O pastor nigeriano Ezekiel Dachomo, conhecido internacionalmente por denunciar a violência contra comunidades cristãs na Nigéria, vive um dos momentos mais dolorosos de sua trajetória. Nove familiares dele foram assassinados durante um ataque promovido por extremistas Fulani no estado de Plateau, região que há anos enfrenta conflitos e episódios de violência.

Segundo relatos de sobreviventes, os criminosos invadiram uma residência na aldeia de Kum, durante a madrugada do último dia 11 de julho, procurando pelo pastor. Sem encontrá-lo, os invasores executaram os ocupantes da casa. Entre as vítimas estava um bebê de apenas dois meses de idade.

Após a tragédia, Dachomo afirmou acreditar que seus parentes foram mortos em represália à sua atuação pública em defesa dos cristãos perseguidos no país.

“Não posso fugir e abandonar meu povo quando sei que sou o motivo pelo qual eles foram mortos”, declarou o pastor ao portal Truth Nigeria.

Ataque deixou comunidade em choque

De acordo com testemunhas, os invasores chegaram armados à residência perguntando pelo “Dara”, termo que significa “pai” na língua berom. Antes de abrir fogo contra os moradores, os criminosos teriam dito: “Hoje vocês aprenderão uma dura lição”.

O massacre deixou nove mortos e provocou profunda comoção na região. O funeral coletivo das vítimas ocorreu poucos dias depois, reunindo familiares, moradores e lideranças locais.

Durante a cerimônia, Dachomo relembrou sua ligação com a família atingida.

“Foi aqui que cresci com a minha avó. E sei que as pessoas que cometeram este ato sabiam que tenho uma ligação com esta família. O homem cuja casa foi atacada é meu sobrinho”, afirmou.

O pastor também recordou outros episódios de violência sofridos por seus familiares ao longo dos anos.

“Esta não é a primeira vez que atacam esta comunidade. Da mesma forma que mataram minha avó Ngo Martha e lhe arrancaram o coração, mataram meu tio Dangai e lhe arrancaram a língua. E estão nos pressionando, querem ter certeza de que vamos embora desta comunidade”, declarou.

Violência preocupa moradores da região

Mesmo após o ataque, moradores de comunidades cristãs próximas à cidade de Jos receberam alertas sobre possíveis novas investidas de grupos armados, aumentando o clima de medo e insegurança.

A situação no estado de Plateau tem gerado preocupação crescente entre lideranças comunitárias e defensores dos direitos humanos. Segundo Solomon Dalyop, advogado e líder do povo Berom, mais de 200 pessoas foram mortas na região apenas nos últimos cinco meses.

Durante uma coletiva de imprensa realizada em 15 de julho, ele afirmou que as comunidades locais enfrentam uma realidade marcada pelo terror e pelo deslocamento forçado.

“Nossas comunidades se tornaram palcos de derramamento de sangue; nossas terras foram invadidas violentamente; nossas aldeias foram reduzidas à desolação; nossas fazendas foram abandonadas; nossa vida econômica foi estrangulada; e milhares de pessoas foram condenadas a vidas de deslocamento, medo e incerteza”, declarou.

Para ele, a crise ultrapassa a esfera da segurança pública e já representa uma grave emergência humanitária.

Pastor relata novas ameaças

Ezekiel Dachomo já vinha recebendo ameaças desde que passou a denunciar internacionalmente os ataques contra cristãos na Nigéria.

A repercussão aumentou após a divulgação de um vídeo gravado em outubro de 2025, no qual o pastor aparece ao lado de uma vala comum contendo corpos de cristãos assassinados. Nas imagens, ele pede ajuda de organismos internacionais e cobra ações das autoridades diante da violência.

Após o assassinato de seus familiares, Dachomo afirmou ter recebido uma nova ameaça de morte. Segundo ele, os responsáveis pelo ataque enviaram uma mensagem alertando que ele poderá ter o mesmo destino de seus parentes.

Mesmo diante do risco, o líder religioso declarou que continuará denunciando os ataques e cobrando providências das autoridades nigerianas.

A tragédia reacende o debate sobre a segurança das comunidades afetadas pela violência no estado de Plateau, uma das regiões mais sensíveis da Nigéria, onde conflitos armados e ataques contra civis continuam deixando vítimas e provocando deslocamentos de milhares de famílias.