Um erro de ortografia em uma mensagem de WhatsApp acabou se tornando uma das principais pistas para a polícia desvendar o assassinato de Rodolfo Augusto Bassi, de 61 anos, na cidade de Paraná, capital da província de Entre Ríos, na Argentina. O detalhe aparentemente simples chamou a atenção da companheira da vítima e ajudou a revelar que a mensagem enviada pelo celular do homem provavelmente não havia sido escrita por ele.

O caso começou a ser descoberto no início de setembro e ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (10), quando a polícia argentina prendeu dois operários da construção civil, identificados como Carlos Gastón Aguilar, de 49 anos, e Claudio Ramón Inofre, de 52. Os dois são acusados de envolvimento na morte de Rodolfo.

Segundo informações divulgadas pelo jornal argentino Infobae, a investigação começou depois que a companheira da vítima percebeu uma série de comportamentos incomuns nas mensagens recebidas pelo celular de Rodolfo.

O que inicialmente poderia parecer apenas uma conversa cotidiana acabou revelando uma contradição importante. Uma palavra escrita de maneira incorreta despertou a desconfiança da mulher, que conhecia os hábitos e a forma de escrever do companheiro.

Mensagem levantou suspeitas

No dia 1º de setembro, a companheira de Rodolfo tentou entrar em contato com ele por meio do WhatsApp. A mensagem recebeu uma resposta informando que o homem estaria trabalhando em um apartamento.

Algumas horas depois, porém, a situação mudou.

Quando a mulher tentou falar novamente com Rodolfo, as mensagens deixaram de ser entregues. Diante da ausência de respostas e da dificuldade de contato, ela decidiu ir até o imóvel onde acreditava que ele estava trabalhando.

Rodolfo não foi encontrado no local.

No dia seguinte, uma nova situação aumentou ainda mais a preocupação. A marca de verificação dupla do WhatsApp voltou a aparecer, indicando que o telefone havia se conectado novamente à internet.

A companheira decidiu então pedir que Rodolfo enviasse uma mensagem de texto ou um áudio para confirmar que estava bem. Ela também avisou que procuraria a polícia e registraria um boletim de ocorrência caso ele não respondesse.

Foi nesse momento que surgiu a pista que mudaria os rumos da investigação.

A palavra que entregou a suspeita

Uma mensagem foi enviada pelo telefone de Rodolfo: “Hola, estoy bolviendo de Rosario, Moni. Nos hablamos”.

Em tradução livre, a frase significa: “Oi, estou voltando de Rosário, Moni. Nos falamos”.

O problema estava justamente na palavra “bolviendo”.

Na língua espanhola, a forma correta é “volviendo”, com a letra “v”. A utilização do “b” chamou a atenção da companheira de Rodolfo porque, segundo as informações divulgadas sobre o caso, ela sabia que ele não tinha viajado para Rosário.

Mais do que uma simples falha de escrita, o erro levantou a possibilidade de que outra pessoa estivesse utilizando o telefone da vítima.

A mulher decidiu confiar na própria percepção e procurou as autoridades.

O registro do desaparecimento fez com que a polícia passasse a investigar o paradeiro de Rodolfo e as circunstâncias que envolviam as últimas mensagens enviadas pelo celular.

Corpo encontrado em apartamento

Durante as diligências, os policiais localizaram o corpo de Rodolfo em um apartamento situado na Rua Churruarín, em Paraná.

Segundo informações atribuídas ao Infobae, a vítima foi encontrada em uma situação que indicava que havia sido submetida a violência. Um fio prendia o pescoço às mãos e outro estava preso às pernas.

A descoberta transformou o caso de desaparecimento em uma investigação de homicídio.

A polícia passou a reconstruir os últimos momentos da vítima e a analisar os indícios encontrados no imóvel. O conteúdo das mensagens também ganhou importância para compreender quem poderia estar utilizando o telefone de Rodolfo depois de sua morte.

