O cantor e compositor pernambucano Maciel Melo voltou a defender a valorização das tradições juninas e fez duras críticas à programação artística dos festejos de São João em Campina Grande (PB) e Caruaru (PE), cidades que realizam os maiores eventos juninos do Nordeste. As declarações foram dadas na noite desta segunda-feira (8), durante entrevista ao programa Hora H, da TV Norte Paraíba.

Segundo o artista, os grandes polos juninos têm se afastado cada vez mais de suas raízes culturais, abrindo espaço para atrações de diversos gêneros musicais e reduzindo a presença do forró tradicional. Para Maciel, os eventos vêm se transformando em festivais musicais semelhantes aos realizados em outras regiões do país.

“Eu acho que é um festival de música qualquer. Um festival como os outros têm”, afirmou o cantor, comparando as festas nordestinas a eventos realizados em cidades como Barretos (SP), São Paulo (SP) e Goiânia (GO).

A opinião de Maciel Melo reforça um debate que tem ganhado força nos últimos anos entre artistas ligados ao forró tradicional. Nomes como Flávio José, Santanna e Dorgival Dantas também já manifestaram preocupação com a diminuição do espaço destinado ao gênero nas programações oficiais dos festejos juninos.

Durante a entrevista, o compositor destacou que o forró ainda está presente nos eventos, mas em proporção muito menor do que considera ideal. Para ele, a descaracterização das festas pode comprometer a preservação da cultura nordestina para as futuras gerações.

“O forró eles colocam uma parte ali, uma coisinha lá e tal. Mas eu acho que é uma coisinha muito acanhada em relação ao que deveria ser, ao que era antigamente, ao que era trinta anos atrás”, declarou.

Maciel também fez um alerta sobre os impactos culturais dessa mudança. Na avaliação do artista, a falta de valorização dos ícones da música nordestina pode fazer com que as novas gerações cresçam sem conhecer nomes fundamentais da história do forró, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Marinês.

“A consequência disso será uma criança daqui a 20 anos não saber quem foi Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, não saber o que é o forró, não saber o que é nossa identidade”, afirmou.

Defensor de um movimento de resgate cultural, o cantor acredita que a mudança depende principalmente da participação popular. Para ele, o público tem papel decisivo na valorização da música regional, seja consumindo, divulgando ou solicitando a execução do forró tradicional em rádios e eventos.

Apesar de admitir estar “cansado” de abordar o assunto, Maciel Melo destacou que a preservação das tradições juninas é uma responsabilidade coletiva e que somente a mobilização da população poderá fortalecer novamente a presença da cultura nordestina nos festejos de São João.

A discussão sobre o equilíbrio entre tradição e diversidade musical continua dividindo opiniões, mas segue como um dos temas centrais dos debates culturais durante o período junino no Nordeste.