O primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 foi marcado pela diversidade musical, grandes encontros com o público e apresentações que dividiram opiniões. Entre sexta-feira (4) e segunda-feira (7), o festival reuniu nomes consagrados do rock, do metal, do pop, do hip hop, do samba, do soul, da MPB e do jazz, criando uma programação capaz de agradar diferentes gerações e estilos.

Como acontece em grandes festivais, nem todas as apresentações tiveram o mesmo impacto. Enquanto alguns artistas entregaram performances memoráveis, com repertórios bem escolhidos, forte conexão com a plateia e qualidade técnica, outros enfrentaram dificuldades, seja pela resposta do público, pelo horário, pelo som ou pelas próprias escolhas artísticas.

A avaliação dos melhores e piores shows considera as análises realizadas durante a cobertura do festival, levando em conta não apenas a importância ou o talento dos artistas, mas também o desempenho no palco, a reação do público, a execução das músicas, o repertório e os aspectos técnicos de cada apresentação.

Entre os destaques positivos, Elton John apareceu no topo da lista. Já Nelly ficou com a primeira posição entre os shows considerados menos satisfatórios do primeiro fim de semana.

Elton John emociona e mostra por que continua gigante

A grande liderança entre os melhores shows ficou com Elton John. Aos 79 anos, o artista britânico voltou ao Brasil depois de 11 anos e transformou sua apresentação em uma verdadeira celebração de uma carreira que atravessa gerações.

Em sua terceira participação no Rock in Rio e oitava passagem pelo Brasil, Elton entrou para a história do festival como o headliner mais velho a se apresentar no evento.

Vestindo um paletó amarelo fluorescente sobre uma camisa azul-marinho, o cantor apresentou um repertório recheado de clássicos que ajudaram a construir sua trajetória internacional.

Canções como “I Guess That’s Why They Call It the Blues” e “Goodbye Yellow Brick Road” ganharam força diante de uma plateia que acompanhou os grandes momentos da noite.

O peso da apresentação também estava no contexto. Depois de décadas de carreira e de ter vendido mais de 300 milhões de discos em todo o mundo, Elton John já não precisa provar sua importância. Mesmo assim, mostrou disposição para revisitar músicas que fazem parte da memória afetiva de milhões de pessoas.

O resultado foi uma apresentação marcada pela emoção e pela força de um repertório que permanece atual mesmo décadas depois de seu lançamento.

Bring Me The Horizon transforma o palco em uma explosão de energia

Na segunda posição apareceu o Bring Me The Horizon, uma das bandas que melhor aproveitou a energia característica de um festival de grande porte.

O vocalista Oli Sykes comandou uma apresentação intensa, provocando constantemente a plateia e criando momentos de interação que ajudaram a transformar o show em uma experiência coletiva.

O cantor chegou a convidar um fã vestido com a camisa da Seleção Brasileira para subir ao palco e também surpreendeu admiradores antigos ao resgatar músicas do primeiro álbum da banda.

A apresentação teve direito a rodas abertas no meio do público e sinalizadores de diversas cores, deixando evidente a conexão entre a banda e os fãs.

Mesmo com uma confusão curiosa ao chamar o Rio de Janeiro de São Paulo, o erro acabou sendo muito menos importante do que a energia demonstrada pela plateia.

Péricles surpreende com repertório inspirado na Motown

O terceiro lugar ficou com Péricles, que decidiu deixar momentaneamente o samba e o pagode em segundo plano para apostar em clássicos do soul e do R&B norte-americanos.

A escolha foi ousada, especialmente porque o cantor é conhecido por uma trajetória construída principalmente dentro da música brasileira.

No Palco Sunset, Péricles transformou o repertório inspirado na Motown no centro de sua apresentação. O português apareceu principalmente nas conversas com o público, enquanto as músicas internacionais dominaram o palco.

A mudança mostrou a versatilidade do artista e revelou uma faceta que nem sempre aparece em seus shows tradicionais.

Foo Fighters entrega o que os fãs esperavam

Na quarta posição entre os melhores esteve o Foo Fighters.

A banda encerrou a primeira noite do festival com uma apresentação segura e repleta de energia. Com seis passagens anteriores pelo Brasil, o grupo já conhece bem o público brasileiro, e essa experiência ficou evidente na relação construída durante o show.

Aos 57 anos, Dave Grohl demonstrou estar em boa forma vocal e manteve o ritmo durante a apresentação.

O repertório trouxe novidades em relação à participação da banda no The Town, em 2023, incluindo músicas como “Wheels” e “Marigold”.

Outro ponto de atenção foi a presença do baterista Ilan Rubin, que assumiu o posto em 2025 após a saída de Josh Freese, que havia ocupado a função anteriormente.

Jon Batiste mistura música e espiritualidade

Fechando o grupo dos cinco melhores, Jon Batiste proporcionou um dos momentos mais diferentes do festival.