A autópsia preliminar teria apontado que o homem sofreu três golpes na cabeça e teve uma fratura no crânio.

Os ferimentos reforçaram a hipótese de que a morte ocorreu após uma agressão violenta.

Dois suspeitos são presos

Nesta quinta-feira (10), as autoridades argentinas prenderam dois homens identificados como Carlos Gastón Aguilar, de 49 anos, e Claudio Ramón Inofre, de 52.

Os dois são operários da construção civil e foram apontados pelas autoridades como suspeitos de participação no assassinato.

A investigação busca esclarecer qual teria sido a relação entre os suspeitos e a vítima, além de determinar a dinâmica do crime e a possível motivação.

Os homens foram acusados de homicídio qualificado, com agravante relacionado à intenção de encobrir outro crime.

Como o processo ainda está em andamento, as acusações deverão ser analisadas pelas autoridades competentes. A prisão dos investigados não representa, por si só, uma condenação definitiva.

Uma investigação marcada por um detalhe incomum

Casos policiais frequentemente avançam a partir de grandes evidências, como imagens de câmeras de segurança, impressões digitais, objetos encontrados no local do crime ou informações fornecidas por testemunhas.

No caso de Rodolfo, porém, um detalhe aparentemente pequeno acabou assumindo grande importância: a maneira como uma única palavra foi escrita.

A companheira da vítima conhecia sua rotina, sabia que ele não estava viajando para Rosário e reconheceu algo estranho na mensagem recebida.

O erro de ortografia, isoladamente, não seria suficiente para provar um crime. Mas, diante de outras circunstâncias — como o desaparecimento, a interrupção das mensagens e a localização posterior do corpo —, tornou-se uma pista relevante para a investigação.

O episódio mostra como pessoas próximas às vítimas podem contribuir de maneira decisiva para uma investigação criminal. O conhecimento sobre hábitos, rotina e formas de comunicação pode ajudar investigadores a identificar inconsistências que, em um primeiro momento, poderiam passar despercebidas.

O celular virou peça importante da investigação

A utilização do telefone de Rodolfo após seu desaparecimento também deverá ser analisada pelas autoridades.

Mensagens enviadas, horários de conexão e outros registros digitais podem ajudar a reconstruir os acontecimentos posteriores ao desaparecimento. Esse tipo de informação se tornou cada vez mais importante em investigações criminais, principalmente em casos nos quais suspeitos tentam criar uma falsa impressão de que a vítima ainda está viva ou em outro lugar.

No caso argentino, a mensagem sobre uma suposta viagem a Rosário teria produzido justamente esse efeito.

Entretanto, a informação não convenceu a companheira da vítima. O erro na palavra “volviendo” e o fato de Rodolfo não ter viajado fizeram com que ela desconfiasse da situação e procurasse ajuda.

Caso continua sob investigação

Apesar das prisões, a investigação ainda não chegou ao fim. As autoridades argentinas deverão continuar reunindo provas para esclarecer todos os detalhes do assassinato.

A polícia deverá analisar os elementos encontrados no apartamento, os resultados completos da perícia e da autópsia, além de informações relacionadas ao telefone da vítima e às pessoas que tiveram contato com ela antes da morte.

Também será necessário determinar exatamente qual teria sido a participação de cada um dos dois suspeitos e se outras pessoas podem estar envolvidas no crime.

O caso chama atenção não apenas pela violência contra Rodolfo, mas também pela forma inusitada como uma investigação começou a ganhar força. Uma simples palavra escrita com uma letra diferente da habitual acabou despertando a percepção de uma mulher que conhecia bem o companheiro.

Em meio à tragédia, o detalhe ajudou a impedir que uma versão aparentemente comum sobre o paradeiro da vítima fosse aceita sem questionamentos.

Agora, caberá à investigação esclarecer o que aconteceu com Rodolfo Augusto Bassi, identificar todas as circunstâncias que levaram à sua morte e determinar, dentro do devido processo legal, a responsabilidade dos envolvidos.