O Nubank deu um passo importante em sua estratégia de expansão internacional e começou, nesta quinta-feira (10), a oferecer serviços financeiros nos Estados Unidos. A entrada no mercado americano acontece inicialmente por meio de parcerias com instituições financeiras locais e marca uma nova fase para o banco digital brasileiro, que pretende conquistar espaço entre consumidores de um dos mercados financeiros mais competitivos do mundo.

O anúncio foi realizado durante um evento em Miami pelo CEO e cofundador do Nubank, David Vélez, e pela cofundadora e CEO da operação americana da empresa, Cristina Junqueira.

Nesta primeira etapa, os clientes nos Estados Unidos terão acesso a uma conta com rendimento, cartões de crédito e débito, pagamentos de contas, transferências e serviços de remessas internacionais. A proposta é oferecer uma experiência digital semelhante à que ajudou a transformar o Nubank em uma das principais instituições financeiras digitais da América Latina.

A operação, porém, começa de maneira diferente daquela adotada pelo banco no Brasil. Enquanto a empresa trabalha para obter sua própria licença bancária nos Estados Unidos, os primeiros produtos serão disponibilizados por meio de instituições parceiras.

Como funciona a nova conta do Nubank

Um dos principais produtos apresentados é a Nu Account, conta digital desenvolvida para o mercado americano em parceria com o Lead Bank.

O saldo depositado na conta terá rendimento de 3,50% ao ano. Os recursos ficarão depositados no Lead Bank, instituição integrante da Federal Deposit Insurance Corporation, conhecida pela sigla FDIC.

A FDIC é a agência federal americana responsável por assegurar determinados depósitos bancários dentro dos limites estabelecidos pela legislação dos Estados Unidos. Dessa forma, embora o produto seja oferecido pela experiência digital do Nubank, a estrutura bancária da conta será realizada inicialmente por meio da instituição parceira.

A Nu Account também contará com cartão de débito e ferramentas para ajudar o usuário a organizar seu dinheiro.

Entre os recursos estão funcionalidades para separar valores destinados à poupança, pagamento de contas e realização de transferências.

Outro destaque é a possibilidade de fazer transferências internacionais. Inicialmente, as remessas poderão ser realizadas para Brasil, México e Colômbia, conectando a operação americana do Nubank a importantes mercados da América Latina.

Cartão de crédito terá cashback

O Nubank também entrou no mercado americano com um cartão de crédito sem cobrança de anuidade.

Emitido em parceria com a Mastercard, o cartão oferece 1,5% de cashback ilimitado nas compras realizadas pelos clientes.

Segundo a empresa, esse percentual poderá chegar a 2%, dependendo do cumprimento de determinadas condições de elegibilidade.

A estratégia segue uma característica que ajudou a popularizar o Nubank no Brasil: simplificar produtos financeiros e utilizar benefícios para estimular o relacionamento de longo prazo com os clientes.

No mercado americano, entretanto, a disputa será ainda mais intensa. Bancos tradicionais e empresas de tecnologia financeira já oferecem cartões com diferentes programas de recompensas, cashback e benefícios.

Por isso, o Nubank aposta na combinação entre uma experiência totalmente digital, facilidade de uso e integração de diferentes serviços em um mesmo aplicativo.

Nubank apresenta conta multimoeda

Além dos produtos voltados diretamente ao consumidor americano, o Nubank anunciou o Nu Global, uma conta digital multimoeda destinada principalmente a pessoas que movimentam dinheiro entre diferentes países.

A ferramenta permite trabalhar com moedas digitais representadas pelas stablecoins USDC e EURC, vinculadas, respectivamente, ao dólar e ao euro.

De acordo com o Nubank, os saldos em USDC terão rendimento de 3,50% ao ano, enquanto os valores mantidos em EURC terão rendimento de 2,20% ao ano.

A proposta é facilitar a movimentação internacional de dinheiro sem que o usuário precise utilizar diferentes plataformas para cada país.

O Nu Global permitirá enviar e receber recursos em mais de 35 países. Segundo a empresa, a expansão das transferências começará pela Europa e pela América Latina.

Integrações com Brasil, Estados Unidos, México e Colômbia também estão previstas para os próximos meses.

