A Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB) e o Sebrae formalizaram, nesta terça-feira (8), um convênio que pretende contribuir para uma nova etapa do desenvolvimento econômico paraibano. A parceria terá como foco o mapeamento das potencialidades produtivas dos 223 municípios do estado, identificando oportunidades que possam estimular investimentos, fortalecer empresas e ampliar a geração de emprego e renda.
A proposta parte de uma compreensão importante sobre a realidade econômica da Paraíba: cada região possui características, recursos e vocações próprias que podem ser transformados em oportunidades de desenvolvimento. Do Litoral ao Sertão, passando pelo Agreste e pelo Curimataú, existem atividades econômicas com potencial para crescer e gerar novas possibilidades para a população.
Para o presidente da FIEPB, Cassiano Pereira, o convênio representa um passo importante para aproximar o setor industrial das diferentes regiões paraibanas e promover uma maior interiorização da atividade produtiva.
“É uma iniciativa que foi traçada em quatro mãos e hoje damos o passo principal para que possamos chegar a essa cadeia produtiva do Litoral ao Sertão, do Agreste ao Curimataú […] para interiorizarmos a indústria paraibana”, afirmou.
Conhecer para desenvolver
O mapeamento das potencialidades municipais pretende reunir informações capazes de mostrar quais atividades possuem maior capacidade de crescimento em cada região.
A ideia é que, ao conhecer melhor a realidade produtiva dos municípios, seja possível identificar setores que podem receber novos investimentos, estimular o empreendedorismo e criar condições para que empresas já instaladas possam ampliar suas atividades.
Em vez de concentrar as oportunidades econômicas apenas nos grandes centros, a iniciativa busca olhar também para municípios menores, onde muitas vezes existem recursos, mão de obra, conhecimento tradicional e atividades econômicas que ainda não receberam a estrutura necessária para alcançar todo o seu potencial.
Esse processo pode ser especialmente importante para o interior da Paraíba.
Em muitos municípios, a população depende de poucas atividades econômicas para gerar renda. A criação ou fortalecimento de novos setores pode significar mais oportunidades de trabalho e diminuir a necessidade de deslocamento de pessoas para cidades maiores em busca de emprego.
Interiorização da indústria
A interiorização da indústria aparece como um dos principais objetivos da iniciativa.
Para Cassiano Pereira, levar o desenvolvimento industrial para diferentes regiões significa ampliar a capacidade econômica do estado como um todo.
A indústria possui um efeito que vai além dos empregos criados diretamente dentro das fábricas. Quando uma empresa se instala em determinado município, ela pode movimentar uma cadeia formada por fornecedores, transportadores, prestadores de serviços, comerciantes e trabalhadores.
Esse movimento gera circulação de dinheiro e pode fortalecer outros setores da economia local.
Uma fábrica, por exemplo, pode precisar de serviços de manutenção, transporte, alimentação, segurança, tecnologia e diversos outros fornecedores. Dessa maneira, a instalação de uma atividade industrial pode produzir impactos econômicos que ultrapassam os limites da própria empresa.
É justamente esse efeito multiplicador que torna a interiorização uma estratégia importante para o desenvolvimento regional.
Potencialidades diferentes em cada região
A Paraíba apresenta uma diversidade econômica significativa.
No Litoral, atividades ligadas à indústria, comércio, serviços, turismo e logística possuem grande relevância. No Agreste, existe uma forte presença de comércio, serviços, indústria e atividades ligadas à produção regional.
Já no Sertão e no Curimataú, setores como agropecuária, comércio, serviços, energias renováveis, produção de alimentos, artesanato e pequenas indústrias podem apresentar oportunidades específicas.
O desafio é compreender essas diferenças e identificar quais atividades podem ser fortalecidas de maneira sustentável.
Um município pode ter vocação para determinada cadeia produtiva que não necessariamente apresenta o mesmo potencial em outra região.
Por isso, o levantamento proposto pela FIEPB e pelo Sebrae pode ajudar a construir um diagnóstico mais detalhado da economia paraibana.
Emprego e renda como prioridades
Por trás da discussão sobre desenvolvimento econômico existe uma questão que afeta diretamente a população: a geração de empregos.
A expansão da atividade produtiva pode abrir novas oportunidades principalmente para jovens que estão entrando no mercado de trabalho.
Quando existem empresas e atividades econômicas estruturadas nos próprios municípios, a população passa a ter mais possibilidades de construir sua trajetória profissional perto de casa.
Isso também pode contribuir para fortalecer as famílias e o comércio local.
Mais empregos significam maior circulação de renda, aumento do consumo e possibilidade de crescimento para pequenos negócios.
Por esse motivo, iniciativas voltadas à identificação de oportunidades econômicas podem ter impactos sociais importantes.
