Estudo de fase três aponta redução significativa da gordura hepática e melhora de fatores cardiovasculares em pacientes tratados com a survodutida
Uma pesquisa internacional publicada na revista científica Nature Medicine trouxe resultados animadores para milhões de pessoas que convivem com obesidade e doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), condição popularmente conhecida como gordura no fígado.
O estudo de fase três avaliou a eficácia da survodutida, um medicamento experimental desenvolvido para atuar simultaneamente no controle do peso corporal e na saúde hepática. A substância funciona como um agonista duplo, simulando a ação de hormônios que regulam o metabolismo, o apetite e o acúmulo de gordura no organismo.
A pesquisa foi realizada entre abril de 2024 e dezembro de 2025 nos Estados Unidos e na Espanha, acompanhando 216 voluntários durante 48 semanas. Entre os participantes estavam 131 mulheres e 85 homens diagnosticados com obesidade e acúmulo excessivo de gordura no fígado.
Resultados expressivos
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles, composto por 146 pessoas, recebeu aplicações semanais de 6,0 mg de survodutida por via subcutânea. Os outros 70 voluntários receberam placebo.
Ao final do estudo, os resultados mostraram uma diferença significativa entre os grupos.
Segundo os pesquisadores, 84,2% dos pacientes tratados com a survodutida apresentaram redução igual ou superior a 30% da gordura acumulada no fígado. No grupo placebo, apenas 24,3% alcançaram o mesmo resultado.
Os dados também revelaram que 75,3% dos pacientes que utilizaram o medicamento reduziram em pelo menos 50% a gordura hepática, enquanto 55,5% registraram uma queda de 70% ou mais nos níveis de gordura do órgão.
Os pesquisadores destacaram que os resultados demonstram uma superioridade clínica e estatística importante da substância em comparação ao placebo.
Benefícios além do fígado
Além da melhora observada na saúde hepática, a survodutida também apresentou efeitos positivos sobre fatores de risco cardiovascular frequentemente associados à obesidade.
A pesquisa identificou avanços em indicadores metabólicos relacionados à saúde do coração e da circulação sanguínea, reforçando o potencial da medicação como uma ferramenta abrangente para o tratamento de doenças ligadas ao excesso de peso.
Especialistas ressaltam que a obesidade e a gordura no fígado estão entre os principais desafios de saúde pública da atualidade, aumentando o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e complicações hepáticas mais graves.
Novos estudos estão em andamento
Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas alertam que ainda são necessárias avaliações de longo prazo para confirmar a segurança e a eficácia do medicamento ao longo dos anos.
Como o acompanhamento ocorreu durante 48 semanas, os pesquisadores consideram importante ampliar o período de observação e incluir grupos mais diversos de participantes.
Novos estudos já estão em andamento e deverão analisar os impactos da survodutida em diferentes perfis de pacientes, ajudando a determinar seu potencial futuro como opção terapêutica para milhões de pessoas em todo o mundo.
Caso os resultados continuem positivos nas próximas etapas, a medicação poderá representar um avanço significativo no tratamento da obesidade e das doenças hepáticas associadas ao acúmulo de gordura.











