Mais de 80 pessoas foram presas na Paraíba, em 2026, por envolvimento em casos de furto de energia elétrica. Entre janeiro e o início de setembro, 87 prisões foram realizadas em diferentes regiões do estado, segundo dados divulgados pela Energisa Paraíba. Do total, 43 ocorreram na Grande João Pessoa, 30 no Sertão e outras 14 na região da Borborema.

Os números mostram a dimensão do problema e também revelam o esforço das autoridades e da distribuidora para identificar ligações clandestinas, adulterações em medidores e outras formas de desvio de energia. Além das prisões, milhares de irregularidades foram encontradas durante as fiscalizações realizadas ao longo do ano.

Somente no primeiro semestre de 2026, a Energisa Paraíba realizou mais de 50 mil inspeções em diferentes municípios. As ações identificaram mais de 9 mil irregularidades e permitiram recuperar aproximadamente 6,33 gigawatts-hora (GWh) de energia. De acordo com a empresa, essa quantidade seria suficiente para abastecer mais de 3.700 residências durante um ano.

Fiscalizações acontecem diariamente

As inspeções fazem parte de um trabalho realizado diariamente pela distribuidora em todo o território paraibano. A fiscalização busca identificar situações que possam comprometer o fornecimento de energia, provocar perdas no sistema e colocar em risco a segurança de moradores, trabalhadores e até de pessoas que circulam pelas proximidades das instalações elétricas.

Para localizar possíveis irregularidades, as equipes utilizam diferentes recursos tecnológicos e ferramentas de inteligência operacional. O objetivo é direcionar as inspeções para locais onde existam indícios de possíveis fraudes ou desvios.

Segundo Nathalia Holanda, gerente do departamento comercial da Energisa, o problema vai além do prejuízo financeiro causado pelo desvio de eletricidade. A realização de ligações clandestinas ou alterações em equipamentos elétricos sem conhecimento técnico pode provocar acidentes graves.

“O furto de energia é feito, quase sempre, por pessoas sem o conhecimento técnico, o que pode colocar vidas em riscos, causar acidentes ou incêndios”, explicou a gerente.

A preocupação se estende principalmente às ligações improvisadas, que podem apresentar fios expostos, conexões inadequadas e instalações sem qualquer padrão de segurança. Em determinadas situações, uma intervenção irregular na rede pode provocar curto-circuitos, choques elétricos e incêndios.

Os riscos não ficam restritos a quem pratica o furto

Embora o furto de energia seja realizado diretamente por quem instala ou utiliza uma ligação irregular, os impactos podem atingir outras pessoas. Uma conexão clandestina pode interferir no funcionamento da rede elétrica e representar riscos para moradores da região.

Além da questão relacionada à segurança, existe também um impacto financeiro. Segundo a Energisa, as perdas provocadas pelos chamados “gatos” acabam afetando o sistema de distribuição e podem representar custos que, de alguma maneira, recaem sobre o conjunto de consumidores.

A prática também interfere na arrecadação de impostos. Conforme os dados apresentados pela distribuidora, os desvios identificados na Paraíba representam um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 6 milhões em ICMS que deixam de ser recolhidos aos cofres públicos.

O cenário faz com que o combate às ligações clandestinas tenha diferentes dimensões: envolve segurança, proteção da infraestrutura elétrica, combate a práticas criminosas e preservação da arrecadação tributária.

Furto de energia é crime

O furto de energia elétrica é considerado crime e está previsto no artigo 155 do Código Penal. A legislação estabelece pena de um a quatro anos de prisão, além de multa, para o crime de furto, observadas as circunstâncias de cada caso.

As ocorrências identificadas durante as fiscalizações podem envolver diferentes tipos de irregularidades. Entre elas estão ligações clandestinas, intervenções nos medidores e outras formas de manipulação destinadas a reduzir ou eliminar o registro do consumo efetivamente utilizado.

Quando uma irregularidade é identificada, as equipes realizam os procedimentos previstos e, dependendo das circunstâncias, o caso pode ser encaminhado às autoridades policiais para investigação e adoção das medidas legais cabíveis.

É importante destacar que a constatação de uma irregularidade ou a prisão de uma pessoa não significa, por si só, uma condenação definitiva. Cada caso precisa ser analisado pelas autoridades competentes, com direito à defesa e ao devido processo legal.

Denúncias ajudam a identificar irregularidades

Além das inspeções realizadas pelas equipes da distribuidora, a participação da população também é considerada importante para o combate ao furto de energia.

Muitas ligações clandestinas podem estar localizadas em áreas residenciais, comerciais ou rurais e nem sempre são identificadas imediatamente pelas equipes de fiscalização. Por isso, informações repassadas pelos próprios consumidores podem ajudar na localização de possíveis irregularidades.

A Energisa disponibiliza canais para que denúncias sejam realizadas de forma anônima. Os consumidores podem informar situações suspeitas pelo telefone 0800 083 0196, pelo WhatsApp (83) 99135-5540 ou por meio do aplicativo Energisa On.

A recomendação é que ninguém tente verificar ou desmontar uma ligação suspeita por conta própria. A rede elétrica pode oferecer riscos graves, mesmo quando não há sinais aparentes de perigo. Qualquer intervenção deve ser realizada exclusivamente por profissionais autorizados e capacitados.

Um problema que exige atenção permanente

Os 87 presos registrados até o início de setembro mostram que o furto de energia continua sendo um desafio para a Paraíba. Ao mesmo tempo, as mais de 50 mil inspeções realizadas no primeiro semestre e as mais de 9 mil irregularidades identificadas indicam que a fiscalização permanece intensa.

O problema não se resume ao valor da energia desviada. Por trás de cada ligação clandestina existe uma preocupação relacionada à segurança, ao funcionamento adequado da rede e aos impactos econômicos provocados pelas perdas.

Para a população, a orientação é evitar qualquer tipo de intervenção irregular na rede elétrica e utilizar os canais oficiais para comunicar situações suspeitas. A denúncia pode contribuir para que equipes especializadas façam a verificação sem colocar moradores ou terceiros em risco.

Com ações de fiscalização, uso de tecnologia e participação da sociedade, a expectativa é reduzir as perdas provocadas pelas ligações clandestinas e tornar a rede elétrica mais segura. Na prática, combater o furto de energia significa também proteger vidas, preservar a infraestrutura e contribuir para que o serviço seja prestado de maneira mais segura e regular em todo o estado.