O dólar comercial iniciou a sessão desta terça-feira (3) em forte alta e chegou à cotação de R$ 5,5126 por volta das 9h, avanço de 1,21% em relação ao fechamento anterior. O movimento ocorre em um cenário de atenção redobrada dos investidores, que acompanham as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, indicadores da economia norte-americana e a expectativa pela próxima decisão sobre a taxa básica de juros no Brasil.
A abertura do mercado brasileiro acontece depois de uma semana marcada por perdas expressivas nos ativos nacionais. Na sexta-feira (30), o dólar encerrou o pregão próximo de R$ 5,44 e acumulou valorização superior a 9% ao longo da semana. No mesmo período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou uma desvalorização de 18,12%, uma das maiores quedas semanais desde a implantação do Plano Real.
As negociações do Ibovespa começaram às 10h desta terça-feira. A expectativa é que o comportamento dos mercados continue condicionado à combinação de fatores políticos, econômicos e monetários, tanto no Brasil quanto no exterior.
Eleições americanas concentram a atenção dos investidores
Um dos principais acontecimentos do dia é a realização das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms. A votação desta terça-feira definirá a composição de parte importante do Congresso norte-americano e poderá alterar a relação política entre o presidente Donald Trump e o Poder Legislativo.
Diferentemente do sistema brasileiro, o Congresso dos Estados Unidos passa por renovação parcial a cada dois anos. Neste pleito, estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos, com renovação de aproximadamente um terço da Casa a cada eleição.
O resultado é considerado relevante para o funcionamento do governo porque a composição do Congresso influencia a tramitação de projetos, a aprovação de despesas públicas, mudanças tributárias e propostas de regulamentação.
Atualmente, os republicanos possuem maioria nas duas Casas, mas com uma vantagem relativamente estreita. Uma eventual mudança no equilíbrio parlamentar poderá modificar as condições políticas para a aprovação de medidas defendidas pelo governo Trump durante os próximos dois anos.
Para o mercado financeiro, a disputa não se limita ao resultado eleitoral. Os investidores também avaliam como uma possível mudança na composição do Congresso poderá afetar a política fiscal dos Estados Unidos, a condução de medidas econômicas e as relações comerciais do país com outras economias.
Essas expectativas podem influenciar a percepção de risco dos investidores e provocar alterações na procura por ativos considerados mais seguros, entre eles o dólar. Em momentos de incerteza, a moeda norte-americana costuma receber maior atenção de investidores internacionais, embora sua cotação também dependa de fatores como juros, inflação, crescimento econômico e decisões dos bancos centrais.
Indicadores do mercado de trabalho também entram no radar
Além das eleições, os dados econômicos dos Estados Unidos são acompanhados de perto pelos agentes financeiros. Os indicadores relacionados ao emprego ajudam a avaliar a situação da economia e podem oferecer pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central norte-americano, conhecido como Fed.
Entre os dados previstos para esta terça-feira está o relatório JOLTS, que acompanha vagas de trabalho disponíveis, contratações e desligamentos. As informações ajudam a medir o nível de aquecimento do mercado de trabalho e a identificar possíveis mudanças na atividade econômica.
O comportamento do emprego é um dos elementos considerados pelo Fed na condução da política monetária. Quando a economia apresenta sinais de aquecimento, a autoridade monetária pode manter uma postura mais cautelosa para evitar pressões inflacionárias. Por outro lado, sinais de desaceleração podem influenciar as expectativas sobre futuras decisões de juros.
A taxa de juros norte-americana tem impacto que ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos. Como o dólar é uma das principais moedas utilizadas no comércio e nas transações internacionais, mudanças nas expectativas sobre os juros americanos podem afetar o fluxo de recursos entre diferentes países.
Para economias emergentes, como a brasileira, esse movimento merece atenção. Quando os títulos norte-americanos oferecem retornos considerados mais atrativos, parte dos investidores pode direcionar recursos para os Estados Unidos, reduzindo a procura por ativos de outros mercados.
Esse deslocamento pode pressionar moedas de países emergentes e aumentar a volatilidade nas bolsas de valores.
Copom decide juros no Brasil nesta quarta-feira
No cenário doméstico, outro acontecimento importante para os investidores é a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para esta terça e quarta-feira (3 e 4). A decisão sobre a taxa Selic está prevista para ser divulgada após o encerramento do segundo dia de reunião.
A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, conforme decisão anterior do Banco Central. A expectativa predominante no mercado é de manutenção desse patamar, diante das preocupações com a inflação, as condições econômicas e o cenário fiscal brasileiro.
