Conhecida popularmente como o “hormônio do amor”, a ocitocina pode ter outro efeito importante no comportamento humano: aumentar a disposição para confiar em outras pessoas. É o que aponta um novo estudo internacional publicado nesta quarta-feira (12) na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A pesquisa envolveu 359 homens identificados como pouco propensos a confiar em outras pessoas após responderem a um questionário. Parte dos participantes recebeu uma dose de ocitocina por meio de spray nasal, enquanto os demais receberam placebo.
Depois, os voluntários participaram de um experimento anônimo baseado em uma situação de investimento financeiro. Alguns participantes assumiam o papel de investidores, enquanto outros representavam empresários que buscavam recursos para desenvolver um projeto.
Nesse modelo, os investidores precisavam decidir quanto dinheiro entregariam a uma pessoa desconhecida. Já os empresários deveriam devolver uma parte do valor recebido. Para os pesquisadores, quanto maior a quantia transferida, maior era o nível de confiança demonstrado pelo participante.
Participantes sob efeito da ocitocina transferiram mais dinheiro
Entre os homens que apresentavam baixa disposição para confiar em desconhecidos, aqueles que receberam ocitocina transferiram, em média, 15% mais dinheiro do que os participantes que receberam placebo.
Os pesquisadores também compararam os resultados com dados de um estudo anterior, que havia analisado 578 homens considerados desconfiados.
A análise conjunta indicou um aumento de aproximadamente 17% no comportamento de confiança entre os participantes que receberam ocitocina.
Hormônio não aumenta a confiança de forma geral
Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que a ocitocina não deve ser interpretada como uma substância capaz de transformar qualquer pessoa em alguém mais confiante.
Os participantes que apresentavam os níveis mais baixos de confiança não demonstraram um efeito especialmente significativo após receberem o hormônio. Isso indica que a resposta pode variar de acordo com as características individuais de cada pessoa.
Os pesquisadores consideram que o trabalho apresenta evidências importantes sobre a relação entre ocitocina e confiança, mas novos estudos ainda são necessários para compreender melhor os mecanismos envolvidos e os possíveis limites desse efeito.
A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, uma das publicações científicas de referência na área.














