Mônica Salmaso dá voz a clássicos e raridades de Tom Jobim no espetáculo “Tom”, ao lado do violonista João Camarero e do flautista e saxofonista Teco Cardoso. A apresentação celebra a riqueza da obra de um dos maiores compositores da música brasileira e ganha um significado ainda mais especial com a proximidade do centenário de nascimento de Antonio Carlos Jobim, que será celebrado em 2027.

É nesse contexto que o espetáculo “Tom”, protagonizado pela cantora Mônica Salmaso ao lado do violonista João Camarero e do flautista e saxofonista Teco Cardoso, volta a São Paulo para uma apresentação única no dia 24 de setembro, no Teatro Iguatemi.

O encontro reúne três artistas reconhecidos pela relação cuidadosa com a música brasileira e propõe uma interpretação que valoriza não apenas as canções mais populares de Jobim, mas também obras que permaneceram fora do repertório mais conhecido do público.

A escolha do repertório transforma o espetáculo em uma espécie de viagem pela trajetória musical do compositor, passando por diferentes períodos de sua produção e revelando a diversidade de sua obra.

Um encontro dedicado à obra de Tom Jobim

Mônica Salmaso é conhecida por uma interpretação marcada pelo lirismo, pela precisão e pelo respeito às características originais das canções brasileiras.

Ao lado de João Camarero, responsável pelo violão de sete cordas, e Teco Cardoso, que participa com flauta, flauta de bambu e sax tenor, a cantora encontra uma formação intimista para apresentar as composições de Jobim.

O formato do espetáculo permite que as músicas sejam valorizadas em seus detalhes.

Em vez de apostar em uma produção grandiosa, “Tom” se concentra na força das próprias canções, na voz de Mônica e na interação entre os instrumentos.

Essa escolha dialoga diretamente com a sofisticação da obra de Jobim, cuja música atravessou fronteiras e se tornou uma das principais referências brasileiras no cenário internacional.

Clássicos que atravessaram gerações

O repertório inclui algumas das composições mais conhecidas de Tom Jobim.

Entre elas está “Águas de Março”, uma das canções mais emblemáticas da música brasileira e uma obra que se tornou conhecida mundialmente.

Também fazem parte do espetáculo músicas como “Chovendo na Roseira”, “Luiza”, “Triste”, “Por Causa de Você”, “Estrada do Sol” e “O Morro Não Tem Vez”.

Cada uma dessas composições revela diferentes aspectos do universo musical de Jobim.

Há canções marcadas pelo romantismo, outras pela observação da natureza, pela poesia ou pela relação com a cidade e a cultura brasileira.

O espetáculo também apresenta “Correnteza”, parceria de Tom Jobim e Luiz Bonfá, além de “O Que Tinha de Ser” e “Piano na Mangueira”, esta última composta em parceria com Chico Buarque.

Outro momento especial do repertório é “Tema de Amor de Gabriela”, composição associada à obra audiovisual inspirada no universo de Jorge Amado.

Ao reunir essas músicas, o espetáculo apresenta ao público diferentes fases da carreira do compositor.

As raridades ganham espaço

Mas talvez um dos maiores diferenciais de “Tom” esteja justamente nas escolhas menos óbvias.

O trio também recupera músicas que não possuem a mesma popularidade dos grandes standards de Jobim, mas que ajudam a revelar a dimensão e a riqueza de sua produção.

Entre elas estão “Boto”, parceria com Jararaca, “Canção em Modo Menor”, feita com Vinicius de Moraes, e “Meninos, Eu Vi”, parceria com Chico Buarque.

O repertório ainda inclui “O Tempo e o Vento”, “Olha pro Céu”, “Pato Preto” e “Sucedeu Assim”, composta por Jobim em parceria com Marino Pinto.

A presença dessas músicas amplia a experiência do espetáculo.

Para quem já conhece a obra do compositor, é uma oportunidade de reencontrar canções menos executadas. Para quem está tendo contato com esse repertório pela primeira vez, o show pode funcionar como uma porta de entrada para uma parte menos explorada da produção de Jobim.

A preparação para o centenário

O retorno de “Tom” acontece em um momento particularmente simbólico.

Em 25 de janeiro de 2027, serão completados 100 anos do nascimento de Antonio Carlos Jobim. O compositor nasceu em 1927 e morreu em 8 de dezembro de 1994, deixando uma obra que permanece presente na cultura brasileira.

O centenário deve provocar uma série de homenagens, shows, exposições, lançamentos e projetos especiais dedicados à sua trajetória.

Nesse cenário, a retomada do espetáculo ganha ainda mais significado.

Mesmo sem ter sido anunciado oficialmente um novo registro fonográfico, a possibilidade de que “Tom” seja transformado em álbum ao vivo ou em uma gravação de estúdio durante o período do centenário aparece como uma expectativa natural diante da relevância do projeto.