FIEPB destaca peso da carga tributária
Durante a apresentação da iniciativa, Cassiano Pereira também chamou atenção para um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo setor produtivo: a carga tributária.
Segundo o presidente da FIEPB, os custos tributários representam uma preocupação para as indústrias e podem dificultar a expansão dos negócios.
“O setor produtivo gera emprego e renda nesse país e traçamos um diálogo permanente. Sabemos que a carga tributária sobre as indústrias sobressai, não aguentamos mais, mas estamos tentando negociar, defender o setor produtivo”, declarou.
A questão tributária está diretamente relacionada à capacidade de investimento das empresas.
Quando os custos aumentam, parte dos recursos que poderiam ser utilizados para contratar funcionários, adquirir equipamentos, ampliar instalações ou desenvolver novos produtos acaba sendo direcionada para o pagamento de tributos.
Para empresas menores, o impacto pode ser ainda mais significativo.
Por isso, o diálogo entre o setor produtivo e o poder público é apontado como necessário para buscar soluções que permitam manter a competitividade das empresas sem comprometer a arrecadação e os serviços públicos.
O papel do Sebrae
A participação do Sebrae no convênio amplia o alcance da iniciativa, especialmente pelo trabalho desenvolvido pela instituição junto a pequenos negócios e empreendedores.
Micro e pequenas empresas possuem papel fundamental na economia dos municípios brasileiros. Em muitas cidades paraibanas, são esses negócios que sustentam boa parte da movimentação comercial e da geração de empregos.
Ao identificar as vocações econômicas de cada município, será possível também pensar em estratégias de capacitação, empreendedorismo e fortalecimento dos pequenos negócios.
O conhecimento sobre as características de cada região pode ajudar empresários a tomar decisões mais seguras e identificar mercados que ainda possuem espaço para crescimento.
Desenvolvimento precisa ser regional
Um dos grandes desafios da Paraíba é fazer com que o desenvolvimento econômico alcance diferentes regiões.
Quando investimentos e oportunidades ficam concentrados em poucos municípios, aumenta a desigualdade regional e a dependência de determinadas cidades.
A descentralização da atividade econômica pode contribuir para criar um estado mais equilibrado.
Nesse sentido, mapear os potenciais dos 223 municípios representa uma tentativa de enxergar a Paraíba de maneira integrada, mas respeitando as características individuais de cada território.
O desenvolvimento regional não significa necessariamente transformar todos os municípios em polos industriais. Significa identificar aquilo que cada local possui de melhor e criar condições para que essas características sejam convertidas em oportunidades.
Um olhar para o futuro
O convênio firmado entre FIEPB e Sebrae surge, portanto, como uma iniciativa voltada ao planejamento e à construção de estratégias de longo prazo.
Antes de investir, é necessário conhecer. E antes de definir políticas de desenvolvimento, é importante compreender as necessidades e as potencialidades de cada região.
Ao mapear as vocações produtivas dos municípios, as instituições poderão reunir informações importantes para orientar empresários, empreendedores e gestores públicos.
O resultado esperado é que essas informações possam contribuir para novos investimentos e para o fortalecimento das atividades que já movimentam a economia paraibana.
A expectativa é que o levantamento ajude a transformar potencial em oportunidade.
Para quem vive no interior, isso pode significar muito mais do que números em um estudo. Pode representar a chegada de uma nova empresa, a ampliação de um pequeno negócio, a criação de um emprego ou a possibilidade de um jovem encontrar uma oportunidade profissional sem precisar deixar sua cidade.
Uma Paraíba com oportunidades em todas as regiões
A iniciativa reforça a necessidade de pensar o desenvolvimento da Paraíba para além dos grandes centros.
O estado possui 223 municípios com realidades diferentes, mas todos podem contribuir para uma economia mais forte e diversificada.
O desafio agora será transformar os dados que serão levantados em ações concretas.
A identificação das potencialidades é apenas o primeiro passo. Depois dela, será necessário criar condições para investimentos, qualificar trabalhadores, apoiar empreendedores e estabelecer políticas que permitam às empresas crescer.
Com a parceria entre FIEPB e Sebrae, a Paraíba dá um passo nessa direção.
Ao olhar do Litoral ao Sertão, do Agreste ao Curimataú, a proposta é construir um mapa econômico capaz de mostrar não apenas onde estão as oportunidades atuais, mas também onde podem surgir os próximos caminhos para o desenvolvimento do estado.
Mais do que fortalecer a indústria, o objetivo passa por criar um ambiente capaz de gerar emprego, renda, empreendedorismo e novas perspectivas para os paraibanos, fazendo com que o crescimento econômico possa chegar a cada vez mais municípios.














