O embaixador do Brasil em Assunção, José Marcondes, afirmou às autoridades paraguaias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve a intenção de faltar com respeito ao povo do Paraguai ao comentar a Guerra da Tríplice Aliança. Segundo integrantes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), a declaração do presidente foi retirada de contexto e teve seu conteúdo ampliado durante a repercussão.

A reunião ocorreu nesta sexta-feira (31), após o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, convocar o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos sobre as declarações feitas por Lula durante um evento no estado de São Paulo. O encontro também contou com a presença do vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana.

Na última sexta-feira (24), Lula declarou:

“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos.”

Durante a reunião, o governo paraguaio entregou uma nota oficial manifestando repúdio às declarações do presidente brasileiro, ressaltando que Brasil e Paraguai mantêm uma relação histórica de amizade e cooperação.

De acordo com fontes do Itamaraty, José Marcondes explicou o contexto da fala presidencial e destacou que a declaração foi interpretada de forma isolada.

“O embaixador explicou o contexto no qual a declaração foi feita. Esclareceu que se tratava de uma menção retirada de contexto e magnificada”, afirmou um integrante do Ministério das Relações Exteriores.

Ainda segundo o diplomata, Lula sempre priorizou o fortalecimento das relações bilaterais entre os dois países e jamais teve a intenção de desrespeitar o povo paraguaio.

“O embaixador ressaltou os históricos laços de amizade e cooperação entre Brasil e Paraguai, além das diversas iniciativas conduzidas pelo presidente Lula em favor da parceria entre os dois países. Também enfatizou que nunca foi intenção do presidente faltar com respeito ao povo paraguaio”, informou a fonte.

Governo do Paraguai manifesta repúdio

Em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira, o governo do Paraguai reafirmou que Brasil e Paraguai são nações “irmãs”, mas classificou as declarações de Lula como uma interpretação distorcida de um episódio histórico de grande importância para o país.

Durante o encontro, o vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Ramírez Lezcano também sugeriram medidas para fortalecer a reconciliação histórica entre os dois países, entre elas a devolução de canhões paraguaios relacionados ao período da Guerra da Tríplice Aliança.

Na nota entregue ao embaixador brasileiro, o governo paraguaio afirmou expressar “desagrado e absoluto repúdio” às declarações do presidente brasileiro.

“O governo sustenta que as manifestações representam de maneira distorcida fatos históricos de singular relevância para o povo paraguaio e enfatiza que acontecimentos que marcaram profundamente a história de ambas as nações devem ser tratados com responsabilidade, respeito recíproco e espírito de reconciliação”, diz trecho do comunicado.

Apesar do impasse diplomático, representantes dos dois governos destacaram a importância de preservar o diálogo e manter a histórica parceria entre Brasil e Paraguai.