Funcionário teria usado informações privilegiadas para apostar em palavras que seriam pronunciadas pelo presidente dos Estados Unidos durante discursos oficiais.

O operador de teleprompter da Casa Branca, Gabriel Perez, foi demitido após ser acusado de utilizar informações privilegiadas para obter lucro em apostas relacionadas aos discursos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa norte-americana, Perez teria obtido cerca de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 513 mil) ao apostar, em uma plataforma especializada, quais palavras e expressões seriam utilizadas por Trump em pronunciamentos oficiais.

As denúncias vieram à tona após uma reportagem da emissora ABC News, que revelou que o então funcionário tinha acesso antecipado ao conteúdo dos discursos presidenciais e utilizava essas informações para realizar apostas na plataforma Kalshi, especializada em mercados de previsão.

Funcionário já havia sido afastado

Antes da demissão, Gabriel Perez foi colocado em licença não remunerada enquanto o caso era apurado.

Na ocasião, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou as acusações como “profundamente lamentáveis” e afirmou que o episódio representava uma situação constrangedora para a administração.

Plataforma identificou movimentações suspeitas

Após a divulgação da reportagem, Robert Denault, advogado e chefe de fiscalização da Kalshi, informou que a própria equipe de monitoramento da plataforma detectou operações consideradas suspeitas.

Segundo ele, o caso foi investigado internamente e posteriormente encaminhado à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC), órgão responsável pela regulamentação desse mercado.

Embora Denault não tenha citado Gabriel Perez nominalmente, confirmou que as apostas levantaram indícios de possível uso de informações obtidas em razão da atividade profissional.

Como funcionavam as apostas

As apostas foram realizadas na modalidade chamada “Mentions”, disponível na plataforma Kalshi.

Nesse mercado, os usuários tentam prever quais palavras, frases ou expressões serão mencionadas por figuras públicas durante discursos, entrevistas ou eventos oficiais.

Após a repercussão do caso, a empresa reforçou suas políticas de compliance e passou a exigir que os usuários informem seu local de trabalho, além de proibir apostas baseadas em informações privilegiadas obtidas no exercício da profissão.

Teleprompter já foi alvo de outra polêmica

Esta não é a primeira vez que o equipamento utilizado para exibir os discursos presidenciais gera repercussão na Casa Branca.

Durante um pronunciamento de Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2025, o presidente afirmou que o teleprompter apresentou falhas durante sua fala.

Na ocasião, Trump declarou que precisou improvisar parte do discurso e classificou o episódio como uma possível “tripla sabotagem”, chegando a solicitar uma investigação e informar que o Serviço Secreto acompanharia o caso.

Posteriormente, a Organização das Nações Unidas (ONU) esclareceu que o equipamento utilizado no evento era operado exclusivamente pela equipe da Casa Branca, sem qualquer responsabilidade da organização internacional.

Caso levanta debate sobre uso de informações privilegiadas

O episódio reacende o debate sobre o uso indevido de informações privilegiadas em plataformas de apostas baseadas em eventos políticos e econômicos.

Especialistas em governança e integridade pública apontam que o acesso antecipado a informações confidenciais pode comprometer a credibilidade desses mercados, além de gerar possíveis implicações administrativas e regulatórias.

Até o momento, não há informações sobre eventual responsabilização criminal do ex-funcionário, enquanto os órgãos competentes continuam acompanhando o caso.