Sobrinho do músico mineiro, Rodrigo lança seu terceiro álbum em novembro, com oito faixas que celebram a música de Minas Gerais; dueto com Roberta Campos em “Sonho real” será o primeiro single do projeto.
A música mineira ganha mais um capítulo de continuidade e memória com o novo trabalho de Rodrigo Borges. Sobrinho de Lô Borges e de Márcio Borges, dois nomes ligados à história do Clube da Esquina, o cantor, compositor e violonista prepara o lançamento de “Transverso”, seu terceiro álbum de estúdio. O projeto tem estreia prevista para 13 de novembro e reúne composições próprias, releituras de músicas importantes do repertório familiar e referências à tradição musical de Minas Gerais.
O disco chega em um momento de forte significado para a família Borges, especialmente após a morte de Lô Borges, em 2025. Mais do que recuperar canções conhecidas, Rodrigo constrói um trabalho que aproxima gerações e reafirma sua identidade artística a partir de uma herança musical que marcou a história da música popular brasileira.
Com oito faixas, “Transverso” combina memória afetiva, novas interpretações e a contribuição de músicos que ajudam a ampliar as possibilidades sonoras do projeto. Entre os destaques está a regravação de “Sonho real”, composição de Lô Borges e Ronaldo Bastos, lançada originalmente em 1984. Na nova versão, Rodrigo divide os vocais com a cantora mineira Roberta Campos.
A música será apresentada como primeiro single do álbum em 30 de outubro, antecipando parte da atmosfera que o público encontrará no lançamento completo.
A herança musical da família Borges
A trajetória de Rodrigo Borges está ligada a uma das famílias mais importantes da música mineira. Seu pai, Marilton Borges, e seus tios Lô Borges e Márcio Borges participaram de diferentes momentos da construção de um repertório que ajudou a projetar a identidade musical de Minas Gerais para todo o país.
Lô e Márcio tiveram participação fundamental na história do Clube da Esquina, movimento musical associado a artistas que combinaram elementos da música brasileira, do rock, do jazz e de outras tradições sonoras. O trabalho desses músicos contribuiu para criar uma linguagem própria, marcada pela riqueza melódica, pelas harmonias elaboradas e pela valorização da sensibilidade poética.
É nesse ambiente artístico que Rodrigo desenvolveu sua relação com a música. No entanto, “Transverso” não se limita a uma homenagem familiar. O álbum também apresenta composições autorais e novas interpretações que mostram como o artista procura construir seu próprio caminho sem abandonar as referências que fazem parte de sua história.
O resultado é um trabalho que dialoga com o passado, mas permanece voltado à expressão pessoal e à continuidade da criação musical.
“Transverso” reúne oito faixas e três composições inéditas
O repertório do álbum apresenta oito músicas, entre elas três composições autorais de Rodrigo Borges: “Eu sigo a lua”, “Quando o sol renascer” e “Um amor”.
As faixas próprias ocupam espaço importante no projeto porque revelam o lado compositor do artista em meio às releituras de obras ligadas ao repertório mineiro. A combinação permite que o disco percorra diferentes momentos e perspectivas, aproximando a tradição familiar da produção contemporânea de Rodrigo.
Entre as músicas revisitadas estão “Onde a gente está”, composta por Lô Borges e Márcio Borges em 2010, e “Sonho real”, parceria de Lô Borges com Ronaldo Bastos, de 1984.
A escolha dessas obras reforça o vínculo do cantor com o universo musical que influenciou sua formação. Ao mesmo tempo, as novas gravações oferecem a oportunidade de apresentar essas composições a ouvintes que talvez ainda não conheçam profundamente o repertório dos artistas mineiros.
Em vez de reproduzir simplesmente as versões originais, o projeto propõe novas leituras a partir da interpretação de Rodrigo e dos arranjos preparados para o álbum.
“Sonho real” ganha dueto com Roberta Campos
Uma das principais apostas de “Transverso” é a nova gravação de “Sonho real”, que reúne Rodrigo Borges e Roberta Campos.
A participação da cantora mineira acrescenta uma nova voz à interpretação de uma composição assinada por Lô Borges e Ronaldo Bastos. A escolha também reforça a ligação do projeto com a produção musical de Minas Gerais, aproximando artistas de diferentes trajetórias em torno de uma canção que integra o repertório de Lô.
