O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (30) em queda diante da atenção dos investidores aos novos dados de inflação dos Estados Unidos e ao cenário fiscal brasileiro. Por volta das 9h10, a moeda norte-americana recuava 0,27%, sendo negociada a R$ 5,2027. O movimento ocorre em uma manhã marcada por indicadores importantes para a definição das expectativas sobre juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

No exterior, o principal destaque é a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal, conhecido pela sigla PCE. O indicador é acompanhado de perto pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, por ser uma das principais referências utilizadas na avaliação da trajetória da inflação e da política monetária americana.

A divulgação dos números ocorre em um momento de atenção elevada aos próximos passos do Fed. Dados de inflação mais persistentes podem influenciar as expectativas dos investidores sobre a condução dos juros americanos, enquanto sinais de desaceleração podem alterar a percepção sobre a necessidade de manutenção de uma política monetária mais restritiva.

O Bureau of Economic Analysis, órgão responsável pela divulgação do indicador, programou para esta quarta-feira a publicação dos dados referentes a agosto. Antes da nova divulgação, o PCE acumulava alta de 3,7% em 12 meses até julho, enquanto o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançava 3,3%.

PCE concentra atenção do mercado

O PCE mede a variação dos preços dos bens e serviços adquiridos pelos consumidores nos Estados Unidos. Diferentemente de outros índices de inflação, o indicador procura acompanhar mudanças no comportamento de consumo e possui uma abrangência considerada relevante para a avaliação da inflação americana.

O chamado núcleo do PCE também recebe atenção especial. Ao retirar alimentos e energia, que costumam apresentar maior volatilidade, o indicador procura mostrar uma tendência mais persistente dos preços.

Em julho, o índice cheio registrou alta mensal de 0,2%, enquanto o núcleo também avançou 0,2%. Na comparação anual, as altas foram de 3,7% e 3,3%, respectivamente.

Os números de agosto, portanto, são importantes para atualizar as expectativas do mercado sobre a inflação americana e, consequentemente, sobre o comportamento dos juros nos Estados Unidos.

Para o câmbio brasileiro, esse cenário é relevante porque mudanças nas expectativas para os juros americanos podem alterar o fluxo internacional de recursos. Quando os investidores avaliam que os juros dos Estados Unidos permanecerão elevados por mais tempo, ativos denominados em dólar podem ganhar atratividade.

Por outro lado, sinais de inflação mais controlada podem contribuir para uma mudança nas expectativas sobre a política monetária americana.

Contas públicas brasileiras também entram no radar

No Brasil, o mercado acompanha os novos dados divulgados pelo Banco Central sobre as contas públicas. O setor público consolidado registrou déficit primário de aproximadamente R$ 10 bilhões em agosto.

O resultado considera as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais e não inclui os gastos com juros da dívida pública.

O desempenho fiscal ocorre em um momento de atenção às contas do país e à trajetória da dívida. Em agosto, a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os dados divulgados pelo Banco Central. O estoque chegou a aproximadamente R$ 11,1 trilhões.

A dívida líquida do setor público também avançou. O indicador chegou a R$ 9,24 trilhões, equivalente a 69,3% do PIB, de acordo com os números referentes a agosto.

O comportamento das contas públicas é acompanhado de perto pelo mercado porque influencia as expectativas sobre a sustentabilidade da dívida e sobre a necessidade de ajustes fiscais ao longo dos próximos períodos.

Além disso, o resultado fiscal pode afetar a percepção de risco dos investidores em relação ao país e, consequentemente, contribuir para movimentos no mercado de câmbio e de juros.

Governo Central teve déficit de R$ 13,6 bilhões

Os números divulgados pelo Tesouro Nacional na terça-feira (29) mostraram que o Governo Central registrou déficit primário de R$ 13,6 bilhões em agosto.

O resultado envolve Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Apesar de negativo, o resultado mensal foi melhor do que o registrado em agosto de 2025, quando o déficit havia alcançado R$ 15,5 bilhões.

No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, o déficit chegou a R$ 94,9 bilhões, acima dos R$ 85,9 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Os dados mostram que a evolução das receitas e despesas continua sendo um dos pontos de atenção para os investidores.

Segundo os dados divulgados, a receita líquida do Governo Central cresceu 3,5% acima da inflação em agosto, enquanto as despesas avançaram 1,9%. Entre os fatores que contribuíram para o aumento dos gastos estão despesas previdenciárias e despesas discricionárias.

