Pacientes com obesidade grave nos Estados Unidos poderão ter acesso antecipado à retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, antes mesmo da aprovação oficial pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana.
A empresa anunciou a criação de um programa de uso compassivo, também chamado de acesso expandido, destinado a um grupo restrito de pacientes que apresentam quadros graves da doença e não possuem alternativas terapêuticas adequadas.
A iniciativa será exclusiva para os Estados Unidos e seguirá critérios rigorosos para seleção dos participantes.
Medicamento ainda está em fase de testes
Apesar da expectativa em torno da retatrutida, a Eli Lilly reforça que o medicamento continua em fase experimental.
Atualmente, o tratamento está sendo avaliado em estudos clínicos de fase 3 e ainda não recebeu autorização para comercialização da FDA nem de outras agências reguladoras ao redor do mundo.
A empresa informou que pretende solicitar o registro oficial do medicamento junto à FDA no primeiro trimestre de 2027.
Como funciona a retatrutida?
A retatrutida é aplicada por meio de uma injeção semanal e se diferencia por atuar simultaneamente em três receptores hormonais:
- GLP-1;
- GIP;
- Glucagon.
Essa combinação busca potencializar o controle do apetite, aumentar o gasto energético do organismo e favorecer uma perda de peso mais significativa.
Além da obesidade, o medicamento vem sendo estudado para o tratamento de outras doenças associadas ao excesso de peso, entre elas:
- diabetes tipo 2;
- doenças cardiovasculares;
- apneia obstrutiva do sono;
- doença hepática metabólica;
- doença renal crônica;
- osteoartrite do joelho.
Quem poderá participar do programa?
O acesso não será liberado para toda a população.
Segundo a Eli Lilly, somente poderão participar pacientes que atendam a critérios específicos, como:
- ter 18 anos ou mais;
- apresentar obesidade considerada refratária, sem resposta aos tratamentos disponíveis nas doses máximas recomendadas;
- possuir pelo menos duas complicações graves relacionadas ao excesso de peso;
- não estar apto a participar de estudos clínicos em andamento.
Cada solicitação será analisada individualmente pela empresa antes da liberação do medicamento.
Empresa faz alerta sobre produtos irregulares
A farmacêutica também alertou para o aumento da oferta de produtos comercializados ilegalmente como retatrutida.
Segundo a Eli Lilly, medicamentos vendidos fora dos estudos clínicos ou do programa oficial de acesso expandido podem conter ingredientes desconhecidos, concentrações incorretas ou até substâncias diferentes das anunciadas, colocando a saúde dos pacientes em risco.
Até que o medicamento seja aprovado pelas autoridades regulatórias, seu uso continuará restrito aos participantes das pesquisas clínicas e aos pacientes selecionados para o programa de uso compassivo nos Estados Unidos.
A expectativa é que os resultados dos estudos em andamento ajudem a definir a eficácia e a segurança da retatrutida, considerada uma das apostas mais promissoras no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas associadas.














