Em meio à rotina de consultas, tratamentos e internações, a presença de um animal pode representar um momento de leveza e afeto. É com esse propósito que o projeto “Terapia Assistida por Animais (TAA): Cães Solidários”, desenvolvido pelo Centro de Ciências Médicas (CCM) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), realiza visitas com cães terapeutas em unidades hospitalares de João Pessoa.

A iniciativa busca tornar a experiência hospitalar mais humanizada por meio da interação entre pacientes e animais. As visitas acontecem aproximadamente quatro vezes por mês, aos domingos, nos setores de clínica médica e pediatria do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e do Hospital da Unimed João Pessoa.

O projeto reúne professores, estudantes, voluntários e tutores dos cães, criando momentos de interação que vão além do cuidado tradicional e ajudam a aproximar pacientes, familiares e profissionais.

Uma experiência que vai além do tratamento

Para a estudante e extensionista Allana Maria Lopes, participar do projeto permite compreender, na prática, a importância de enxergar o paciente para além de sua condição de saúde.

“Esse projeto me permite ver de perto o impacto positivo que as terapias não medicamentosas podem ter na vida das pessoas. Como futura enfermeira, isso me ajuda a compreender melhor a importância do cuidado humanizado e de olhar para o paciente além da doença. De certa forma, acaba sendo uma terapia para quem participa também”, relatou.

Os encontros também proporcionam experiências marcantes para quem participa das ações.

A estudante Maria Clara Paranhos recorda especialmente uma visita realizada durante o período natalino de 2025, em uma ala pediátrica. Na ocasião, ela participou da ação vestida como ajudante do Papai Noel e acompanhou a entrega de presentes às crianças.

Um dos momentos que mais a marcou aconteceu quando uma das meninas recebeu um presente e, posteriormente, teve contato com um dos cães do projeto.

“Enquanto brincávamos juntas de massinha, um cachorro apareceu e ficou nos cheirando. Éramos apenas três crianças: eu, ela e o cachorro”, contou.

Empatia também faz parte do cuidado

A experiência pessoal de Maria Clara com internações também contribuiu para sua percepção sobre a importância do projeto.

“Tudo se resume à empatia. Já fui uma paciente internada que gostaria de ter recebido mais visitas. Apenas meus pais ficaram ao meu lado nesse momento tão difícil que é uma internação. Penso que poder proporcionar um sorriso, uma boa conversa e uma lembrança dos seus próprios pets… tudo isso com certeza muda a internação de muitas pessoas”, afirmou.

O impacto das visitas não se limita aos pacientes. Familiares e acompanhantes, que muitas vezes enfrentam períodos de grande desgaste emocional, também encontram nos encontros uma oportunidade de acolhimento.

A estudante Allany Maria de Souza relatou uma situação que chamou sua atenção durante uma das visitas. Enquanto uma mãe conversava com o filho, ela se emocionou ao perceber a presença da equipe do projeto.

“Essa situação me fez refletir que, muitas vezes, toda a atenção é direcionada ao paciente, enquanto o sofrimento de quem acompanha e cuida de uma pessoa querida pode passar despercebido”, relatou.

Projeto atende cerca de 500 pessoas por mês

O Cães Solidários atua desde 2018 e, atualmente, atende aproximadamente 500 pessoas por mês.

Embora a iniciativa não tenha como objetivo substituir tratamentos médicos, a proposta é contribuir para que o período de internação seja vivido de maneira mais acolhedora, especialmente por crianças e pessoas que enfrentam longos períodos dentro do ambiente hospitalar.

Para Maria Eduarda Delfino, que acompanha a familiar Heloísa Holanda Alves, a simplicidade desses encontros pode fazer uma diferença significativa na rotina de quem está no hospital.

“O que mais me chama atenção é o carinho e a alegria das crianças ao verem os cachorros, e dos adultos também. Em meio às tribulações da vida, são os pequenos detalhes que despertam sorrisos sinceros e aquecem o coração”, afirmou.

Em um ambiente normalmente associado à preocupação e à fragilidade, os cães terapeutas ajudam a criar momentos de descontração, afeto e proximidade. Para pacientes, familiares e estudantes, cada visita representa uma oportunidade de lembrar que cuidar também significa oferecer escuta, presença, carinho e empatia.