Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (10) uma nova rodada de sanções contra pessoas e empresas ligadas ao governo do Irã, ampliando a pressão econômica em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. As medidas foram divulgadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano e têm como principal alvo o banqueiro e empresário iraniano Ali Ansari, além de outras 13 pessoas e entidades.
Segundo o governo dos EUA, as sanções foram adotadas após a retomada de ataques atribuídos ao Irã contra petroleiros que transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo.
Banqueiro é apontado como financiador da elite iraniana
Ali Ansari, que vive em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, já havia sido alvo de sanções do Reino Unido por supostas ligações financeiras com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.
Agora, autoridades americanas afirmam que o empresário desempenha um papel importante no financiamento de integrantes da cúpula iraniana, incluindo o líder Mojtaba Khamenei. De acordo com Washington, Ansari teria utilizado recursos públicos para construir um amplo patrimônio internacional, composto por imóveis e participações empresariais em diversos países.
O governo dos Estados Unidos alega ainda que os recursos movimentados pelo banqueiro beneficiaram membros da elite política iraniana e organizações ligadas à estrutura de poder do país.
Em comunicado oficial, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que as medidas buscam enfraquecer as fontes de financiamento do governo iraniano.
“O governo dos Estados Unidos está tomando medidas decisivas para cortar as linhas de financiamento que sustentam a elite governante do Irã”, declarou.
Empresas e casas de câmbio também foram alvo
Além de pessoas físicas, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) anunciou sanções contra casas de câmbio iranianas e empresas estrangeiras apontadas como intermediárias em operações financeiras consideradas irregulares.
Segundo as investigações americanas, essas instituições movimentavam bilhões de dólares anualmente em nome de bancos iranianos já sancionados, utilizando redes de empresas e intermediários para ocultar as transações.
Entre as entidades atingidas estão a CDM Trading Limited, sediada em Hong Kong, e a Naba Alzaki Raw Materials Trading LLC, localizada nos Emirados Árabes Unidos.
As sanções incluem bloqueio de ativos sob jurisdição americana, proibição de negócios com cidadãos e empresas dos Estados Unidos e possibilidade de penalidades contra terceiros que mantenham relações comerciais com os alvos das medidas.
Conflito voltou a se intensificar
O anúncio ocorre após uma semana marcada pela retomada de confrontos entre os dois países.
De acordo com autoridades americanas, três navios-tanque comerciais ligados ao Catar e à Arábia Saudita foram atingidos por disparos iranianos. Em resposta, os Estados Unidos realizaram ataques contra alvos em território iraniano.
O Irã, por sua vez, respondeu atingindo instalações militares americanas localizadas em países da região do Golfo.
A escalada elevou novamente a preocupação da comunidade internacional com possíveis impactos sobre a segurança regional e o mercado global de energia.
Negociações seguem abertas
Apesar do aumento da tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington continuará participando de negociações diplomáticas após um pedido feito por representantes iranianos.
Ainda assim, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, destacou que o governo seguirá utilizando todos os instrumentos econômicos disponíveis para pressionar integrantes da liderança iraniana.
Do lado iraniano, o principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que Teerã está preparado para uma “defesa total” caso os Estados Unidos descumpram os compromissos assumidos em acordos recentes.
Em publicação nas redes sociais, o líder iraniano afirmou que o país não aceitará qualquer tentativa de imposição externa.
Impactos podem ultrapassar a região
Especialistas avaliam que as novas sanções representam mais um capítulo da disputa entre Washington e Teerã, que há décadas influencia a estabilidade do Oriente Médio e os mercados internacionais.
Para analistas do setor financeiro e geopolítico, o endurecimento das medidas sinaliza uma estratégia americana de ampliar o isolamento econômico da liderança iraniana, ao mesmo tempo em que mantém canais diplomáticos abertos para futuras negociações.
Enquanto isso, o mundo acompanha com atenção os desdobramentos do conflito, especialmente pelos possíveis reflexos nos preços do petróleo, no comércio internacional e na segurança de uma das regiões mais estratégicas do planeta.

















