A Justiça Federal suspendeu temporariamente os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e anulou, de forma provisória, as punições aplicadas pelo Ministério da Educação (MEC) a faculdades de Medicina que tiveram desempenho considerado insatisfatório na avaliação.
A decisão foi tomada na quarta-feira (5) pela presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desembargadora Maria do Carmo Cardoso, após um pedido apresentado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Associação Brasileira das Faculdades (Abrafi).
A medida permanece válida até que a ação seja julgada definitivamente pela Justiça.
O Ministério da Educação informou que pretende recorrer da decisão.
Entenda o Enamed
O Enamed é uma avaliação anual realizada pelo MEC, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com o objetivo de analisar a qualidade da formação oferecida pelos cursos de Medicina no país.
Na primeira edição do exame, divulgada em janeiro, 107 dos 351 cursos avaliados receberam notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Ministério da Educação.
Com base no desempenho das instituições, o MEC havia previsto medidas restritivas para as faculdades com resultados abaixo do esperado.
Punições previstas pelo MEC
Entre as sanções estabelecidas estavam:
- Oito faculdades ficariam impedidas de receber novos alunos e seriam suspensas do Fies e de outros programas federais;
- Treze instituições teriam redução de 50% no número de vagas e suspensão de programas federais;
- Trinta e três faculdades teriam redução de 25% nas vagas, além da suspensão de programas;
- Quarenta e cinco instituições ficariam impedidas de ampliar o número de vagas.
Com a decisão judicial, essas medidas ficam suspensas.
Justiça aponta questionamentos sobre regras da avaliação
Na decisão, a desembargadora Maria do Carmo Cardoso considerou os argumentos apresentados pelas entidades de ensino, que questionaram a divulgação das regras utilizadas para avaliação após a realização do exame.
Segundo a magistrada, as sanções aplicadas pelo MEC com base nos resultados do Enamed 2025 poderiam causar prejuízos significativos e de difícil reparação às instituições de ensino e aos estudantes.
A decisão destaca a necessidade de garantir segurança jurídica e transparência nos processos de avaliação e regulação do ensino superior.
Entidades comemoram decisão
Em nota, a ABMES afirmou que a decisão reforça a importância da previsibilidade e da transparência nos processos avaliativos.
A entidade declarou que a medida judicial, apesar de provisória, representa uma oportunidade para ampliar o diálogo com o MEC e corrigir possíveis problemas metodológicos antes das próximas edições do exame.
O diretor-presidente da associação, Janguiê Diniz, também avaliou a decisão como positiva e afirmou que o momento pode contribuir para melhorar os preparativos para o próximo Enamed.
Próximos passos
Com a suspensão das punições, as instituições atingidas aguardam o julgamento definitivo da ação judicial.
Enquanto isso, o MEC deve apresentar recurso contra a decisão, buscando manter a validade das medidas aplicadas após a primeira edição do exame.
O caso segue sendo acompanhado por instituições de ensino, estudantes e órgãos ligados à educação superior, devido ao impacto que a avaliação pode ter na formação de novos médicos no país.