A Selic é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o que pode reduzir o consumo e o ritmo de determinados investimentos. Em contrapartida, aplicações de renda fixa atreladas à taxa básica podem se tornar mais atrativas.
A decisão do Copom também influencia a percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil. A diferença entre os juros praticados no país e os oferecidos em outras economias pode afetar o interesse por aplicações financeiras nacionais e, consequentemente, o fluxo de dólares.
Além da decisão em si, o comunicado divulgado pelo Banco Central terá importância para o mercado. Os investidores deverão observar as avaliações da instituição sobre inflação, atividade econômica, expectativas futuras e riscos fiscais.
Uma sinalização de que os juros poderão permanecer elevados por mais tempo pode alterar as estratégias de investimento. Da mesma forma, qualquer indicação sobre a possibilidade de mudanças futuras na política monetária poderá provocar reações nos mercados.
Ibovespa acumulou uma das maiores quedas da história
A abertura desta terça-feira também acontece sob o impacto da forte desvalorização registrada pela Bolsa brasileira na semana anterior.
O Ibovespa encerrou o período até sexta-feira (30) com perda acumulada de 18,12%, após cinco pregões consecutivos de queda. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, com dados da B3, o resultado representa a quinta maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994.
O recuo igualou, com duas casas decimais, a perda registrada na semana dos atentados de 11 de setembro de 2001. Entre os episódios históricos de maior desvalorização estão a crise financeira asiática de 1997, quando o índice caiu 22,17%; a crise financeira global de 2008, com recuo de 20,01%; e o início da pandemia de Covid-19, em 2020, quando a perda chegou a 18,88%.
Diferentemente desses episódios, a queda registrada em outubro de 2026 teve como um de seus principais fatores a reação dos investidores ao cenário político brasileiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com análises divulgadas por especialistas do mercado, parte dos investidores havia considerado a possibilidade de uma mudança na condução da política econômica. Com o resultado eleitoral, houve uma revisão das expectativas e dos preços de ações negociadas na Bolsa.
Também contribuíram para o ambiente de cautela as preocupações com as contas públicas, as perspectivas para os juros e as incertezas sobre a condução econômica a partir de 2027.
É importante destacar que movimentos de queda nos índices não representam, isoladamente, uma avaliação definitiva sobre o desempenho futuro da economia. Eles refletem as expectativas e decisões dos investidores em determinado momento e podem mudar conforme novas informações são divulgadas.
Bolsas internacionais apresentam movimentos diferentes
Na Ásia, os mercados encerraram a sessão desta terça-feira com resultados variados. O índice SSEC, da Bolsa de Xangai, recuou 0,82%, enquanto o CSI 300, que reúne grandes empresas chinesas, apresentou queda de 0,20%.
Na Coreia do Sul, o Kospi registrou desvalorização de 3,59%. Em Hong Kong, o Hang Seng caminhou na direção oposta e fechou em alta de 0,57%. O mercado japonês permaneceu fechado.
As diferenças entre os resultados mostram que os investidores também consideram fatores específicos de cada economia, como perspectivas de crescimento, medidas de estímulo, desempenho das empresas e decisões de política econômica.
O que observar ao longo do dia
A trajetória do dólar e da Bolsa brasileira continuará dependendo da interpretação dos investidores sobre os acontecimentos nacionais e internacionais. As eleições norte-americanas, os indicadores de emprego, as expectativas sobre os juros dos Estados Unidos e a reunião do Copom formam um conjunto de fatores que pode aumentar a volatilidade.
Para consumidores e empresas brasileiras, a cotação do dólar tem reflexos que vão além do mercado financeiro. A moeda influencia os custos de produtos importados, insumos industriais, combustíveis e equipamentos, além de afetar viagens internacionais e operações comerciais realizadas em moeda estrangeira.
Uma valorização prolongada pode pressionar despesas de empresas que dependem de produtos ou matérias-primas importadas, com possíveis efeitos sobre os preços ao consumidor. Já para exportadores que recebem em dólar, a conversão da receita para reais pode representar um efeito diferente, dependendo dos custos e das condições de cada negócio.
Em um cenário de incerteza, acompanhar os indicadores e as decisões das autoridades econômicas é fundamental para compreender os movimentos do mercado. Mais do que observar a cotação registrada na abertura, os investidores estarão atentos às informações divulgadas ao longo do dia e às sinalizações que poderão orientar as próximas decisões financeiras.
