O artista conduziu sua apresentação como se estivesse liderando uma celebração, misturando elementos do gospel, blues, samba e Carnaval.

Logo no início, abriu o show cantando a capella, antes de ampliar a apresentação com a participação de percussionistas cariocas.

A mistura entre a tradição musical norte-americana e elementos brasileiros deu personalidade ao espetáculo.

Ao falar com o público durante “Freedom”, Batiste reforçou a ideia de que sua apresentação não deveria ser apenas assistida, mas vivida.

Luísa Sonza enfrenta dificuldades no Palco Sunset

Entre os shows que ficaram abaixo das expectativas, Luísa Sonza apareceu na quarta posição.

A apresentação tinha uma proposta que despertava curiosidade: “Luísa Sonza convida Menescal”. A expectativa era de uma participação mais significativa de Roberto Menescal e de uma homenagem mais ampla à bossa nova.

No entanto, a cantora manteve principalmente seu formato pop habitual e reservou apenas um pequeno espaço para a bossa.

Outro problema foi a quantidade de público. A apresentação encontrou uma plateia menor do que aquela registrada em outras participações da artista no festival.

A parte técnica também prejudicou o desempenho. O som foi considerado embolado e estourado em alguns momentos, principalmente nas músicas de batidas mais pesadas. Em determinadas passagens, a voz da cantora acabou escondida pela massa sonora.

Hot Milk encontra público pouco receptivo

A banda britânica Hot Milk ocupou a terceira posição entre os shows menos bem avaliados.

O grupo estreou no Rock in Rio em um horário considerado privilegiado, como penúltima atração do Palco Sunset na sexta-feira.

O problema foi encontrar uma plateia pouco engajada.

A vocalista Han Mee chegou a cobrar uma reação mais intensa do público e pediu participação, rodas punk e mais energia.

Apesar das tentativas de interação, a resposta não foi a esperada.

A apresentação mostrou que, em um festival gigantesco, nem sempre o talento e a disposição dos artistas são suficientes. A conexão entre palco e plateia depende também do momento, do horário e do perfil de quem está diante do palco.

MGK enfrenta resistência da plateia

Na segunda posição entre os shows menos bem avaliados ficou MGK, nome artístico de Colson Baker.

O artista apostou em músicas mais pesadas, mas encontrou uma plateia dividida.

Logo no início da apresentação, houve momentos de hostilidade por parte de parte do público, levando o cantor a interromper o show para tentar acalmar os ânimos.

MGK falou sobre sua trajetória e afirmou estar vivendo um sonho ao se apresentar no festival.

Apesar das dificuldades, houve momentos positivos, como a performance de “My ex’s best friend”, que encerrou sua apresentação.

Ainda assim, a escolha do artista para uma noite voltada ao rock pesado não conseguiu produzir a conexão esperada com grande parte da plateia.

Nelly encerra ranking dos piores shows

O primeiro lugar entre os shows considerados menos satisfatórios ficou com Nelly.

O rapper se apresentou no terceiro dia do festival, marcado por chuva e por uma programação voltada à nostalgia dos anos 2000.

A proposta foi simples: Nelly, um DJ e um rapper de apoio comandando uma grande festa.

O problema, segundo a avaliação, foi a falta de uma estrutura artística mais elaborada.

O show contou com poucas transições planejadas, ausência de uma banda de apoio e pouco aproveitamento do enorme telão disponível no palco.

A apresentação funcionou melhor quando Nelly cantou seus próprios sucessos. Quando recorreu a trechos curtos de músicas de outros artistas, a resposta do público foi menos intensa.

Ainda assim, a plateia participou em alguns dos principais hits do rapper, mostrando que existe uma forte memória afetiva relacionada às músicas que marcaram aquela geração.

Um festival de acertos, erros e momentos inesquecíveis

O primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 deixou claro que grandes festivais são construídos por muito mais do que nomes famosos no cartaz.

Uma apresentação pode reunir um artista mundialmente consagrado e, ainda assim, não funcionar diante de determinado público. Da mesma forma, uma escolha ousada de repertório pode transformar um show em uma das grandes surpresas da noite.

Elton John mostrou a força de um repertório histórico. Bring Me The Horizon provou que a energia do público pode transformar um espetáculo. Péricles surpreendeu ao explorar um território musical diferente, enquanto Foo Fighters e Jon Batiste também deixaram suas marcas.

Do outro lado, Luísa Sonza, Hot Milk, MGK e Nelly enfrentaram diferentes dificuldades para transformar suas apresentações em grandes momentos do festival.

No fim, essa variedade também faz parte da essência do Rock in Rio. Em quatro dias, o público teve contato com estilos, gerações e propostas completamente diferentes.

E, entre grandes acertos e apresentações que não funcionaram tão bem, o primeiro fim de semana do festival já deixou uma certeza: o Rock in Rio 2026 continua sendo um dos maiores palcos para artistas que desejam marcar a história diante de uma multidão.