O Prêmio Jabuti, uma das principais premiações da literatura e da produção editorial brasileira, anunciou nesta terça-feira (29) os semifinalistas de sua 68ª edição. A lista reúne autores, ilustradores, tradutores, editores e outros profissionais ligados ao universo do livro, em uma seleção que evidencia a diversidade da produção literária e cultural brasileira.

A divulgação foi feita pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pela organização da premiação. Neste ano, o Jabuti recebeu 4.675 obras e projetos inscritos, número que demonstra a dimensão da disputa e a variedade de trabalhos que chegam ao reconhecimento nacional.

A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para o dia 27 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista. O evento será realizado para convidados, mas o público poderá acompanhar a solenidade por meio de transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube.

Nesta edição, além da disputa pelo Livro do Ano, estão em jogo 23 categorias distribuídas em quatro grandes eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. A organização também promove mudanças e amplia o espaço dedicado às novas formas de aproximação entre livros, leitores e plataformas digitais.

Diversidade marca a seleção

O eixo Literatura reúne categorias que contemplam diferentes gêneros e públicos. Entre elas estão Conto, Crônica, Escritor Estreante – Poesia, Escritor Estreante – Romance, Histórias em Quadrinhos, Infantil, Juvenil, Poesia, Romance de Entretenimento e Romance Literário.

Na categoria Conto, aparecem obras como Anatomia de um nariz, de Roberto Atihé Curan; Caquinhos vermelhos, de Mário Medeiros; Nego tudo: ficções súbitas, de Andréa del Fuego; e Tranças de meninas: contos, de João Anzanello Carrascoza.

Na Crônica, estão títulos como 200 crônicas escolhidas, de Carlos Herculano Lopes; A crônica não mata: notas do isolamento, de Luís Henrique Pellanda; Histórias miseráveis, de José Castello; e Viagem no país da crônica, de Humberto Werneck.

A categoria Escritor Estreante – Poesia também apresenta uma seleção diversificada, com livros como Baleia, de Felipe Bier Nogueira; Borboleta Canhão, de Mariana Castro; Radiografia das árvores, de Ivana Fontes; e Um oceano devorará meu esconderijo, de Andressa Nunes.

Entre os estreantes no romance, aparecem títulos como Antes do início, de Ernesto Mané; Cantagalo, de Fernanda Teixeira Ribeiro; Horas azuis, de Bruna Dantas Lobato; e Sutura, de Roberta Barbosa.

Histórias em quadrinhos, infantil e juvenil

O Jabuti também mantém espaço para diferentes formas de narrativa e para leitores de várias idades. Na categoria Histórias em Quadrinhos, a lista inclui Como fazer amigos e enfrentar vampiros, de Eric Peleias e Gustavo Borges; Kabuki: verão, outono, inverno, primavera, de Guilherme Petreca e Tiago Minamisawa; Reparações, de Marcelo Lelis; e Você precisa saber de mim, de Helena Cunha.

Na literatura infantil, estão entre os semifinalistas títulos como A baleia bailarina, de Roberta Moysés; A letra, de Leo Cunha e Raquel Matsushita; Artur e Isadora na cidade subterrânea, de Braulio Tavares; Meu, de Alexandre Rampazo; e Ximlóp, de Gustavo Piqueira.

Já a categoria Juvenil reúne obras como A descoberta que mudou minha vida, de Ingrid Haas; As figuras do nosso prédio, de José Roberto Torero e Leo Cunha; A única da sala, de Tathyana Viana; Diário de Alice: memórias de uma menina autista, de Roger Trimer; e Uma Maria, de Shirley Souza.

Poesia e romances também ganham destaque

Na categoria Poesia, a seleção traz nomes como Adriana Lisboa, Adélia Prado, Alberto Martins, Edimilson de Almeida Pereira e Nina Rizzi, entre outros autores.

Entre os títulos estão Antes de dar nomes ao mundo, de Adriana Lisboa; Diáspora não é lar, de Nina Rizzi; Noite devorada, de Mar Becker; e O jardim das oliveiras, de Adélia Prado.

No Romance de Entretenimento, aparecem autores como André Vianco, Ian Fraser, Lucas Mota e Fernando Lomardo.

Já o Romance Literário reúne nomes de destaque da literatura brasileira contemporânea, como Itamar Vieira Junior, Milton Hatoum, Eliana Alves Cruz, Aline Bei e Cristovão Tezza.

Entre os títulos selecionados estão Coração sem medo, de Itamar Vieira Junior; Dança de enganos, de Milton Hatoum; Meridiana, de Eliana Alves Cruz; Uma delicada coleção de ausências, de Aline Bei; e Visita ao pai, de Cristovão Tezza.

Não Ficção amplia o olhar sobre o Brasil

O segundo grande eixo da premiação é Não Ficção. Ele reúne as categorias Artes, Biografia e Reportagem, Economia Criativa, Educação, Negócios e Saúde e Bem-estar.

