Os pequenos negócios ocupam um espaço cada vez mais importante na economia da Paraíba e já representam 95% das empresas em atividade no estado. O dado, divulgado pela plataforma Usina de Dados do Sebrae/PB, ganha destaque nesta segunda-feira (5), data em que é celebrado o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa.

Mais do que números, o cenário revela a força de milhares de empreendedores que transformaram ideias, necessidades e oportunidades em empresas responsáveis por movimentar o comércio, os serviços, a indústria e diferentes segmentos da economia paraibana.

Nas últimas duas décadas, o crescimento desse setor também chama atenção. De acordo com o levantamento, o número de micro e pequenas empresas passou de 37.915, em 2006, para 307.526 registros em setembro deste ano. O avanço representa crescimento de 711% no período.

Os dados utilizados na comparação têm como referência informações do sistema Sidra, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2006, e dados atuais da Usina de Dados do Sebrae/PB.

O levantamento, no entanto, faz uma ressalva importante: os critérios utilizados para classificar o porte das empresas mudaram ao longo dos anos. Em 2006, a classificação levava em consideração principalmente o número de pessoas ocupadas. Atualmente, o enquadramento considera o limite de faturamento estabelecido para cada categoria empresarial.

Ainda assim, os números ajudam a dimensionar a expansão do empreendedorismo formal na Paraíba e mostram como os pequenos negócios passaram a ocupar uma parcela expressiva da atividade econômica do estado.

MEIs são maioria entre os pequenos negócios

Dos mais de 307 mil negócios ativos contabilizados na Paraíba, 55,1% são classificados como Microempreendedores Individuais (MEI). Na sequência aparecem as Microempresas (ME), que representam 34,9%, enquanto as Empresas de Pequeno Porte (EPP) correspondem a 5,6%.

O perfil mostra a importância do empreendedor individual para a economia paraibana. Em muitos casos, a formalização representa o primeiro passo para quem decide transformar uma atividade profissional em uma empresa.

O MEI também permite que trabalhadores tenham acesso a mecanismos de formalização e possam desenvolver suas atividades dentro de uma estrutura empresarial simplificada.

Por trás dos números estão pessoas que, muitas vezes, começaram pequenas, com poucos recursos e uma ideia que precisou ser transformada em fonte de renda.

O crescimento do segmento também demonstra que empreender deixou de ser apenas uma alternativa para se tornar, para milhares de paraibanos, uma escolha profissional e uma forma de construir o próprio negócio.

Serviços e comércio concentram maior parte das empresas

Quando analisados os setores de atividade, os serviços aparecem na liderança, concentrando 50,5% dos pequenos negócios paraibanos.

O comércio vem logo depois, com 32,8% das empresas. Construção representa 8,4%, enquanto a indústria aparece com 0,4% na estatística apresentada pelo Sebrae/PB.

A predominância dos serviços acompanha uma transformação observada no mercado, com crescimento de atividades ligadas à prestação de serviços, tecnologia, consultoria, alimentação, transporte, beleza, educação e diversos outros segmentos.

No comércio, os pequenos empreendedores também possuem papel fundamental na dinâmica das cidades. São lojas de bairro, mercados, oficinas, restaurantes, estabelecimentos especializados e negócios familiares que ajudam a movimentar a economia local.

Em municípios do interior, esse impacto pode ser ainda mais perceptível, já que os pequenos negócios estão diretamente ligados à geração de renda e à circulação de recursos dentro das próprias comunidades.

Sebrae destaca importância do empreendedorismo

Para o superintendente do Sebrae/PB, Luiz Alberto Amorim, o crescimento dos pequenos negócios ocorre paralelamente à ampliação das ações voltadas ao desenvolvimento do empreendedorismo.

Segundo ele, o trabalho da instituição envolve áreas como capacitação, inovação, sustentabilidade, planejamento e incentivo à participação dos empreendedores em feiras e outros espaços de negócios.

“As micro e pequenas empresas ocupam uma parcela importante de contribuição para a economia de nosso estado e o Sebrae colabora em várias frentes com esse processo”, destacou.

O superintendente também ressaltou a importância de levar conhecimento aos empreendedores e ajudá-los a planejar o futuro de suas empresas.

Para muitos empresários, o acesso à informação e à capacitação pode representar uma ferramenta importante para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais competitivo.

Empreender também é enfrentar desafios

A realidade de quem abre uma empresa, entretanto, está longe de ser formada apenas por conquistas.

