Uma adolescente britânica de 15 anos entrou para a história da medicina após ser submetida a uma cirurgia cerebral acordada para tratar uma rara malformação vascular. O procedimento, considerado extremamente complexo, foi realizado em dezembro de 2025 no Hospital Infantil Alder Hey, no Reino Unido, e permitiu a retirada da lesão sem comprometer funções essenciais do cérebro.
Matilda Phillips, conhecida como “Tilly”, foi diagnosticada com uma malformação arteriovenosa (MAV), uma doença rara que afeta cerca de uma em cada 100 mil pessoas. A condição provoca um emaranhado anormal de artérias e veias no cérebro, aumentando significativamente o risco de hemorragias, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outras complicações graves.
Uma “bomba-relógio” no cérebro
Antes da cirurgia, Tilly convivia com frequentes crises convulsivas, que se tornavam cada vez mais intensas. Segundo a adolescente, viver com o diagnóstico era como carregar uma ameaça constante.
“Eu só queria que aquilo fosse removido. A MAV estava me causando convulsões frequentes, que estavam piorando, e eu sabia que ela poderia se romper a qualquer momento, o que era realmente assustador. Eu sentia que minha vida estava em suspenso”, relatou.
Cirurgia durou 12 horas
O procedimento teve duração aproximada de 12 horas. Durante cerca de 30 minutos, Tilly permaneceu acordada enquanto a equipe médica realizava a retirada da malformação.
Esse momento foi essencial para que os neurocirurgiões monitorassem, em tempo real, funções como fala, movimentos e respostas neurológicas, reduzindo o risco de sequelas.
Segundo o neurocirurgião Vejay N. Vakharia, esse tipo de cirurgia exige um elevado nível de colaboração do paciente, o que torna sua realização em adolescentes bastante incomum.
Embora cirurgias cerebrais com o paciente acordado já tenham sido realizadas em jovens para tratar tumores, casos relacionados especificamente à malformação arteriovenosa são extremamente raros. Por isso, Tilly é considerada uma das pacientes mais jovens do mundo a passar pelo procedimento.
Recuperação e novo começo
Após a cirurgia, a adolescente enfrentou algumas dificuldades temporárias, como lapsos de memória e dificuldade para lembrar nomes de amigos e até de seus animais de estimação.
Apesar desses desafios iniciais, os médicos classificaram o procedimento como um sucesso. Desde então, Tilly vem apresentando uma recuperação considerada excelente.
Hoje, aos 16 anos, ela celebra a oportunidade de voltar a viver sem o medo constante que a acompanhava antes da operação.
“Antes da cirurgia, eu me sentia como se estivesse sempre preocupada com o que poderia acontecer. Agora, acabei de terminar meus exames do ensino médio e posso esperar ansiosamente para passar um tempo com meus amigos, minha família, meus cachorros, aproveitar as férias de verão e simplesmente voltar a ser uma adolescente normal”, afirmou.
O que é a malformação arteriovenosa?
A malformação arteriovenosa (MAV) é uma alteração rara nos vasos sanguíneos em que artérias e veias se conectam de forma anormal, sem a presença dos pequenos vasos chamados capilares.
Quando localizada no cérebro, a condição pode permanecer sem sintomas durante anos, mas também pode provocar convulsões, dores de cabeça intensas, alterações na visão, fraqueza muscular, dormência e, nos casos mais graves, hemorragias cerebrais potencialmente fatais.
A história de Tilly representa não apenas um marco para a medicina, mas também uma demonstração dos avanços da neurocirurgia moderna, que têm permitido tratamentos cada vez mais seguros para doenças consideradas de alto risco, oferecendo esperança a pacientes e famílias em todo o mundo.

















