O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, em alta diante da atenção dos investidores voltada para a política monetária dos Estados Unidos e para as perspectivas fiscais do Brasil. Por volta das 9h, a moeda americana avançava 0,16%, cotada a R$ 5,3586. As negociações do Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, estavam previstas para começar às 10h.
O movimento ocorre em um ambiente de cautela nos mercados internacionais. A expectativa em torno da decisão do Federal Reserve (Fed), banco central americano, divide a atenção com as discussões sobre os rumos da economia brasileira, especialmente em relação ao controle dos gastos públicos, à dívida do governo e às medidas anunciadas pela equipe econômica.
Para quem acompanha o mercado financeiro, a cotação do dólar vai além dos números exibidos nas telas. A moeda americana influencia os custos de produtos importados, combustíveis, componentes industriais e insumos utilizados por diferentes setores da economia. Dependendo da intensidade e da duração das oscilações, seus efeitos podem chegar ao orçamento das famílias e aos custos das empresas.
Decisão do Federal Reserve concentra expectativas
O principal acontecimento previsto para esta quarta-feira é a nova decisão de política monetária do Federal Reserve. A instituição define a taxa básica de juros dos Estados Unidos, uma referência importante para o fluxo internacional de investimentos e para as condições de financiamento da maior economia do mundo.
Segundo as informações de mercado citadas no levantamento divulgado nesta manhã, a maioria dos investidores esperava a manutenção dos juros americanos. Além da decisão, o mercado acompanha as declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
A manutenção das taxas pode indicar que a autoridade monetária considera necessário continuar avaliando os dados econômicos antes de promover mudanças. Por outro lado, qualquer sinalização sobre futuros cortes ou aumentos pode alterar rapidamente as expectativas dos investidores.
Quando os juros americanos permanecem elevados, aplicações financeiras nos Estados Unidos tendem a oferecer retornos relativamente mais atraentes. Isso pode estimular a transferência de recursos para ativos considerados mais seguros, reduzindo o interesse por investimentos em mercados emergentes, como o brasileiro.
Esse movimento pode pressionar moedas de países em desenvolvimento, inclusive o real. Entretanto, o comportamento do câmbio depende de vários fatores simultâneos, como a situação fiscal doméstica, o desempenho das commodities, a percepção de risco e as perspectivas de crescimento econômico.
Por isso, a decisão do Fed é acompanhada de perto tanto por investidores estrangeiros quanto por empresas brasileiras que dependem de operações internacionais.
Situação fiscal brasileira preocupa investidores
No cenário doméstico, a atenção está concentrada nas contas públicas e nos compromissos assumidos pelo governo federal para equilibrar o orçamento. A preocupação aumentou em meio à pressão de investidores e empresários por medidas que fortaleçam a confiança na trajetória da dívida pública.
Na terça-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei para estabelecer expressamente o compromisso de alcançar o centro da meta fiscal em 2027.
A meta fiscal estabelece o resultado esperado para as contas do governo, considerando receitas e despesas dentro dos critérios definidos pelo regime fiscal. Atingir o centro da meta significa buscar o resultado de referência previsto, em vez de trabalhar apenas com os limites permitidos pelas regras.
Na prática, o compromisso pode exigir medidas adicionais para adequar os gastos às receitas disponíveis. Dependendo da evolução das contas públicas, o governo poderá precisar bloquear ou limitar despesas ao longo do ano para cumprir os objetivos estabelecidos.
A medida é observada com atenção porque o equilíbrio fiscal influencia a percepção de risco dos investidores. Quando há dúvidas sobre a capacidade do governo de controlar o endividamento, o mercado pode exigir remuneração maior para financiar o país, pressionando as taxas de juros e as condições de crédito.
Durigan afirmou que a equipe econômica pretende apresentar instrumentos que deem segurança jurídica ao cumprimento da meta.
“Depois da eleição, o presidente vai definir a equipe dele, depois a equipe vai apresentar quais serão essas medidas em termos de ajuste, em termos de perseguição da meta, para mostrar que o compromisso nosso, o compromisso desse governo do presidente é com responsabilidade fiscal”, declarou o ministro, conforme o relato divulgado.
O governo também avalia outras medidas destinadas a reforçar a confiança dos agentes econômicos. Os detalhes, contudo, ainda dependem de definições e de eventuais propostas oficiais.
