A cantora e compositora Lucina apresenta ao público seu novo trabalho, “Bicho Pedra Gente”, um álbum construído com sensibilidade, simplicidade e uma busca pelo essencial. O disco chega às plataformas digitais neste sábado (8), reunindo 13 canções inéditas que exploram a relação entre natureza, poesia e o silêncio necessário em tempos acelerados.

Conhecida por sua trajetória na música brasileira desde os anos 1970, quando integrou a dupla Luli & Lucina, a artista mato-grossense aposta em uma sonoridade marcada pelo conceito de que “menos é mais”, criando espaços para que cada palavra e cada nota tenham seu próprio tempo.

A faixa “Nossas mãos conversam”, por exemplo, traduz essa proposta minimalista. Com apenas dois versos ao longo de seus dois minutos de duração — “Ainda que eu não saiba rezar / As nossas mãos conversam” —, a música apresenta uma estética próxima ao haikai, em parceria com o poeta paulistano André Arruda, conhecido artisticamente como arrudA.

Música, poesia e natureza em harmonia

Todas as 13 faixas do álbum têm letras assinadas por arrudA, enquanto Lucina dá forma musical aos versos, criando uma parceria baseada na sintonia entre palavra e melodia.

A capa do disco evidencia essa união artística, apresentando o trabalho como uma criação conjunta entre a cantora e o poeta.

A produção musical ficou sob responsabilidade de Patrícia Ferraz, em gravações realizadas no estúdio Hi Eight, em Niterói (RJ), no início do ano.

Instrumentos valorizam o silêncio e a emoção

A atmosfera do álbum é construída principalmente pela voz e pelo violão de Lucina, acompanhados por poucos instrumentos, criando uma sonoridade íntima e orgânica.

Entre os músicos convidados estão:

  • Walter Villaça, presente em faixas como “Nem era dia santo” e “Nossas mãos conversam”;
  • Christiaan Oyens, responsável por guitarra, baixo, bateria e arranjos em “A lua lembra”;
  • Lui Coimbra, que contribui com violoncelo e arranjos em “O que fazemos senão” e “Um dia fora do tempo”.

A escolha por arranjos mais econômicos reforça a intenção da artista de deixar espaço para a interpretação e para a emoção das canções.

Um álbum inspirado pela natureza

A ligação com elementos naturais aparece como uma das marcas centrais do projeto. Canções como “A sombra da lua no sol”, “Há riachos” e a faixa-título “Bicho Pedra Gente” revelam uma relação profunda com paisagens, ciclos da vida e reflexões sobre o tempo.

Em “Há riachos”, Lucina canta versos que refletem movimento e transformação:

“Há riachos imensos / Todo dia morrendo / Todo dia nascendo / Nas rachaduras do tempo”.

A faixa conta com arranjo e violões de Nando Duarte, reforçando a delicadeza presente em toda a obra.

Pequenos detalhes criam novas texturas

Apesar da predominância acústica, o álbum também apresenta momentos de contraste. Na canção “É onde”, a percussão eletrônica de Sandro Moreno adiciona uma nova camada sonora, quebrando a linearidade da proposta minimalista sem perder a identidade do trabalho.

Na faixa final, “Quantos universos”, a voz de arrudA aparece em um poema acompanhado pelo clarinete de Joana Queiroz, que também assina o arranjo da música.

Um respiro em meio à pressa

Com “Bicho Pedra Gente”, Lucina entrega um álbum que valoriza a pausa, a contemplação e a força das pequenas coisas. A parceria com arrudA cria um universo onde poesia e música caminham juntas, trazendo uma obra delicada e reflexiva.

Em um cenário marcado pela velocidade e pelo excesso de informações, o novo trabalho da artista surge como um convite ao silêncio, à escuta e ao reencontro com a simplicidade. Um verdadeiro respiro musical para tempos ansiosos.