O compositor e violonista baiano Cézar Mendes prepara o lançamento de “Itapuano”, seu segundo álbum, que chega às plataformas no dia 30 de outubro. O trabalho reúne um elenco de artistas consagrados, entre eles Alice Caymmi, Adriana Calcanhotto, Marisa Monte, Chico Buarque, Caetano Veloso, Mônica Salmaso e Sophie Charlotte, em um repertório de 12 faixas que valoriza a diversidade da música brasileira e a trajetória autoral do artista.
Com gravações realizadas entre agosto de 2025 e março de 2026, no Estúdio Sarapuí, no Rio de Janeiro, o álbum apresenta canções inéditas e releituras de composições que já fazem parte da história musical de Cézar Mendes. O projeto também reforça a parceria criativa com Arnaldo Antunes, responsável por letras e composições ao lado do músico em boa parte do repertório.
Conhecido principalmente por seu trabalho como compositor e violonista, Mendes também assume a voz em cinco das 12 faixas do novo disco. A experiência amplia sua atuação artística e dá continuidade a uma trajetória que, nos últimos anos, passou a incluir apresentações como cantor.
Um encontro de gerações da música brasileira
“Itapuano” aposta na combinação de diferentes estilos, gerações e interpretações. Além dos nomes já conhecidos do público, o álbum conta com participações de Antonio Zambujo, Moreno Veloso, Tom Veloso, Pedro Miranda e Mario Adnet, que também assina a produção e os arranjos do trabalho.
A presença de artistas com trajetórias distintas ajuda a construir uma identidade musical marcada pela pluralidade. Em vez de concentrar o repertório em uma única voz ou abordagem, Cézar Mendes distribui as canções entre intérpretes que imprimem características próprias a cada composição.
O resultado é um projeto que valoriza tanto a força das melodias quanto a interpretação vocal. A participação de nomes consagrados da música brasileira também reforça a relação de confiança artística construída por Mendes ao longo dos anos.
Essa proposta não é inédita na carreira do compositor. Em 2018, ele lançou “Depois enfim”, seu primeiro álbum, que contou com participações de Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Djavan, Fernanda Montenegro, Marisa Monte, Moreno Veloso e Tom Veloso, entre outros convidados.
Com “Itapuano”, o artista retoma essa fórmula colaborativa, ampliando o diálogo com intérpretes de diferentes universos musicais e apresentando novas possibilidades para canções já conhecidas e composições inéditas.
A parceria com Arnaldo Antunes como eixo do repertório
Um dos principais elementos do novo álbum é a parceria entre Cézar Mendes e Arnaldo Antunes, iniciada há mais de duas décadas. A colaboração começou a ganhar destaque em 2004, quando Arnaldo gravou “Itapuana” no álbum “Saiba”.
A canção retorna agora em uma nova interpretação, desta vez com a voz de Mônica Salmaso, acompanhada pelo próprio Cézar Mendes. A releitura estabelece uma ligação entre o início dessa parceria e o momento atual da carreira do compositor.
Ao longo dos anos, Mendes e Antunes desenvolveram um repertório que combina melodias elaboradas, letras expressivas e liberdade na construção musical. Essa relação criativa ocupa espaço importante em “Itapuano”, que reúne composições de diferentes períodos e apresenta novas músicas escritas pela dupla.
Entre as faixas estão “Papel de bobo”, “Apenas milagre” e “Colibri”, todas com lançamento em disco previsto para este projeto. As canções inéditas convivem com obras compostas anteriormente, criando um percurso que atravessa diferentes momentos da parceria.
A presença de Marisa Monte em “Amor se acalme”, composição assinada por Cézar Mendes, Arnaldo Antunes e pela própria cantora, também evidencia a proximidade entre o compositor e artistas que contribuíram para consolidar sua trajetória.
“João” antecipa o lançamento do álbum
O público teve uma primeira amostra do projeto com o lançamento do single “João”, anunciado em setembro. A música, composta por Cézar Mendes e Arnaldo Antunes em 2020, é interpretada por Caetano Veloso e presta homenagem à importância de João Gilberto para a música brasileira.
A faixa abre o repertório de “Itapuano” e reúne um time de instrumentistas de destaque. Mario Adnet assina o violão e o arranjo, enquanto Marcos Nimrichter participa ao piano, Jorge Helder toca baixo e Marcelo Costa assume a bateria. A gravação também conta com flautas de Eduardo Neves e cordas da St. Petersburg Studio Orchestra.