Por enquanto, entretanto, o foco está no palco e na experiência proporcionada pelo encontro entre os três músicos.

A estreia do espetáculo

“Tom” estreou em 11 de junho de 2025, durante o Jardim Sonoro – Festival de Música de Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais.

A apresentação marcou o início de uma proposta que buscava aproximar o público de diferentes momentos da obra de Jobim.

Posteriormente, o espetáculo foi reapresentado em 26 de outubro de 2025, na Casa de Francisca, em São Paulo.

Agora, o projeto retorna à capital paulista para uma apresentação única no Teatro Iguatemi, no dia 24 de setembro.

O retorno demonstra que a proposta encontrou espaço entre os admiradores da música brasileira e segue despertando interesse justamente por combinar reconhecimento e descoberta.

Mônica Salmaso e a responsabilidade de interpretar Jobim

Interpretar Tom Jobim é um desafio para qualquer cantor ou instrumentista.

Suas melodias são conhecidas por sua sofisticação, enquanto suas harmonias ajudaram a estabelecer uma nova linguagem para a música brasileira, especialmente a partir da consolidação da Bossa Nova.

Nesse contexto, a interpretação de Mônica Salmaso ganha importância.

A cantora construiu sua carreira valorizando a música brasileira e desenvolvendo uma maneira própria de interpretar diferentes compositores.

Em “Tom”, sua voz se coloca a serviço de um repertório que exige delicadeza e atenção aos detalhes.

Não se trata simplesmente de reproduzir gravações conhecidas, mas de encontrar novas possibilidades para canções que já fazem parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.

O violão de sete cordas e os sopros

A formação instrumental também contribui para a personalidade do espetáculo.

João Camarero utiliza o violão de sete cordas, instrumento tradicionalmente associado ao choro e a diferentes formas de música brasileira.

Sua presença cria uma base rica para as interpretações e permite explorar detalhes harmônicos das composições.

Teco Cardoso, por sua vez, amplia as possibilidades sonoras com flauta, flauta de bambu e sax tenor.

O diálogo entre os instrumentos cria um ambiente musical capaz de valorizar tanto as melodias quanto as harmonias de Jobim.

A formação reduzida também permite maior interação entre os músicos.

Cada instrumento pode ocupar seu espaço sem que a voz seja encoberta, criando uma experiência mais próxima e intimista.

Tom Jobim continua atual

Quase três décadas depois de sua morte, Tom Jobim continua sendo uma referência fundamental para a música brasileira.

Suas composições atravessaram gerações e permanecem presentes em diferentes contextos, desde apresentações de grandes orquestras até pequenas rodas de músicos.

Sua influência também ultrapassou as fronteiras do Brasil.

A Bossa Nova ajudou a apresentar ao mundo uma nova imagem da música brasileira, e Jobim esteve no centro desse movimento.

Suas melodias foram gravadas por artistas brasileiros e estrangeiros e continuam sendo reinterpretadas por novas gerações.

Essa capacidade de permanecer atual talvez seja uma das maiores demonstrações da força de sua obra.

Um convite para ouvir além dos clássicos

Ao colocar no mesmo palco grandes sucessos e músicas raras, “Tom” propõe algo que vai além de uma homenagem convencional.

O espetáculo convida o público a ouvir Jobim novamente, mas também a descobrir um compositor que possui uma produção muito maior do que os títulos mais conhecidos.

“Águas de Março”, “Luiza” e “Triste” continuam tendo espaço porque fazem parte da memória coletiva. Mas músicas menos executadas ajudam a mostrar que o universo criativo de Jobim era ainda mais amplo.

Essa combinação torna o espetáculo especialmente relevante às vésperas do centenário.

Serviço

O espetáculo “Tom”, com Mônica Salmaso, João Camarero e Teco Cardoso, será apresentado no dia 24 de setembro, em sessão única, no Teatro Iguatemi, em São Paulo.

A apresentação reúne clássicos e raridades do repertório de Tom Jobim em uma formação intimista, marcada pela voz, pelo violão de sete cordas e pelos instrumentos de sopro.

Para os admiradores da música brasileira, o espetáculo representa uma oportunidade de revisitar algumas das canções que ajudaram a construir a identidade musical do país e, ao mesmo tempo, descobrir composições menos conhecidas de um artista cuja obra continua viva.

À medida que o Brasil se aproxima do centenário de nascimento de Tom Jobim, iniciativas como “Tom” ajudam a manter sua música em movimento.

Porque homenagear um compositor como Jobim não significa apenas olhar para o passado. Significa permitir que suas melodias continuem sendo descobertas, interpretadas e sentidas por novas gerações.