A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) fez um alerta preocupante sobre a situação do financiamento educacional em diversas partes do mundo. Durante uma cúpula global sobre educação realizada em Paris, na sexta-feira (10), a entidade destacou que 113 países atualmente destinam mais recursos ao pagamento de dívidas do que aos investimentos em educação.
Segundo a Unesco, essa realidade afeta cerca de 6,1 bilhões de pessoas e representa um dos principais desafios para a ampliação do acesso ao ensino e para a melhoria da qualidade educacional em países de diferentes níveis de desenvolvimento.
Diante desse cenário, a organização defendeu a ampliação dos chamados programas de troca de dívida por investimentos em educação, mecanismo que permite aos países renegociar ou refinanciar débitos e utilizar a economia obtida para financiar escolas, capacitação de professores, infraestrutura educacional e programas de apoio aos estudantes.
Educação perde espaço nos orçamentos
De acordo com os dados apresentados pela Unesco, os países de baixa renda enfrentam uma situação ainda mais delicada. Nessas nações, os gastos com o pagamento de dívidas chegam a ser quase quatro vezes maiores do que os recursos destinados à educação.
O levantamento aponta ainda que, entre os 18 países mais endividados do mundo, as despesas com o serviço da dívida superam os orçamentos educacionais em pelo menos cinco vezes.
Para a organização, esse desequilíbrio compromete diretamente a capacidade dos governos de oferecer ensino de qualidade e ampliar oportunidades para milhões de crianças e jovens.
Troca de dívida por educação
As novas diretrizes apresentadas pela Unesco defendem que governos, instituições financeiras e credores internacionais ampliem os acordos de troca de dívida por educação.
Na prática, o mecanismo permite que parte das obrigações financeiras seja renegociada, reduzida ou refinanciada, possibilitando que os recursos economizados sejam direcionados para investimentos educacionais.
A entidade destacou exemplos considerados bem-sucedidos. Em 2023, um acordo entre a França e a Costa do Marfim contribuiu para financiar a construção de mais de 30 escolas. Outro caso citado foi a parceria entre Espanha e Peru, que ajudou a viabilizar 50 projetos educacionais ao longo de uma década.
O Banco Mundial também passou recentemente a apoiar iniciativas desse tipo, ampliando as possibilidades de aplicação do modelo em diferentes regiões do planeta.
Queda na ajuda internacional preocupa
Além do aumento das dívidas, a Unesco chamou atenção para a redução do apoio financeiro internacional destinado à educação.
Segundo projeções do Relatório Global de Monitoramento da Educação, a ajuda global ao setor poderá sofrer uma redução de até 30% entre 2023 e 2027.
Os números mais recentes já indicam uma tendência de queda. Em 2024, os investimentos internacionais em educação diminuíram 8% em comparação com o ano anterior. O cenário foi ainda mais preocupante para a educação básica, que registrou uma redução de 15% nos recursos recebidos.
Impactos para o futuro
Especialistas alertam que a diminuição dos investimentos pode ampliar desigualdades sociais, dificultar o acesso ao ensino e comprometer o desenvolvimento econômico de diversas nações.
Para a Unesco, investir em educação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para combater a pobreza, promover inclusão social e impulsionar o crescimento sustentável.
Diante da crescente pressão financeira enfrentada por muitos países, a organização reforça que novas estratégias de financiamento serão fundamentais para garantir que milhões de estudantes não tenham seu futuro comprometido pela falta de recursos destinados à educação.

