A diferença entre o resultado do Governo Central e o resultado do setor público consolidado ocorre porque este último inclui também estados, municípios e empresas estatais.

Dólar acumula alta na semana

Apesar da queda registrada na abertura desta quarta-feira, o dólar vinha acumulando alta no curto prazo.

Até o início da sessão, a moeda acumulava avanço de aproximadamente 0,69% na semana e 0,71% no mês. No acumulado do ano, porém, apresentava queda de 4,96%.

A cotação próxima de R$ 5,20 mantém o mercado atento aos fatores internos e externos que podem provocar mudanças na trajetória do câmbio.

Entre esses fatores estão os juros americanos, os dados de inflação, a situação fiscal brasileira, o comportamento das commodities e o fluxo de recursos estrangeiros.

O câmbio também pode reagir a eventos políticos e econômicos que alterem as expectativas dos agentes financeiros.

Ibovespa inicia o dia sob expectativa

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, começa as negociações às 10h.

Na abertura da sessão, os investidores acompanhavam o ambiente internacional e os indicadores econômicos previstos para o dia.

O índice acumulava alta de 0,19% na semana e avanço de 3,61% no mês. No acumulado de 2026, a valorização informada era de 14,09%.

O desempenho da Bolsa, porém, pode sofrer alterações ao longo do pregão conforme os investidores avaliem os novos dados econômicos e os movimentos dos mercados internacionais.

Entre os principais fatores observados estão as taxas de juros, o câmbio, os preços das commodities e os resultados das empresas listadas.

Bolsas internacionais apresentam movimentos mistos

Na Ásia, os mercados encerraram a sessão desta quarta-feira com resultados variados.

Na China, o índice Shanghai Composite, conhecido como SSEC, avançou 0,31%, enquanto o CSI 300 subiu 0,29%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 0,37%.

No Japão, o Nikkei registrou valorização de 1,94%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, encerrou o dia em queda de 0,48%.

O comportamento dos mercados asiáticos ocorre em meio à avaliação dos investidores sobre as medidas de estímulo adotadas pelo governo chinês e sobre as perspectivas para a atividade econômica da região.

A China continua sendo acompanhada de perto pelos mercados globais devido ao peso de sua economia e à influência sobre os preços de commodities.

Para o Brasil, o desempenho da economia chinesa possui importância adicional por causa da relação comercial entre os dois países e da relevância da China para as exportações brasileiras.

Eleições também influenciam ambiente financeiro

O cenário político brasileiro também permanece entre os fatores acompanhados pelos agentes financeiros, especialmente pela proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais.

Uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28) apontou Lula com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 24 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

No cenário de segundo turno citado pela pesquisa, os dois aparecem com 42% cada. Os demais entrevistados declararam voto em branco, nulo ou disseram que não pretendiam votar. Esses números representam especificamente aquele levantamento e não constituem previsão do resultado eleitoral.

A proximidade da votação faz com que investidores acompanhem as propostas econômicas dos candidatos, especialmente aquelas relacionadas às contas públicas, inflação, impostos, gastos governamentais e trajetória da dívida.

Mercado acompanha combinação de fatores

A sessão desta quarta-feira reúne, portanto, diferentes elementos capazes de influenciar os preços dos ativos financeiros.

No exterior, o principal destaque é a inflação americana medida pelo PCE, indicador acompanhado pelo Federal Reserve. No Brasil, os investidores analisam os dados fiscais divulgados pelo Banco Central e pelo Tesouro Nacional, além dos movimentos da Bolsa e do câmbio.

O cenário internacional também permanece importante, especialmente diante do comportamento das bolsas asiáticas e das expectativas relacionadas à economia chinesa.

Para o investidor, a combinação desses fatores significa um dia de atenção redobrada aos indicadores e às novas informações que surgirem ao longo do pregão.

A queda inicial do dólar para a região de R$ 5,20 mostra um movimento pontual na abertura, mas a trajetória da moeda ao longo do dia dependerá da reação do mercado aos dados econômicos e ao ambiente internacional.

Com a divulgação do PCE e a atualização das informações fiscais brasileiras, os investidores terão novos elementos para revisar suas expectativas. O comportamento desses indicadores poderá influenciar não apenas o câmbio, mas também os juros futuros e o desempenho das ações negociadas na Bolsa brasileira.

Em um ambiente marcado por incertezas externas e por uma agenda econômica e política movimentada no Brasil, o mercado inicia o último dia de setembro atento aos números que podem ajudar a definir os próximos movimentos dos ativos financeiros.