Reforma tributária inclui regulamentação do Imposto Seletivo
Outro assunto que movimenta a agenda econômica é a regulamentação do Imposto Seletivo, conhecido popularmente como “imposto do pecado”. De acordo com o ministro da Fazenda, a equipe econômica se prepara para encaminhar ao Congresso uma proposta relacionada à cobrança do tributo.
Criado no contexto da reforma tributária sobre o consumo, o Imposto Seletivo tem como objetivo elevar a tributação de determinados produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Entre os itens previstos estão cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes. O tributo também pode alcançar determinados veículos, conforme critérios relacionados à poluição, além da extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports.
A cobrança está prevista para começar em 2027, conforme as regras de implementação da reforma tributária. A regulamentação deverá detalhar aspectos necessários à aplicação do imposto.
A medida é acompanhada por empresas, consumidores e investidores porque mudanças tributárias podem alterar preços, custos de produção e estratégias comerciais. Os efeitos finais dependerão das regras aprovadas e da maneira como cada setor será enquadrado.
A reforma tributária busca reorganizar a cobrança de impostos sobre o consumo, mas sua implementação exige atenção aos prazos, às normas complementares e aos impactos sobre diferentes atividades econômicas.
Petróleo permanece em patamar elevado
O mercado internacional de petróleo também contribui para o ambiente de cautela. Os preços da commodity continuaram elevados após informações divulgadas pelo The Wall Street Journal sobre orientações dos Estados Unidos a países do Golfo para que se preparassem para uma possível campanha militar contra o Irã, após as eleições legislativas previstas para 3 de novembro.
Por volta das 9h desta quarta-feira, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,16%, cotado a US$ 115,20. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 1,83%, negociado a US$ 101,73 por barril.
A valorização do petróleo pode ter reflexos importantes sobre a economia mundial. Quando a commodity sobe de maneira persistente, aumentam os custos relacionados ao transporte, à produção industrial e a diferentes cadeias de abastecimento.
No Brasil, os efeitos dependem de fatores como a política de preços dos combustíveis, o comportamento do câmbio e as condições do mercado interno. Uma alta prolongada pode contribuir para pressões inflacionárias, especialmente se os custos forem repassados aos consumidores.
O cenário geopolítico também amplia a incerteza, pois tensões no Oriente Médio podem afetar a oferta global de energia e provocar movimentos bruscos nos preços.
Bolsas asiáticas registram ganhos
Enquanto os investidores aguardavam a decisão do banco central americano, os mercados asiáticos encerraram a sessão predominantemente em alta.
As ações chinesas avançaram, acompanhando a recuperação de empresas ligadas à inteligência artificial após resultados financeiros mais otimistas da fabricante de chips SK Hynix. O Índice de Xangai e o CSI 300, que reúne grandes companhias chinesas, subiram 0,9%.
No Japão, o Nikkei avançou 1,08%. Já o Kospi, principal índice acionário da Coreia do Sul, registrou valorização de 6,63%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 0,23%.
Os movimentos mostram que o desempenho dos mercados não depende de um único fator. Resultados corporativos, perspectivas para o setor de tecnologia, condições econômicas regionais e expectativas sobre os juros americanos podem influenciar os investidores de maneiras diferentes.
A recuperação de ações ligadas à inteligência artificial contribuiu para melhorar o humor em parte da Ásia, embora a decisão do Fed continuasse sendo um dos principais eventos acompanhados globalmente.
O que observar ao longo do dia
Para o restante da sessão, os investidores devem acompanhar a decisão do Federal Reserve, as declarações de seus dirigentes, a movimentação do petróleo e as notícias relacionadas à política fiscal brasileira.
No mercado doméstico, a reação do dólar dependerá de como os agentes financeiros interpretarão tanto os acontecimentos internacionais quanto as propostas do governo para as contas públicas. A abertura em alta, isoladamente, não determina como a moeda encerrará o pregão.
Para consumidores e empresas, a volatilidade cambial merece atenção porque pode afetar o custo de produtos importados, viagens internacionais, contratos comerciais e insumos. Já para quem investe, o momento reforça a importância de avaliar riscos e evitar decisões precipitadas com base apenas nas oscilações de curto prazo.
A combinação de juros americanos, incertezas geopolíticas e expectativas fiscais brasileiras mantém o mercado em estado de vigilância. O comportamento do dólar e da Bolsa ao longo do dia deverá refletir a leitura dos investidores sobre esses fatores e sobre os sinais que surgirem das autoridades econômicas.
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