entre especialistas por envolver mudanças na forma de tratamento penal de determinados criminosos.

Programa de governo

O partido lançou também o chamado “Livro Amarelo”, documento com mais de 500 páginas que reúne propostas para diversas áreas da administração pública.

Na economia, o plano prevê um amplo ajuste fiscal, incluindo mudanças nas regras de benefícios previdenciários e assistenciais, além da revisão dos pisos constitucionais para saúde e educação. Segundo a legenda, as medidas teriam potencial para gerar economia de aproximadamente R$ 1,1 trilhão até 2031.

Outra proposta apresentada é a chamada “Grande Consolidação Municipal”, que prevê a fusão de municípios considerados financeiramente inviáveis, reduzindo significativamente o número de cidades brasileiras.

Mudanças em programas sociais

Durante o congresso, o deputado federal Kim Kataguiri também apresentou propostas voltadas à área social. Entre elas, a ideia de condicionar o recebimento do Bolsa Família à aceitação de vagas de emprego por beneficiários aptos ao trabalho.

Kataguiri ainda defendeu a criação da chamada “Lei de Responsabilidade Gerencial”, que tornaria prefeitos inelegíveis caso não cumprissem metas relacionadas a áreas como saúde, educação e saneamento básico.

Vice utiliza vassoura como símbolo

O candidato a vice-presidente, tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, utilizou uma vassoura durante seu discurso para simbolizar a intenção de “varrer” a corrupção e promover mudanças na administração pública.

Segundo ele, uma eventual gestão do partido buscaria combater irregularidades sem “empurrar problemas para debaixo do tapete”, utilizando a imagem da vassoura como metáfora para renovação política.

Evento reuniu apoiadores

O congresso ocorreu na zona leste de São Paulo e contou com a presença de militantes, lideranças da legenda e simpatizantes. O partido também comercializou ingressos em diferentes categorias para participação no evento, além de apresentar números de arrecadação obtidos por meio de financiamento coletivo.

As declarações feitas durante o lançamento da candidatura repercutiram nas redes sociais e entre representantes do meio político, especialmente devido ao tom adotado nos discursos sobre segurança pública e aos ataques direcionados a adversários.