A Justiça da Bolívia emitiu uma nova ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, de 66 anos, que agora é investigado por suposto envolvimento na organização e incentivo aos protestos e bloqueios de estradas que paralisaram diversas regiões do país por mais de 50 dias.

A decisão foi anunciada pela Promotoria Departamental de Santa Cruz nesta quarta-feira (29) e amplia a série de processos judiciais enfrentados pelo ex-chefe de Estado, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019.

Acusações envolvem terrorismo e outros crimes

Segundo a Promotoria, Morales é investigado por seis crimes:

  • Terrorismo;
  • Levante armado contra a segurança e a soberania do Estado;
  • Atentado contra a segurança dos meios de transporte;
  • Associação criminosa;
  • Instigação pública ao crime;
  • Atentado contra a segurança dos serviços públicos.

De acordo com a legislação boliviana, os crimes de terrorismo e levante armado podem resultar em penas de até 20 e 30 anos de prisão, respectivamente, caso haja condenação.

As investigações tiveram início após denúncias apresentadas pelo Comitê Pró-Santa Cruz e posteriormente reforçadas pelo Ministério do Governo da Bolívia.

Evo Morales fala em perseguição política

O ex-presidente rejeitou todas as acusações e afirmou que os processos fazem parte de uma perseguição política promovida pelo governo do presidente Rodrigo Paz.

Em publicação na rede social X, Morales declarou que as acusações buscam responsabilizá-lo pelas manifestações para desviar a atenção da crise econômica enfrentada pelo país.

“Buscam nos responsabilizar pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social”, afirmou.

Ele também garantiu que continuará participando da vida política do país ao lado de seus apoiadores.

Governo nega interferência

O governo boliviano negou qualquer participação na decisão judicial.

O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, afirmou que a ordem de prisão foi expedida pela Justiça e não pelo Poder Executivo.

Segundo ele, Morales deverá prestar esclarecimentos sobre seu suposto papel na organização dos bloqueios de rodovias registrados entre maio e junho.

Protestos deixaram mortos e prejuízos

Os bloqueios provocaram graves impactos em diversas cidades bolivianas, afetando o abastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis.

De acordo com dados da Defensoria do Povo da Bolívia, os protestos deixaram:

  • 22 pessoas mortas;
  • 88 feridos;
  • 573 presos.

Grande parte das mortes ocorreu em acidentes durante tentativas de ultrapassar bloqueios nas rodovias, além de confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Ex-presidente enfrenta outro processo

Esta não é a única investigação contra Evo Morales.

Desde 2024, o ex-presidente também responde a um processo por suposto tráfico de pessoas, relacionado à alegação de que teria mantido um relacionamento com uma adolescente durante seu último mandato presidencial.

Morales nega as acusações e afirma que o processo possui motivação política.

O julgamento chegou a ser iniciado, mas foi suspenso devido à ausência do ex-presidente, que permanece na região de Chapare, considerada seu principal reduto político, onde recebe proteção de apoiadores.

Enquanto a Justiça tenta avançar nos processos, Evo Morales continua afirmando ser vítima de perseguição e promete manter sua atuação política, em um cenário que amplia a tensão entre governo, oposição e setores sociais na Bolívia.