A escolha de Caetano Veloso para interpretar a composição aproxima diferentes capítulos da história da música brasileira. A homenagem a João Gilberto se conecta à tradição musical da Bahia, estado de origem de Cézar Mendes e de artistas fundamentais para a consolidação da bossa nova e da música popular brasileira.
A canção funciona como porta de entrada para o universo do álbum, que transita entre a memória musical, as relações de parceria e a renovação de um repertório construído ao longo de décadas.
Releituras ganham novas vozes
Além das músicas inéditas, “Itapuano” recupera composições de outros anos, agora apresentadas por intérpretes convidados.
“Também pede bis”, de 2018, ganha as vozes de Chico Buarque e Cézar Mendes. Já “O culpado é o cupido”, de 2023, conta com Adriana Calcanhotto e Mendes. Em “Enquanto passa outro verão”, composição de 2021, a interpretação fica a cargo da atriz e cantora Sophie Charlotte.
A presença de Sophie Charlotte amplia o encontro entre diferentes áreas da cultura brasileira. Conhecida por sua carreira na televisão e no cinema, ela participa do projeto como intérprete de uma das canções do repertório.
Alice Caymmi assume os vocais de “Papel de bobo”, composição inédita de Cézar Mendes e Arnaldo Antunes. A faixa também reúne o violonista e arranjador Mario Adnet, além de Jaques Morelenbaum no violoncelo, Marcos Nimrichter ao piano, Jorge Helder no baixo e Marcelo Costa na bateria.
Outra composição inédita é “Apenas milagre”, interpretada pelo cantor português Antonio Zambujo. A participação aproxima o álbum de uma tradição musical que dialoga com a canção brasileira e portuguesa, sem deixar de lado a identidade autoral do projeto.
O repertório ainda inclui “Umbigo”, com Tom Veloso; “Se não dá, não dá”, interpretada por Moreno Veloso; “Desistiu de mim”, com Pedro Miranda e Cézar Mendes; e “Colibri”, na voz de Mario Adnet ao lado do compositor baiano.
Mario Adnet assina produção e arranjos
A unidade sonora do álbum tem participação importante de Mario Adnet, responsável pela produção musical e pelos arranjos. O trabalho instrumental reúne músicos experientes, com participações de Marcos Nimrichter, Jorge Helder, Antonio Neves, Marcelo Costa, Ana Rabello, Marcus Thadeu, Eduardo Neves, Aquiles Moraes, Everson Moraes, Cristiano Alves, Leonardo Amuedo, Daniel Jobim e Jaques Morelenbaum.
As formações variam de acordo com cada faixa. Há canções com piano, baixo, bateria e violão, enquanto outras recebem instrumentos de sopro, cavaquinho, acordeom, guitarra, violoncelo e arranjos de cordas.
A participação da St. Petersburg Studio Orchestra em algumas gravações acrescenta outra dimensão às composições, enquanto os arranjos mantêm espaço para as vozes e para a interpretação de cada convidado.
Essa diversidade de instrumentação ajuda a diferenciar as faixas e reforça a proposta de um álbum construído a partir do encontro entre compositores, intérpretes e instrumentistas.
Da composição ao protagonismo como cantor
Nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Cézar Mendes ganhou projeção em 1998 como parceiro de Caetano Veloso na música “Aquele frevo axé”, que deu nome ao álbum de Gal Costa lançado naquele ano.
Desde então, construiu uma trajetória ligada à composição e ao violão, mantendo relações artísticas com nomes importantes da música brasileira. O primeiro álbum, “Depois enfim”, lançado em 2018, já demonstrava sua disposição para reunir diferentes intérpretes em torno de suas canções.
Em fevereiro de 2024, Mendes deu um passo adicional ao se apresentar como cantor em um show realizado em Salvador. A experiência abriu uma nova etapa em sua carreira e se reflete agora em “Itapuano”, no qual ele assume os vocais em cinco músicas.
O novo trabalho representa, assim, a continuidade de uma trajetória construída por meio de parcerias, composições e encontros musicais. Ao reunir artistas consagrados, novas interpretações e músicas inéditas, Cézar Mendes apresenta um projeto que conecta diferentes gerações e reafirma a força da colaboração na música brasileira.
Com lançamento marcado para 30 de outubro, “Itapuano” chega como um registro da diversidade artística do compositor baiano e de sua relação duradoura com a canção brasileira. O álbum reúne histórias, vozes e sonoridades em torno de um repertório que percorre mais de duas décadas de criação musical.
















