O dólar iniciou a semana em alta e chegou à casa dos R$ 5,16 nesta segunda-feira (14), em um cenário marcado pela maior cautela dos investidores diante das incertezas econômicas e políticas. Por volta das 9h35, a moeda norte-americana avançava 0,76%, cotada a R$ 5,1638.

O movimento ocorre em uma manhã de atenção especial aos mercados internacionais e domésticos. Investidores aguardam as próximas decisões sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, acompanham os desdobramentos da crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e também monitoram os impactos da tensão no Oriente Médio sobre os preços do petróleo.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h e também deve refletir o ambiente de maior aversão ao risco.

A semana é considerada importante para os mercados porque reúne decisões de política monetária dos bancos centrais brasileiro e norte-americano, além de novos acontecimentos no cenário político brasileiro e internacional.

Mercado aguarda decisões sobre os juros

Um dos principais fatores que influenciam os negócios nesta segunda-feira é a expectativa pelas decisões do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

As decisões estão previstas para quarta-feira, em um dia conhecido no mercado financeiro como “Superquarta”. No Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.

Se a previsão se confirmar, os juros básicos da economia brasileira cairiam para 13,75% ao ano, atingindo o menor patamar desde janeiro do ano passado.

A expectativa de redução está relacionada principalmente ao comportamento recente da inflação. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,32% em agosto, no maior recuo mensal dos preços desde 2022.

O mercado também revisou suas projeções econômicas. O Boletim Focus desta semana indicou redução nas estimativas para a inflação e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

Esses fatores reforçam a possibilidade de continuidade do processo de redução dos juros, embora o Banco Central ainda precise avaliar os riscos relacionados à inflação e ao comportamento do cenário internacional.

Decisão do Fed também preocupa investidores

Nos Estados Unidos, a atenção está concentrada nas decisões do Federal Reserve. O mercado acompanha a possibilidade de uma nova alteração na política monetária norte-americana diante das preocupações com a inflação.

A trajetória dos juros nos Estados Unidos possui impacto direto sobre economias emergentes, incluindo o Brasil. Quando os juros americanos permanecem elevados, investimentos em ativos dos Estados Unidos podem se tornar mais atrativos, aumentando a pressão sobre moedas de outros países.

Esse movimento pode influenciar o fluxo de capital, o câmbio e as condições financeiras brasileiras.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sinalizado recentemente que a autoridade monetária poderia precisar adotar medidas mais duras caso a inflação permanecesse resistente.

A cautela demonstrada pelo banco central americano contribui para aumentar a atenção dos investidores, especialmente em um momento em que o mercado internacional também enfrenta incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio.

Petróleo dispara com tensão no Oriente Médio

Outro fator que ajuda a explicar a cautela nos mercados nesta segunda-feira é a alta do petróleo.

Novos ataques na região do Oriente Médio aumentaram as preocupações sobre a segurança das rotas de transporte e a oferta global de energia. Na Arábia Saudita, um oleoduto estratégico foi temporariamente fechado após um ataque com drones.

A estrutura é utilizada para permitir que o país transporte parte de sua produção sem depender exclusivamente do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio internacional de petróleo.

A interrupção temporária do oleoduto aumentou o receio de impactos sobre a oferta global.

Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, subia 3,67%, cotado a US$ 108,45. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançava 3,45%, negociado a US$ 103,50.

A valorização do petróleo pode trazer consequências para diferentes economias, especialmente por meio dos custos de combustíveis, transporte e energia. No Brasil, o movimento também é acompanhado de perto porque pode influenciar a inflação e as contas externas.

Cenário político brasileiro entra no radar

Além dos fatores econômicos, investidores também acompanham atentamente o cenário político brasileiro.

A crise envolvendo ministros do STF aumentou a percepção de risco em um momento próximo das eleições presidenciais. O mercado costuma reagir a episódios de instabilidade política porque eles podem alterar expectativas sobre políticas econômicas, investimentos e funcionamento das instituições.

A expectativa é de que uma sessão do STF nesta semana analise informações relacionadas a mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo relatório da Polícia Federal mencionado no material divulgado pelas autoridades, foram registradas 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro no período entre outubro e novembro de 2025.

As mensagens passaram a ser analisadas dentro de uma investigação mais ampla e provocaram repercussão política e institucional.

O ministro André Mendonça defendeu que o Supremo analisasse os novos elementos em sessão aberta. A reunião extraordinária foi convocada pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin.

O episódio é considerado incomum por envolver diretamente um ministro do STF e informações apresentadas em um relatório policial.

Eleições aumentam atenção sobre o cenário doméstico

A proximidade das eleições presidenciais também influencia o comportamento dos investidores.

Uma pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira apontou uma disputa acirrada em eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo os números apresentados, Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 44%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

A disputa eleitoral tende a ganhar importância nos mercados conforme se aproxima a votação, principalmente porque mudanças nas expectativas políticas podem influenciar decisões de investimento e projeções econômicas.

Nesse contexto, a combinação entre eleição acirrada, crise institucional, decisões de juros e tensão internacional cria um ambiente de maior cautela.

Bolsas internacionais também sentem pressão

O movimento de aversão ao risco não ficou restrito ao mercado brasileiro.

Na Europa, a maioria das principais bolsas operava em queda durante a manhã. O DAX, da Alemanha, recuava 0,57%, enquanto o CAC-40, da França, caía 0,82%. O FTSE 100, do Reino Unido, seguia na direção contrária e registrava alta de 0,53%.

Na Ásia, os mercados também apresentaram desempenho misto. As bolsas chinesas foram pressionadas principalmente pela queda das ações relacionadas aos setores de inteligência artificial e semicondutores.

O índice SSEC, de Xangai, fechou em baixa de 0,1%, enquanto o CSI300 recuou 0,7%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,45%.

No Japão, o Nikkei caiu 0,81%. Já o Kospi, principal índice da Coreia do Sul, teve queda mais expressiva, de 3,26%.

Semana decisiva para os mercados

A combinação de fatores econômicos e políticos deve manter os investidores atentos ao longo dos próximos dias.

No Brasil, a decisão do Banco Central sobre a Selic será um dos principais eventos da semana. Nos Estados Unidos, a postura do Federal Reserve poderá influenciar o comportamento do dólar e dos mercados emergentes.

Ao mesmo tempo, a evolução da crise no STF e a aproximação das eleições acrescentam um componente político ao ambiente econômico.

No exterior, os conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo representam riscos adicionais para a inflação e para o crescimento global.

Nesse cenário, a alta do dólar para R$ 5,16 nesta segunda-feira reflete mais do que uma oscilação isolada do câmbio. A moeda reage a um conjunto de fatores que envolvem juros, inflação, política, energia e expectativas internacionais.

Os próximos dias devem ser importantes para indicar se o movimento de cautela será passageiro ou se as incertezas continuarão pressionando os mercados brasileiros e internacionais.