O dólar abriu a sessão desta terça-feira (6) em queda, dando continuidade ao movimento registrado no pregão anterior, quando a moeda norte-americana recuou mais de 4% diante da forte reação dos mercados ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Por volta das 9h10, a moeda era negociada a R$ 4,9761, uma queda de 0,50%. O comportamento do câmbio ocorre em meio à atenção dos investidores ao cenário político, às perspectivas para a economia brasileira e aos próximos indicadores da balança comercial.
A sessão desta terça-feira acontece um dia depois de um dos pregões mais expressivos da história recente do mercado financeiro brasileiro. Na segunda-feira (5), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 7,70% e encerrou o dia aos 206.911 pontos, segundo dados divulgados após o fechamento. Foi a primeira vez que o índice terminou uma sessão acima da marca de 200 mil pontos, estabelecendo um novo recorde histórico.
A movimentação chamou atenção não apenas pelo tamanho da alta, mas também pela velocidade com que os preços dos ativos reagiram às novas informações do cenário eleitoral. A Bolsa brasileira vinha acompanhando as expectativas relacionadas ao primeiro turno e, após a divulgação do resultado, investidores passaram a recalibrar suas posições diante da disputa que seguirá para uma segunda votação.
Mercado reage ao cenário eleitoral
O resultado do primeiro turno colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro. Flávio terminou a primeira etapa à frente, com pouco mais de 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou na segunda colocação, com cerca de 45%. A definição do próximo presidente, porém, ocorrerá somente no segundo turno.
No mercado financeiro, o resultado provocou uma forte alteração nas expectativas. A reação não significa, por si só, uma avaliação definitiva sobre o futuro da economia brasileira, mas reflete a forma como investidores incorporaram as novas informações políticas aos preços dos ativos.
O dólar foi um dos principais exemplos dessa movimentação. Na segunda-feira, a moeda norte-americana caiu 4,11%, encerrando o dia em aproximadamente R$ 5,00. Durante o pregão, chegou a ser negociada abaixo desse nível, atingindo mínima próxima de R$ 4,95. Foi uma das maiores quedas diárias recentes do câmbio brasileiro.
Nesta terça-feira, a continuidade da queda reforça a atenção do mercado ao comportamento do real diante das novas perspectivas para a economia e para a política fiscal.
Bancos lideram alta das ações
Entre as empresas que mais se beneficiaram da forte valorização da Bolsa na segunda-feira estiveram instituições financeiras e companhias com grande peso no Ibovespa.
As ações do Banco do Brasil avançaram 11,47%, enquanto os papéis da B3, responsável pela infraestrutura do mercado financeiro brasileiro, dispararam 22,58%. O Bradesco teve alta de 13,62%, e o Itaú subiu 11,13%. Já o BTG Pactual registrou valorização de 22,28%.
O movimento também alcançou empresas de outros setores. As ações da Petrobras avançaram 8,09%, enquanto os papéis da Vale registraram queda de 1,92%.
A forte valorização de algumas companhias mostra como o mercado reage de maneira diferente conforme as perspectivas de cada setor. Bancos, empresas de varejo, petróleo e outras companhias consideradas sensíveis às condições econômicas apresentaram oscilações significativas diante da mudança das expectativas dos investidores.
Juros futuros também caem
Outro movimento importante ocorreu no mercado de juros futuros. As taxas dos contratos mais longos recuaram de maneira significativa na segunda-feira, refletindo a mudança nas expectativas dos investidores sobre o comportamento da política econômica nos próximos anos.
Os juros futuros são acompanhados de perto porque funcionam como uma espécie de termômetro das expectativas do mercado para inflação, política monetária, atividade econômica e risco fiscal.
Quando essas taxas caem, o movimento pode indicar uma redução das expectativas de pressão sobre os juros no futuro. No entanto, as taxas continuam sujeitas a alterações conforme surgem novos dados econômicos e políticos.
O cenário ainda é de atenção porque o Brasil permanece com inflação projetada acima do limite superior da meta e com a taxa básica de juros em patamar elevado.
Focus aponta inflação acima de 5%
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira trouxe um sinal de cautela. A projeção do mercado para a inflação oficial de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, marcando a terceira semana consecutiva de alta na estimativa.
A previsão está acima do teto da meta de inflação, estabelecida em 4,5% para o ano. O centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Ao mesmo tempo, a expectativa para o crescimento da economia brasileira sofreu uma pequena redução. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu de 1,86% para 1,85%.
Para 2027, a estimativa de crescimento também foi reduzida, passando de 1,41% para 1,40%. Os números mostram que, apesar da forte valorização dos ativos financeiros, o mercado continua enxergando desafios para a atividade econômica.
A projeção para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,5% ao ano. Para 2027, a expectativa é de 12%, enquanto para 2028 permanece em 10,5%.
Dados dos Estados Unidos também entram no radar
Além dos acontecimentos domésticos, investidores brasileiros acompanham os indicadores internacionais, principalmente aqueles relacionados à economia dos Estados Unidos.
Dados divulgados recentemente apontaram desaceleração da atividade do setor de serviços americano em setembro, ao mesmo tempo em que empresas relataram pressão nos custos de alguns insumos.
Os números são importantes para os mercados globais porque o comportamento da inflação nos Estados Unidos influencia diretamente as decisões do Federal Reserve, o banco central americano.
Mudanças nas taxas de juros dos Estados Unidos costumam afetar o fluxo de capital internacional. Quando os juros americanos permanecem elevados, investimentos em ativos considerados mais seguros podem ganhar atratividade. Em contrapartida, uma perspectiva de redução dos juros pode favorecer a busca por ativos de países emergentes.
Balança comercial também será observada
No Brasil, a balança comercial aparece entre os pontos de atenção dos investidores nesta terça-feira. O desempenho das exportações e importações ajuda a indicar a força das relações comerciais do país com o exterior e também interfere na entrada e saída de dólares.
Um saldo comercial positivo, quando as exportações superam as importações, tende a favorecer a entrada de moeda estrangeira no país. Já alterações nos preços das commodities, na demanda internacional e no câmbio podem modificar esse resultado ao longo do tempo.
Por isso, os investidores acompanham os números comerciais juntamente com indicadores de inflação, atividade econômica, juros e contas públicas.
Mercado entra em nova fase de cautela
A abertura desta terça-feira mostra que o mercado continua digerindo os acontecimentos do primeiro turno. A forte alta da Bolsa e a queda do dólar na segunda-feira foram movimentos expressivos, mas os preços dos ativos podem continuar oscilando conforme novas informações políticas e econômicas forem divulgadas.
Para os investidores, o período até o segundo turno será marcado pela análise de propostas, possíveis alianças, composição política e sinais relacionados à condução da economia. Para o cidadão comum, as movimentações também merecem atenção, já que o comportamento do dólar, da inflação e dos juros pode influenciar preços, crédito, investimentos e consumo.
A combinação entre cenário eleitoral, inflação acima do teto da meta, juros elevados, perspectivas de crescimento moderado e condições internacionais coloca a economia brasileira diante de um período de acompanhamento intenso.
Enquanto o mercado financeiro busca interpretar os próximos passos da disputa eleitoral e da política econômica, o dólar iniciou esta terça-feira abaixo dos R$ 5 e o Ibovespa se prepara para o primeiro pregão após superar, pela primeira vez, a histórica marca dos 200 mil pontos. O movimento reforça a dimensão das expectativas que passaram a dominar os mercados brasileiros nesta nova etapa do calendário político e econômico de 2026.














