O governo do Irã divulgou neste sábado (8) uma lista de condições que, segundo informações do jornal americano The New York Times, precisariam ser atendidas pelos Estados Unidos para que Teerã permita a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo.

A declaração teria sido feita pelo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e divulgada pela mídia estatal iraniana. Cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passa pela região, o que faz com que qualquer restrição à navegação tenha impacto direto sobre os mercados internacionais.

Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão:

  • suspensão do bloqueio naval e das sanções impostas pelos Estados Unidos;
  • retirada de tropas americanas das proximidades do território iraniano;
  • pagamento de indenizações de guerra;
  • liberação de ativos iranianos congelados;
  • encerramento dos ataques contra aliados do Irã na região;
  • fim das ameaças contra o país.

A possibilidade de um acordo, no entanto, ainda enfrenta obstáculos. Segundo o New York Times, é considerada improvável uma aceitação integral das exigências pelo governo do presidente Donald Trump.

Trump já havia declarado anteriormente que o Irã precisaria escolher entre um acordo e a chamada “rendição total” na guerra. Autoridades americanas também afirmam que a liberação de ativos iranianos congelados estaria condicionada a compromissos relacionados ao programa nuclear de Teerã.

Negociações com Omã

Enquanto as exigências são apresentadas aos Estados Unidos, também avançam conversas entre Irã e Omã sobre uma possível alternativa para a navegação no Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou neste sábado que os dois países estavam próximos de alcançar um novo entendimento sobre uma rota de navegação na região.

Um funcionário americano também declarou à Reuters que havia progresso nas negociações entre Omã e Irã e que Washington poderia suspender o bloqueio aos portos iranianos após um acordo que garanta a retomada da navegação comercial sem impedimentos.

Impacto sobre petróleo e inflação

A situação preocupa os mercados internacionais devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz. O tráfego de embarcações na região está limitado desde o início da guerra, em fevereiro, contribuindo para a pressão sobre os preços do petróleo.

A elevação do preço da commodity também pode aumentar os custos de combustíveis e energia e, consequentemente, pressionar a inflação em diferentes países.

O petróleo Brent, referência internacional, acumulava alta próxima de 15% desde o início da guerra até a última sexta-feira (7), quando encerrou o pregão cotado a US$ 83,30 por barril.

O impasse entre Irã e Estados Unidos mantém o Estreito de Ormuz no centro das atenções internacionais, enquanto negociações diplomáticas buscam uma saída que permita restabelecer a circulação de navios e reduzir os impactos econômicos provocados pelo conflito.