Os produtos apreendidos apresentam graves divergências físicas e visuais quando comparados ao medicamento original
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma medida de urgência determinando a apreensão e a proibição da comercialização, distribuição e utilização de lotes falsificados de medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (8) e acendeu um alerta para pacientes, profissionais de saúde e unidades hospitalares de todo o país.
Entre os produtos identificados está o lote Y013149 do medicamento Keytruda (pembrolizumabe), uma das terapias mais utilizadas no tratamento de diversos tipos de câncer. Segundo a Anvisa, há fortes indícios de falsificação, uma vez que o lote estava circulando fora dos canais oficiais de distribuição e não possui rastreabilidade reconhecida pelo fabricante.
A denúncia foi apresentada pela Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda., empresa responsável pelo registro do medicamento no Brasil. A fabricante informou que não reconhece o número de série impresso nas embalagens do produto suspeito e apontou inconsistências que confirmam a origem clandestina do lote.
Outros lotes também foram proibidos
Além do Keytruda, a Anvisa determinou a retirada imediata de circulação de dois lotes falsificados do medicamento Kadcyla (trastuzumabe emtansina), utilizado no tratamento de pacientes com câncer de mama HER2-positivo.
Os lotes identificados como H6980H05 e H8249A43 tiveram a comercialização e o uso proibidos em todo o território nacional após a identificação de diversas irregularidades.
A empresa responsável pelo medicamento, a Roche, informou que os produtos apreendidos apresentam diferenças significativas em relação às versões originais, tanto na embalagem quanto na composição visual dos materiais.
Irregularidades chamaram atenção
Durante a análise dos produtos suspeitos, foram identificadas falhas na impressão das embalagens, adulterações nos lacres de segurança e ausência do código bidimensional utilizado para rastreamento dos medicamentos legítimos.
Além disso, os números de série encontrados nos produtos não constam nos registros oficiais da fabricante.
As inspeções também apontaram divergências nos rótulos, tampas, frascos e componentes internos das embalagens. Em alguns casos, as bulas apresentavam erros de formatação, ausência de informações obrigatórias e até textos em idiomas estrangeiros sem relação com a documentação original do medicamento.
Alerta para pacientes e profissionais de saúde
A Anvisa reforça que pacientes não devem interromper seus tratamentos sem orientação médica, mas orienta hospitais, clínicas, farmácias e profissionais de saúde a verificarem cuidadosamente a procedência dos medicamentos utilizados.
A agência destaca que medicamentos falsificados representam um grave risco à saúde, pois podem não conter os princípios ativos corretos, apresentar substâncias desconhecidas ou não oferecer a eficácia necessária para o tratamento de doenças graves.
Combate à falsificação
A operação reforça a importância dos sistemas de rastreabilidade e do controle rigoroso da cadeia de distribuição de medicamentos de alto custo e alta complexidade.
A Anvisa informou que continuará monitorando o mercado e investigando a origem dos produtos apreendidos para identificar os responsáveis pela falsificação e evitar que novos lotes irregulares cheguem aos pacientes.
O órgão orienta que qualquer suspeita relacionada à autenticidade de medicamentos seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias e aos fabricantes oficiais.
Para pacientes que realizam tratamento oncológico, a recomendação é adquirir medicamentos apenas por meio de canais autorizados e manter contato constante com as equipes médicas responsáveis pelo acompanhamento terapêutico.









