A banda mineira Varanda apresenta na próxima sexta-feira (28) seu segundo álbum de estúdio, em um trabalho que transforma o sonho em ponto de encontro para diferentes histórias, sentimentos e sonoridades. Com um título propositalmente gigantesco, repertório autoral e a participação especial de Fernanda Takai, o disco reafirma a identidade do grupo no cenário do indie rock brasileiro e amplia os caminhos construídos desde a estreia.
O álbum recebeu o extenso título “Às vezes um sonho pode ser um planeta inteiro ou uma canção ou uma cama com travesseiro de pluma de ganso ou um apagão ou a grande luz no meio desse grande túnel no qual estamos inegável infalível incansavelmente passageiros”.
Apesar do nome monumental, a tendência é que o público e a imprensa adotem uma forma mais simples de identificação: “Às vezes um sonho…”.
Mais do que uma escolha curiosa, o título funciona como uma espécie de síntese da proposta artística do disco. Ao longo das onze faixas, a Varanda explora diferentes possibilidades relacionadas ao ato de sonhar, passando por sentimentos, imagens, desejos, escapismos e reflexões sobre a própria experiência humana.
Segundo álbum consolida trajetória da banda
O novo trabalho chega dois anos depois de “Beirada”, lançado em 2024, álbum que marcou uma etapa importante na trajetória da banda.
Antes do novo disco, o grupo também apresentou o EP “Rebarba”, disponibilizado em 2025.
Agora, com “Às vezes um sonho…”, a Varanda amplia seu repertório e reafirma a aposta em composições próprias.
O álbum reúne onze músicas autorais compostas e gravadas pelos integrantes Amélia do Carmo, nos vocais; Augusto Vargas, no baixo e voz; Bernardo Bara, na bateria; e Mario Ricardo, na guitarra.
A gravação aconteceu no estúdio YB, em São Paulo, sob produção musical de Fernando Rischbieter, que também ficou responsável pela mixagem e masterização ao lado de Pedro Vinci.
O resultado é um trabalho pensado para funcionar como uma experiência completa, na qual as músicas dialogam entre si por meio do conceito central do sonho.
Fernanda Takai participa da faixa “Sereno”
Um dos momentos de destaque do álbum é a participação de Fernanda Takai, vocalista da banda mineira Pato Fu.
A cantora aparece na faixa “Sereno”, acrescentando sua voz ao universo construído pela Varanda.
A colaboração aproxima dois nomes de diferentes gerações da música alternativa mineira e reforça a conexão do novo álbum com uma tradição de experimentação e liberdade criativa.
A presença de Takai também amplia o alcance afetivo da música, criando um encontro entre artistas que compartilham uma relação profunda com a cena musical de Minas Gerais.
“Sereno” integra um repertório que procura equilibrar diferentes atmosferas, sem abandonar a identidade autoral da banda.
Álbum foi antecipado por “Anjo de papel”
Antes do lançamento completo, a Varanda apresentou ao público o single “Anjo de papel”, disponibilizado em 14 de agosto.
A música serviu como uma primeira porta de entrada para o universo sonoro do novo álbum e preparou o público para a chegada do trabalho completo.
Com o lançamento do disco nesta sexta-feira (28), a banda passa a apresentar as demais composições que formam o projeto.
Entre elas estão “Alameda Travessia”, “Caminho”, “Flecha”, “Riso solto”, “Labirinto” e “Planeta sonho”.
Cada faixa contribui para a construção de uma narrativa que não necessariamente segue uma história linear, mas se conecta por meio de imagens e sentimentos associados ao universo onírico.
“Planeta sonho” traz referência ao 14 Bis
Entre as faixas do álbum está “Planeta sonho”, composição que leva o mesmo nome de um conhecido sucesso da banda 14 Bis.
A referência cria uma ponte interessante com a história da música brasileira e, especialmente, com a tradição musical mineira.
O sonho, nesse caso, aparece novamente como elemento de conexão entre gerações e diferentes formas de compreender a música.
A escolha do conceito também permite à Varanda transitar entre imagens mais íntimas e reflexões de caráter universal.
Sonhar pode significar desejar algo que ainda não existe, imaginar novas possibilidades, escapar temporariamente da realidade ou simplesmente construir uma espécie de refúgio emocional.
É justamente essa multiplicidade que a banda procura explorar.
Um título que traduz a proposta do disco
O título completo do álbum pode parecer, à primeira vista, uma brincadeira com a extensão dos nomes de discos.
Mas, segundo a própria banda, existe uma razão artística por trás da escolha.
