Petróleo brasileiro atingiu um novo recorde de produção em agosto de 2026, consolidando uma sequência de três meses consecutivos de crescimento histórico. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (1º) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país produziu 4,615 milhões de barris por dia (bpd), alta de 2,6% em relação a julho e de 18,4% na comparação com agosto de 2025.
O resultado supera a marca anterior, registrada em julho, quando a produção havia alcançado 4,498 milhões de barris por dia. Naquele mês, o Brasil já havia registrado crescimento de 13,6% em relação a julho de 2025.
O avanço reforça o peso do setor de petróleo e gás na economia brasileira e mostra a importância crescente das áreas do pré-sal, principalmente na Bacia de Santos. Ao mesmo tempo, o novo recorde ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado internacional, marcado por conflitos no Oriente Médio e por preocupações com o abastecimento global.
Produção total também alcança marca histórica
Quando são considerados petróleo e gás natural juntos, a produção brasileira chegou a 6,002 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em agosto.
De acordo com a ANP, o número representa crescimento de 2,6% em relação aos 5,851 milhões de boe/d registrados em julho e avanço de aproximadamente 18% na comparação com agosto de 2025.
O resultado mostra que o crescimento da indústria brasileira de petróleo não está restrito à extração de óleo. A produção de gás natural também avançou e atingiu 220,55 milhões de metros cúbicos por dia em agosto.
O volume de gás foi 2,6% superior ao registrado no mês anterior e 16,8% maior que o de agosto de 2025.
Pré-sal responde pela maior parte da produção
O principal motor desse crescimento continua sendo o pré-sal.
Em agosto, a produção conjunta de petróleo e gás natural das áreas do pré-sal chegou a 4,959 milhões de boe/d, equivalente a 82,6% de toda a produção brasileira.
Somente de petróleo, foram produzidos 3,842 milhões de barris por dia no pré-sal, por meio de 203 poços. O volume total da camada registrou crescimento de 2,9% em relação a julho e de 23% na comparação com agosto de 2025.
A concentração da produção nessa região ajuda a explicar por que o desempenho de grandes campos tem impacto significativo nos números nacionais.
Entre os principais destaques está o campo de Búzios, localizado na Bacia de Santos. Em agosto, Búzios foi o maior produtor de petróleo do país, com 1,172 milhão de barris por dia.
Já o campo de Mero, também na Bacia de Santos, liderou a produção de gás natural, com 48,93 milhões de metros cúbicos por dia.
Petrobras tem participação predominante
A produção brasileira continua fortemente concentrada em operações marítimas.
Segundo a ANP, os campos localizados no mar responderam por 98,1% da produção de petróleo e por 88,3% da produção de gás natural em agosto.
As empresas operadas pela Petrobras, sozinha ou em parceria com outras companhias, responderam por 87,55% da produção total registrada no país.
Ao todo, a produção brasileira teve origem em 6.719 poços, sendo 614 marítimos e 6.105 terrestres.
O dado evidencia a dimensão da estrutura necessária para manter o setor em funcionamento e ampliar a capacidade de produção.
Búzios se destaca entre os grandes campos
Além de ser o maior produtor de petróleo do país em agosto, Búzios também apresentou forte desempenho por meio de suas unidades de produção.
O FPSO Almirante Tamandaré, instalado no campo, registrou a maior produção de petróleo entre as instalações, com 258.401 barris por dia.
No caso do gás natural, o destaque ficou com o FPSO Sepetiba, no campo de Mero, que produziu 12,97 milhões de metros cúbicos por dia.
Esses números mostram como a entrada em operação e a expansão de grandes plataformas podem contribuir para elevar a produção nacional.
A própria ANP ressalta que oscilações mensais são comuns na indústria e podem ocorrer por fatores como manutenção programada, entrada de novos poços, interrupções temporárias e início de operação de novas unidades.
Gás natural também ganha espaço
Outro dado importante do levantamento é o elevado aproveitamento do gás natural produzido no país.