A empresária Jamille Mendonça conhece de perto os desafios de manter um negócio em funcionamento. Há seis anos atuando no ambiente empresarial com operações de consórcios, ela está à frente da JMS Consórcios, empresa com sede física em Patos, no Sertão da Paraíba.

Para ela, empreender exige dedicação diária, responsabilidade e disposição para lidar com diferentes situações.

“É um desafio diário, porque exige muita responsabilidade e dedicação para fazer dar certo. Quem decide empreender vive um misto de emoções, mas é gratificante e a credibilidade que as pessoas enxergam no seu negócio é o que mais motiva”, afirmou.

O relato representa uma realidade comum entre pequenos empresários: o negócio nasce de um projeto pessoal, mas rapidamente passa a exigir planejamento, organização financeira, atendimento de qualidade e capacidade de adaptação.

20 anos da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas

O Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa também marca outro momento importante: os 20 anos da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, estabelecida pela Lei Complementar nº 123/2006.

A legislação representou uma mudança significativa no ambiente de negócios brasileiro ao estabelecer tratamento diferenciado e favorecido para micro e pequenas empresas.

Antes da criação da Lei Geral, abrir uma empresa podia envolver um processo mais demorado e burocrático. Segundo o Sebrae, há duas décadas a abertura formal de um negócio levava, em média, cerca de 70 dias.

Com a digitalização dos serviços públicos e medidas de desburocratização implementadas ao longo dos anos, esse período caiu para menos de 24 horas em muitos processos de abertura.

A mudança facilitou a formalização e contribuiu para tornar o ambiente empresarial mais acessível.

Paraíba recebe congresso nacional

Dentro dessa agenda de discussão sobre o futuro dos pequenos negócios, a Paraíba sediará o XXII Congresso Brasileiro de Micro e Pequenas Empresas e o Encontro Nacional dos Dirigentes do Sistema Comicro.

Os eventos estão programados para os dias 8 e 9 de outubro, na região metropolitana de João Pessoa.

A programação contará com a participação de representantes do Sebrae e da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro).

Entre os nomes confirmados estão o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, o diretor técnico, Bruno Quick, o superintendente do Sebrae/PB, Luiz Alberto Amorim, e o presidente da Comicro, José Tarcísio da Silva.

O gerente do Sebrae Nacional, Ênio Pinto, também participará da programação do dia 9, quando será discutido um novo projeto envolvendo Comicro e Sebrae.

Reforma tributária está entre os temas

O futuro do Simples Nacional, a atualização do limite de faturamento do MEI e os impactos da reforma tributária sobre os pequenos negócios estão entre os assuntos que devem concentrar os debates.

Para o presidente da Comicro, José Tarcísio da Silva, o congresso será uma oportunidade para discutir os caminhos das pequenas empresas brasileiras diante das mudanças econômicas e tributárias.

A programação também deverá abordar temas como governança, alinhamento institucional, inteligência artificial aplicada aos pequenos negócios e os desafios e oportunidades relacionados ao novo sistema tributário.

Segundo Antônio Gomes, presidente da Federação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte da Paraíba (Femicro-PB) e vice-presidente da Comicro, os 20 anos da Lei Geral representam uma oportunidade para avaliar os avanços conquistados e discutir os próximos passos.

Um setor que ajuda a movimentar a Paraíba

Os números divulgados pelo Sebrae/PB mostram que falar sobre pequenos negócios é falar diretamente sobre uma parcela significativa da economia paraibana.

São mais de 307 mil empresas ativas dentro das categorias analisadas, distribuídas entre diferentes municípios e setores. São empreendedores que geram renda, oferecem produtos e serviços, criam oportunidades de trabalho e ajudam a manter a economia local em movimento.

O crescimento de 711% registrado na comparação apresentada pelo Sebrae também demonstra a transformação do ambiente empresarial paraibano ao longo das últimas duas décadas, ainda que os critérios de classificação tenham mudado no período.

Por trás de cada CNPJ existe uma história diferente: pessoas que começaram com uma pequena estrutura, famílias que transformaram uma atividade em negócio e empresários que enfrentam diariamente o desafio de permanecer competitivos.

Neste Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, os números servem como retrato de uma categoria que ganhou espaço e relevância na Paraíba.

Mais do que celebrar o crescimento, a data também abre espaço para discutir os desafios que ainda existem e as condições necessárias para que os pequenos empreendedores continuem inovando, gerando renda e participando do desenvolvimento econômico do estado.

Na Paraíba, o empreendedorismo mostra, mais uma vez, que pequenos negócios podem ter uma grande participação na construção da economia e no futuro de milhares de famílias.