Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa da reunião de líderes dos países do G7, na França, e espera encontrar com o presidente Donald Trump para tentar contornar novo tarifaço.
Uma projeção divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que novas tarifas propostas pelos Estados Unidos podem impactar significativamente as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Caso as medidas avancem, mais da metade dos produtos exportados pelo Brasil para os EUA poderá ser atingida por algum tipo de sobretaxa.
Segundo o levantamento, 31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passariam a ser taxadas em 37,5%, substituindo a tarifa atual de 10%. Outros 3,6% dos embarques sofreriam aumento para 12,5%.
A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após a conclusão de uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais ou restritivas ao comércio com empresas norte-americanas.
De acordo com a CNI, 35,2% das exportações brasileiras seriam diretamente afetadas pelas novas medidas. Quando somadas às tarifas setoriais já existentes, a parcela de produtos sujeitos a sobretaxas poderá alcançar 54,1% das exportações destinadas aos EUA.
Apesar da preocupação, as medidas ainda não entraram em vigor. Antes de qualquer decisão definitiva, a proposta passará por consultas públicas e audiências conduzidas pelas autoridades norte-americanas.
Governo aposta em negociação
O tema ganhou destaque durante a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do G7, realizada na França. O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar evitar a implementação das novas tarifas.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que parte das medidas ainda pode ser revertida por meio de negociações diplomáticas e comerciais.
Produtos podem sofrer forte impacto
Entre os produtos brasileiros que poderão enfrentar a tarifa máxima de 37,5% estão:
- Ferro-gusa não ligado;
- Açúcar de cana em forma sólida;
- Sebo não comestível;
- Álcool etílico não desnaturado;
- Molduras de madeira de pinho.
Já entre os itens que poderão ser taxados em 12,5% estão:
- Minério de ferro e concentrados;
- Lajes de quartzito;
- Óleos essenciais de laranja;
- Silício;
- Pasta química de madeira.
O ferro-gusa aparece entre os setores mais vulneráveis. Somente em 2024, as exportações brasileiras desse produto para os Estados Unidos somaram cerca de US$ 1,5 bilhão.
O que motivou a investigação
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para analisar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
No relatório final, o USTR apontou uma série de questões envolvendo o Brasil, entre elas:
- Funcionamento e regulação do sistema de pagamentos PIX;
- Decisões judiciais relacionadas às redes sociais;
- Acordos comerciais com países como México e Índia;
- Combate ao desmatamento ilegal;
- Política de acesso ao mercado de etanol;
- Proteção à propriedade intelectual e combate à pirataria;
- Medidas de combate à corrupção.
Além disso, outra investigação conduzida pelos Estados Unidos concluiu que o Brasil estaria entre os países que não aplicam de forma considerada suficiente restrições à importação de produtos associados ao trabalho forçado. Essa análise resultou na proposta de uma tarifa adicional de 12,5% para determinados produtos.
Quando as duas medidas são aplicadas simultaneamente, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.
Impactos para a economia
Especialistas avaliam que a adoção das tarifas poderá aumentar os custos para exportadores brasileiros e reduzir a competitividade de diversos setores no mercado norte-americano.
Por outro lado, a existência de uma lista de exceções elaborada pelos Estados Unidos pode amenizar parte dos impactos. Produtos considerados estratégicos para a economia americana, como carne bovina, café, frutas, aeronaves e minerais de terras raras, ficaram fora da proposta inicial de sobretaxação.
Enquanto as negociações avançam, o setor produtivo acompanha com atenção os desdobramentos da medida, que pode influenciar diretamente o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.














