O Irã rejeitou nesta segunda-feira (6/4) a proposta de reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um “cessar‑fogo temporário”
O Irã rejeitou nesta segunda-feira (6/4) a proposta de reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um “cessar‑fogo temporário”. Teerã avalia que Washington não demonstra disposição para negociar uma trégua permanente. A posição iraniana foi divulgada horas depois de ataques aéreos de Israel matarem o chefe da inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Majid Khademi, fato confirmado pelo próprio corpo militar.
Em comunicado divulgado no canal oficial da IRGC no Telegram, o grupo afirmou que Khademi, comandante-geral e responsável pela organização de inteligência do exército ideológico iraniano, morreu em um ataque conduzido na madrugada desta segunda, atribuindo a ação ao “inimigo americano‑sionista”. As informações são da agência Reuters
A tensão aumentou após uma sequência de declarações do presidente americano, Donald Trump, que intensificou as ameaças contra Teerã. Em sua plataforma Truth Social, o republicano afirmou que poderá ordenar ataques contra usinas de energia e pontes iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto, via estratégica pela qual transita cerca de um quinto do petróleo e gás exportado globalmente.
“Abram a porcaria do estreito, seus lunáticos, ou vocês vão viver no inferno – vocês verão!”, escreveu Trump, acrescentando “Glória a Alá””. Inicialmente, o presidente havia fixado um prazo até às 20h desta segunda, horário de Washington, para que o Irã retomasse o tráfego no estreito, “antes que eu desencadeie o inferno”.
Durante entrevista à Fox News, porém, afirmou acreditar haver “uma boa chance” de se chegar a um acordo.
Horas depois, Trump voltou atrás e adiou o ultimato para às 20h desta terça-feira (7/4), publicando apenas “Terça-feira, 20h, horário do leste dos EUA!” em sua plataforma.
Não é a primeira vez que o presidente altera o prazo: no fim de março, já havia prorrogado por dez dias a data-limite que venceria nesta segunda-feira.
“Crimes de guerra”
Em outra entrevista, desta vez ao Wall Street Journal, afirmou que, sem acordo, “pontes e usinas de energia vão desabar por todo o país”, acrescentando que o Irã levaria “20 anos para se reconstruir, se tiver sorte”.
Trump disse ainda que as negociações não envolvem o possível desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Irã, alegando que Teerã teria desistido dessa hipótese. “O importante é que eles não terão armas nucleares. Eles nem estão negociando sobre isso. Já foi concedido”, declarou.
O governo iraniano reagiu acusando Trump de incitar publicamente crimes de guerra. “O presidente dos Estados Unidos, como principal autoridade de seu país, ameaçou cometer crimes de guerra”, afirmou no X o vice-ministro das Relações Exteriores para assuntos jurídicos e internacionais, Kazem Gharibabadi.
Execução
Mais cedo, o Judiciário iraniano anunciou a execução de um homem acusado de colaborar com Israel e os Estados Unidos durante os protestos antigovernamentais ocorridos no início do ano. Segundo o site Mizan Online, Ali Fahim foi enforcado após a Suprema Corte confirmar a sentença.
As manifestações começaram no fim de dezembro, motivadas pela alta do custo de vida, e atingiram seu auge nos dias 8 e 9 de janeiro, quando se transformaram em protestos generalizados contra o governo.
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