Na área de Artes, estão trabalhos dedicados à cultura brasileira, à história, à ecologia e às manifestações artísticas. Entre os semifinalistas aparecem Abdias, intérprete do Brasil, organizado por Tulio Custódio; Amazônia negra, de Marcela Bonfim; Histórias da ecologia, organizado por Adriano Pedrosa, André Mesquita e Isabella Rjeille; e Teatro Experimental do Negro, de Guilherme Diniz.

Em Biografia e Reportagem, a seleção inclui obras sobre personagens históricos, cultura, comportamento e diferentes aspectos da sociedade brasileira. Entre os títulos estão João Gilberto e a insurreição bossa nova, de Tárik de Souza; Oswald de Andrade: mau selvagem, de Lira Neto; Quem é essa mulher?, de Virginia Siqueira Starling; e Trincheira tropical, de Ruy Castro.

Educação, negócios e novos desafios

A categoria Economia Criativa apresenta trabalhos relacionados a inovação, sustentabilidade, cultura e transformações no mercado de trabalho. Entre os semifinalistas está A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial, de Martha Gabriel.

Educação também ganhou uma seleção ampla, com obras que abordam formação docente, aprendizagem, diversidade e novas formas de ensinar.

Já em Negócios, aparecem livros sobre economia, investimentos, liderança, governança e transformações empresariais, incluindo trabalhos de autores como Mario Sergio Cortella, Juliana Rosa e Gabriela Blanchet.

Na categoria Saúde e Bem-estar, os semifinalistas abordam temas relacionados à longevidade, adolescência, medicina, relações humanas, cuidados paliativos e sofrimento.

Produção editorial também é reconhecida

O Jabuti não se limita ao conteúdo dos livros. A premiação também reconhece profissionais responsáveis por transformar uma obra em uma experiência editorial completa.

O eixo Produção Editorial reúne Capa, Ilustração, Projeto Gráfico e Tradução.

Entre os trabalhos selecionados na categoria Capa estão Ficção completa de Edgar Allan Poe, Mano a Mano, O devorador: Zé Celso, vida e arte e Vaqueiro de gibão.

Na categoria Ilustração, aparecem trabalhos como A torre, Delivery, Eletricista, Guernica: a arte em busca da paz, Pinóquio e Samaumeira: a árvore da vida.

O reconhecimento se estende ainda aos projetos gráficos e às traduções, valorizando profissionais que muitas vezes trabalham longe dos holofotes, mas são fundamentais para a qualidade e circulação das obras.

Cultura digital entra definitivamente no Jabuti

Uma das novidades desta edição está no eixo Inovação. A categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital foi criada para reconhecer criadores de conteúdo que utilizam plataformas digitais para valorizar os livros e estimular a formação de leitores.

O público poderá participar diretamente dessa etapa por meio de votação popular. A votação começou nesta terça-feira (29) e seguirá até 9 de outubro, às 12h. Os cinco finalistas serão anunciados em 14 de outubro.

Segundo o curador do Prêmio Jabuti, Hubert Alquéres, a nova categoria acompanha uma mudança na relação entre leitores e livros, considerando o papel que as plataformas digitais passaram a desempenhar na descoberta de obras, nas recomendações e na formação de comunidades de leitura.

O eixo Inovação também contempla Incentivo à Leitura – Projeto e Livro Brasileiro Publicado no Exterior. Nesta última categoria estão títulos brasileiros que ganharam edições em outros países, mostrando a circulação internacional da literatura produzida no Brasil.

Mudança na disputa pelo Livro do Ano

Outra novidade importante está na disputa pelo Livro do Ano. A partir desta edição, obras inscritas nas categorias Escritor Estreante – Poesia e Escritor Estreante – Romance também poderão concorrer ao principal título da premiação.

O vencedor do Livro do Ano receberá a estatueta do Jabuti e R$ 70 mil. Além do prêmio financeiro, terá a possibilidade de escolher participar de uma das principais feiras internacionais do livro: Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara. As despesas serão custeadas pela CBL, que também prevê uma programação de palestras e encontros profissionais durante o evento.

Os vencedores das 23 categorias receberão a estatueta do Jabuti e R$ 5 mil.

Uma celebração da literatura brasileira

Mais do que uma competição, a nova etapa do Prêmio Jabuti representa um momento de visibilidade para toda a cadeia do livro. Escritores, ilustradores, tradutores, capistas, designers, editores e projetos de incentivo à leitura passam a ocupar o mesmo espaço de reconhecimento.

A presidente da CBL, Sevani Matos, destacou justamente a importância de chegar à etapa dos semifinalistas, ressaltando a visibilidade que o Jabuti oferece aos profissionais envolvidos na criação e circulação dos livros.

Com milhares de inscrições e uma seleção distribuída entre literatura, não ficção, produção editorial e inovação, a 68ª edição mostra um mercado editorial em transformação, sem deixar de lado a força dos formatos tradicionais.

Agora, autores e profissionais aguardam a próxima etapa da disputa. O encontro definitivo acontecerá em 27 de outubro, quando serão conhecidos os vencedores das categorias e o Livro do Ano, em uma cerimônia que reunirá diferentes gerações e áreas da produção literária brasileira.