Em agosto, 98,1% do gás natural produzido foi aproveitado, enquanto 4,16 milhões de metros cúbicos por dia foram queimados.
A queima caiu 11% em relação a julho e 14,8% na comparação com agosto de 2025.
A redução é relevante porque o aproveitamento do gás representa uma oportunidade de ampliar a oferta energética e reduzir perdas associadas à produção de petróleo.
Do volume disponibilizado ao mercado, foram 69,41 milhões de metros cúbicos por dia.
Mercado internacional vive período de instabilidade
O novo recorde brasileiro acontece em um cenário internacional bastante diferente de períodos de maior estabilidade.
As tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã têm provocado preocupação no mercado de energia, especialmente por causa dos riscos relacionados ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e derivados.
A possibilidade de interrupções no fluxo de navios pela região aumentou a preocupação dos mercados com a oferta global e contribuiu para movimentos de alta e forte volatilidade nas cotações.
Nos últimos dias, Estados Unidos e Irã também mantiveram contatos indiretos com mediação do Catar. Segundo a Reuters, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, recebeu por meio de mediadores catarianos uma resposta dos Estados Unidos a uma proposta de sete dias destinada a criar condições para uma redução das tensões. A principal divergência relatada estaria relacionada à ordem de implementação das medidas.
O Irã havia apresentado uma proposta que previa a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz sob determinadas condições. O presidente americano Donald Trump afirmou anteriormente que havia rejeitado a proposta.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?
O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens estratégicas do comércio mundial de energia.
Qualquer interrupção prolongada no fluxo de petróleo pela região pode aumentar as preocupações sobre a oferta internacional e pressionar os preços da commodity.
Para países produtores como o Brasil, esse cenário pode representar efeitos econômicos importantes, embora a influência sobre os preços internos dependa de uma série de fatores, como cotação internacional, câmbio, custos de produção, logística e políticas de preços.
A produção brasileira em alta também amplia a relevância do país no mercado internacional, especialmente em um momento em que compradores e investidores acompanham de perto a capacidade dos grandes produtores de manter a oferta.
Recorde reforça importância do setor para o Brasil
O resultado de agosto confirma uma trajetória de expansão da produção brasileira.
Em apenas alguns meses, o país passou de 4,475 milhões de barris de petróleo por dia em junho para 4,498 milhões em julho e, finalmente, para 4,615 milhões em agosto.
O crescimento está diretamente relacionado ao desempenho do pré-sal e à operação de grandes campos e plataformas.
Ao mesmo tempo, os números mostram que o Brasil possui uma posição cada vez mais relevante na produção mundial de petróleo e gás.
Para o consumidor brasileiro, entretanto, o aumento da produção nacional não significa automaticamente redução dos preços dos combustíveis. Os valores pagos nos postos são influenciados por diversos componentes, incluindo preços internacionais, impostos, margens de distribuição e revenda, custos logísticos e condições do mercado.
Um novo capítulo para a produção brasileira
O recorde registrado em agosto representa mais do que um número histórico para o setor. Ele revela a capacidade de expansão da indústria brasileira de petróleo e gás e o papel central que o pré-sal passou a ocupar na produção nacional.
Com 4,615 milhões de barris de petróleo por dia e 6,002 milhões de boe/d considerando petróleo e gás, o Brasil encerrou agosto com novas marcas históricas.
A continuidade desse crescimento dependerá da entrada de novas unidades, do desempenho dos campos existentes, dos investimentos realizados pelas empresas e das condições do mercado internacional.
Enquanto o cenário global permanece marcado por incertezas e disputas geopolíticas, o Brasil segue ampliando sua capacidade de produção.
Os dados mais recentes da ANP mostram que, pelo menos no lado da oferta nacional, o país atravessa um dos momentos mais fortes de sua história na indústria de petróleo e gás.