A intenção foi criar uma frase capaz de reunir diferentes significados atribuídos ao sonho.
O título menciona um planeta, uma canção, uma cama, um apagão e uma luz no meio de um grande túnel. São imagens aparentemente distintas, mas que compartilham a capacidade de provocar interpretações e sensações.
Na prática, a expressão “Às vezes um sonho…” acaba funcionando como um convite para que cada ouvinte complete mentalmente a frase.
A banda deixa espaço para diferentes interpretações, permitindo que o público encontre seus próprios significados nas músicas.
Sonho como fio condutor
A vocalista Amélia do Carmo explica que a ideia de utilizar o sonho como elemento de ligação entre todas as músicas ganhou força quando o grupo percebeu a amplitude do conceito.
Segundo ela, sonhar pode significar projetar, idealizar, viajar ou fugir da realidade.
Também pode representar algo positivo ou negativo.
Em determinados momentos, o sonho pode funcionar como esperança e aproximar uma pessoa da realidade que deseja construir. Em outros, pode servir como uma nuvem capaz de levá-la para longe do cotidiano.
Essa dualidade parece ser um dos pontos centrais do novo álbum.
A Varanda não trata o sonho apenas como fantasia, mas como uma experiência humana complexa, capaz de revelar desejos, medos, expectativas e contradições.
A vida de quem transforma sonhos em arte
A própria relação entre sonho e criação artística aparece na interpretação de Amélia do Carmo.
Para a cantora, ser artista significa caminhar em uma espécie de equilíbrio permanente entre realidade e imaginação.
Essa relação pode ser marcada tanto pelo encantamento quanto pela frustração.
O artista imagina mundos possíveis, transforma experiências em canções e tenta materializar sentimentos que muitas vezes são difíceis de explicar por meio das palavras.
É nesse espaço entre o real e o imaginário que a Varanda constrói seu novo trabalho.
O álbum, portanto, não fala apenas sobre sonhos, mas também sobre o ato de criar.
Capa traduz atmosfera onírica
A identidade visual do disco acompanha o conceito musical.
A capa foi criada pela artista Pietra Coelho e procura traduzir visualmente a atmosfera onírica presente no repertório.
A escolha artística contribui para transformar o álbum em uma experiência que começa antes mesmo da primeira música.
A proposta visual dialoga com a ideia de atravessar diferentes estados de consciência, imagens e sensações.
Assim como as músicas não apresentam apenas uma interpretação possível, a capa também funciona como uma representação aberta do universo criado pela banda.
Varanda reforça identidade no indie rock
Com o novo trabalho, a Varanda dá mais um passo na construção de sua identidade dentro do indie rock brasileiro.
A banda mantém o foco em composições autorais e utiliza diferentes elementos para criar uma sonoridade própria.
A presença de Amélia do Carmo, Augusto Vargas, Bernardo Bara e Mario Ricardo estabelece uma formação que trabalha coletivamente na criação das músicas.
O processo de gravação no estúdio YB, em São Paulo, também contou com profissionais responsáveis por diferentes etapas da produção, garantindo ao álbum um cuidado técnico alinhado à proposta artística.
O resultado é um disco que pretende ser ouvido não apenas como uma sequência de faixas, mas como uma viagem por diferentes possibilidades do imaginário.
Um convite para sonhar
“Às vezes um sonho…” chega ao público em um momento em que a música brasileira continua encontrando novas maneiras de misturar referências, estilos e experiências.
Para a Varanda, o sonho surge como uma linguagem capaz de aproximar essas diferentes dimensões.
O disco fala sobre imaginar, desejar, fugir, retornar e continuar caminhando.
Também fala sobre a própria condição de ser humano em um mundo marcado por incertezas.
Ao reunir onze músicas autorais, uma participação especial de Fernanda Takai e uma identidade visual construída em torno do universo onírico, a banda mineira apresenta um trabalho que busca ir além da simples coleção de canções.
O novo álbum representa uma etapa de amadurecimento da Varanda e, ao mesmo tempo, uma abertura para novas possibilidades.
“Às vezes um sonho…” chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (28), dois anos após “Beirada” e um ano depois de “Rebarba”. Com um título que parece não querer terminar e músicas que exploram as muitas faces do sonho, a Varanda convida o público a entrar em um território onde realidade e imaginação caminham lado a lado.
No fim, talvez essa seja justamente a essência do álbum: lembrar que sonhar pode ser uma forma de escapar, mas também pode ser o primeiro passo para imaginar aquilo que ainda não existe.