Criptomoedas dentro do aplicativo

Outra novidade anunciada pelo banco é a possibilidade de negociação de ativos digitais diretamente pelo aplicativo.

Os clientes poderão negociar criptomoedas como bitcoin e ethereum, ampliando a quantidade de serviços financeiros disponíveis dentro da plataforma.

A estratégia acompanha uma tendência observada no setor financeiro mundial, em que bancos digitais e fintechs vêm incorporando investimentos, moedas digitais e outros produtos às suas plataformas.

A intenção é fazer com que o aplicativo deixe de ser utilizado apenas para pagamentos e movimentações bancárias e passe a concentrar diferentes necessidades financeiras do cliente.

Por que o Nubank está entrando nos Estados Unidos?

A entrada no mercado americano é considerada estratégica para o futuro do Nubank.

Os Estados Unidos possuem um dos maiores e mais sofisticados sistemas financeiros do mundo, mas também apresentam uma concorrência muito forte entre bancos tradicionais, fintechs e empresas de tecnologia.

Para o Nubank, conquistar consumidores americanos representa uma oportunidade de diversificar sua operação e levar para um novo mercado o modelo digital desenvolvido na América Latina.

A empresa já possui uma base significativa de clientes no Brasil, além de operações em outros países latino-americanos.

A experiência acumulada nesses mercados pode ajudar o banco a desenvolver produtos direcionados às necessidades dos consumidores americanos, especialmente aqueles que valorizam serviços digitais e facilidade para movimentar dinheiro internacionalmente.

Licença bancária ainda está em processo

Apesar do lançamento dos primeiros produtos, o Nubank ainda não possui uma licença bancária nacional própria nos Estados Unidos.

A empresa solicitou, em setembro de 2025, uma licença bancária nacional ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão responsável pela supervisão dos bancos nacionais americanos.

Em janeiro de 2026, o Nubank recebeu aprovação condicional para avançar no processo.

No entanto, ainda existem etapas regulatórias a serem concluídas junto ao Federal Reserve e à FDIC.

Enquanto essas fases não forem finalizadas, os serviços serão oferecidos por meio das instituições financeiras parceiras.

Esse modelo permite que o Nubank comece a construir sua presença comercial no país antes de concluir todo o processo para operar diretamente como instituição bancária.

Operação própria deve começar no próximo ano

Durante o evento em Miami, Cristina Junqueira afirmou que a expectativa da empresa é começar a operar diretamente nos Estados Unidos no próximo ano.

A conclusão desse processo poderá representar uma mudança importante na estrutura da operação americana do Nubank.

Até lá, a empresa poderá utilizar o período para conhecer melhor o comportamento dos consumidores, testar seus produtos e ajustar a experiência oferecida aos clientes.

A estratégia também permitirá que o banco construa sua marca em um mercado no qual ainda é pouco conhecido pela maioria dos consumidores.

Uma nova fase para o banco digital brasileiro

A chegada aos Estados Unidos mostra que o Nubank pretende deixar de ser visto apenas como uma fintech brasileira ou latino-americana e avançar em direção a uma operação global.

O lançamento reúne diferentes frentes: conta com rendimento, cartões, cashback, transferências internacionais, serviços multimoeda e negociação de ativos digitais.

Para o consumidor, a principal novidade está na possibilidade de concentrar uma quantidade cada vez maior de serviços financeiros em uma única plataforma.

Para o Nubank, o desafio será transformar essa proposta em crescimento sustentável em um mercado altamente competitivo e regulado.

A expansão americana também será acompanhada de perto pelo setor financeiro. O desempenho da empresa poderá indicar se o modelo que ganhou força no Brasil e em outros países da América Latina consegue conquistar consumidores em uma realidade bancária diferente.

Por enquanto, o Nubank começa sua trajetória nos Estados Unidos de forma gradual, apoiado em parceiros locais e com uma meta ambiciosa: estabelecer uma operação própria no país e transformar a expansão internacional em uma das principais etapas de seu crescimento.

O movimento reforça uma característica que acompanha a história da empresa desde sua criação: a tentativa de simplificar a relação das pessoas com o dinheiro por meio da tecnologia. Agora, essa proposta atravessa as fronteiras brasileiras e chega a um dos mercados financeiros mais importantes do planeta.