O lançamento do single em 30 de outubro servirá como apresentação antecipada do álbum, cuja chegada está prevista para 13 de novembro.
A música também carrega um significado especial diante da trajetória de Lô Borges e de sua contribuição para a música brasileira. Ao recuperar uma composição do tio, Rodrigo mantém a obra em circulação e oferece uma interpretação que se insere em sua própria caminhada artística.
A permanência de canções ao longo das gerações é uma característica importante da música popular. Obras que nasceram em determinado contexto podem ganhar novos sentidos quando interpretadas por outros artistas, especialmente quando existe uma relação pessoal entre quem canta e o repertório escolhido.
No caso de Rodrigo, a ligação familiar acrescenta uma dimensão afetiva à gravação, sem retirar a importância da interpretação e da construção musical.
“Outro cais” retorna em nova versão
Outra música que chama a atenção no repertório de “Transverso” é “Outro cais”, composição de Marilton Borges e Duca Leal, de 1980.
A canção já havia sido gravada por Rodrigo em seu primeiro álbum, “Qualquer palavra”, lançado em 2011. Agora, retorna em uma nova versão que conta com o piano Fender Rhodes tocado por Marilton Borges, pai do artista e um dos compositores da obra.
A presença do músico na gravação fortalece a dimensão familiar do projeto e estabelece uma conexão direta entre diferentes momentos da trajetória de Rodrigo. A canção, que já fazia parte de seu repertório desde o início da carreira fonográfica, ganha uma nova abordagem dentro da proposta de “Transverso”.
“Outro cais” também demonstra como determinadas composições podem acompanhar a evolução de um artista. Ao revisitar uma música gravada no começo de sua trajetória, Rodrigo tem a oportunidade de apresentá-la sob outra perspectiva, com novos arranjos e a experiência acumulada ao longo dos anos.
A participação de Marilton acrescenta ainda uma camada histórica à gravação, aproximando pai e filho por meio de uma obra que atravessou décadas.
Um álbum construído com músicos de diferentes instrumentos
Além das composições e interpretações, “Transverso” conta com um grupo de músicos responsáveis por construir sua sonoridade.
Rodrigo Borges participa com voz, vocais e violões de aço. Beto Lopes toca baixo, trompete e guitarras; Christiano Caldas contribui com pianos, teclados e sintetizadores; Diogo Gomes assume o trompete; Jorge Continentino toca saxofone e flauta; Lincoln Cheib participa com percussão e bateria; e Marlon Sette acrescenta o trombone.
A variedade de instrumentos permite explorar diferentes texturas musicais e ampliar as possibilidades dos arranjos. Violões, teclados, metais e elementos rítmicos ajudam a compor uma base sonora que acompanha tanto as canções autorais quanto as releituras.
A presença de instrumentistas com funções variadas também favorece a construção de atmosferas distintas ao longo das oito faixas. Dessa maneira, o álbum pode preservar o caráter melódico das composições e, ao mesmo tempo, apresentar novos caminhos para músicas que já fazem parte da história da música mineira.
“Transverso” reafirma a continuidade da música mineira
Revelado há cerca de 15 anos com o álbum “Qualquer palavra”, Rodrigo Borges chega ao terceiro disco com uma proposta que combina identidade própria e valorização de suas raízes.
A escolha de composições de Lô Borges, Márcio Borges, Marilton Borges e outros parceiros evidencia a importância da herança familiar, mas o repertório autoral mostra que o artista também busca ampliar sua contribuição para a música brasileira.
O lançamento de “Transverso” acontece em um período de atenção renovada à obra de Lô Borges, cuja morte em 2025 marcou profundamente admiradores e integrantes do cenário musical. Nesse contexto, revisitar suas canções representa uma maneira de preservar a memória artística do compositor e permitir que novas gerações tenham contato com seu repertório.
Com o single “Sonho real”, previsto para 30 de outubro, e o lançamento do álbum completo em 13 de novembro, Rodrigo Borges prepara um trabalho que une lembrança, criação e continuidade.
Mais do que olhar para o passado, “Transverso” propõe manter viva uma tradição musical por meio de novas interpretações e composições. É nesse encontro entre memória e renovação que Rodrigo reafirma seus laços com a música de Minas Gerais e segue construindo sua própria história artística.
















